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Adelaide Morgado venceu “Prémio Artes Plásticas Henrique Silva”

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Fotografia: Câmara de Paredes

Adelaide Morgado, pintora a residir em Aveiro, venceu a edição 2020 do “Prémio Artes Plásticas Henrique Silva”, iniciativa promovida pela Câmara de Paredes que tem como propósito incrementar e contribuir para o aparecimento de novas obras no domínio das artes plásticas.

Relançada em 2019,  a mostra exibe as obras que foram a concurso nas edições de 2019 e 2020.

Ao Novum Canal, Adelaide Morgado revelou que foi a primeira vez que concorreu ao prémio, salientando que a sua participação surgiu por um  acaso.

 “A participação neste prémio surgiu por acaso. Na realidade, o período para aceitação de obras do Prémio Artes Plásticas Henrique Silva coincidiu com o fecho/ desmontagem de uma exposição que realizei na Casa da Cultura, em setembro último. Quando soube que estava a decorrer este prémio aproveitei o facto para participar”, disse, salientando que a obra premiada se intitula “Over de Rainbow”, tratando-se de uma aguarela.

Falando da obra vencedora, Adelaide Morgado realçou que “Esta obra enquadra-se numa série de trabalhos que exploram a vertente espiritual do Homem, enquanto ser consciente e por isso responsável por si próprio e pelos demais. “Over de rainbow” remete para a dualidade de perspectivas: Entre a forma como o espectador vê as personagens retratadas e como as mesmas o observam, entre a felicidade de dar e a gratidão de receber, entre quem assume o papel de salvador e quem é resgatado, entre quem é visto como fonte de esperança ou simplesmente e metaforicamente falando como aquele que sonha em ser “arco-íris” e mudar a vida do outro” sustentou.

A autora confessou que demorou a executar este “Over the Rainbow” pouco mais de três meses, sublinhando que além da aguarela gosta de trabalhar com composições que conjugam materiais diversos.

“Atualmente trabalho a aguarela mas gosto muito de criar composições que conjugam materiais diversos como tecido, guardanapo, fio, metal, entre outros”, frisou.

Questionada sobre como define a sua obra enquanto pintora, Adelaide Morgado confirmou que a linguagem corporal e facial, a expressividade do gesto e a cor são os elementos que gosta de trabalhar e dão mais força aos seus trabalhos.

“De momento, figurativa. A linguagem corporal e facial, a expressividade do gesto e a cor são os elementos que dão mais força aos meus trabalhos. Gosto que cada trabalho conte uma história ou explore uma temática. Gosto de me surpreender e de surpreender os outros, por isso cada série de trabalhos apresentados não segue uma tendência, talvez porque ainda não tenha encontrado o que me define verdadeiramente enquanto pintora. As minhas composições são inspiradas pela espiritualidade de Caspar David Friedrich, pela força das personagens de Lita Cabellut e Nathan Ford, pelas construções escultóricas de Alberto Giacometti e ainda pela técnica de Graham Dean e Eric Lacombe”, avançou, referindo  manifestando estar ainda: “em fase de amadurecimento e como alguém que ainda necessita de aprender muito”, expressou.

Fotografia: Câmara de Paredes

Falando da importância que o prémio Artes Plásticas Henrique Silva tem para a promoção das artes plásticas, Adelaide Morgado assumiu que esta é uma iniciativa meritória, deveria ser mais divulgada e contribui decisivamente para o desenvolvimento das artes plásticas.

Interpelada sobre o atual estado das artes e de que forma a crise sanitária atingiu esta área, Adelaide Morgado concordou que não foi apenas a pintura que foi afetada pela Covid-19, mas toda a forma de arte.

“Contudo a dinamização da cultura é a meu ver uma questão social. Eu arrisco a dizer que ela é e continuará a ser por bastante tempo um parente mal amado e incompreendido quando comparada com outras áreas, porque não é considerada uma área de retorno/consumo imediato”

Já quanto à existência de mais apoios para as artes e para a cultura, a pintora relevou que os apoios financeiros são sempre determinantes para impulsionar qualquer tipo de atividade artística.

“Os apoios sejam financeiros, sejam de outro tipo são certamente uma componente imprescindível para impulsionar qualquer tipo de atividade artística, quer ocorra individual quer coletivamente ao nível de associações, câmaras municipais ou de outras de entidades. Contudo a dinamização da cultura é a meu ver uma questão social. Eu arrisco a dizer que ela é e continuará a ser por bastante tempo um parente mal amado e incompreendido quando comparada com outras áreas, porque não é considerada uma área de retorno/consumo imediato. A cultura e a arte em particular ainda é, em Portugal, considerada um luxo, uma área de entendimento apenas para intelectuais e elites, o que em parte tem a sua razão de ser. O mercado da arte dominado pelos críticos, pelas galerias e “marchands” ditam as tendências, tornando-se para a generalidade da população uma área de compreensão inacessível, logo pouco atrativa. Penso por isso que, e apesar de terem sido feitos esforços notáveis nesse sentido por parte de inúmeros municípios, a arte / cultura só passará a ser área prioritária quando se educarem as massas cinzentas.  De nada serve ter salas de espetáculo fantásticas, bibliotecas equipadas com as mais recentes tecnologias de informação, exposições e museus com obras admiráveis, se não houver público educado / sensibilizado / mobilizado / participativo”, atalhou.

Interpelada quanto aos seus projetos futuros, a artista foi perentória: “cada novo trabalho é uma surpresa, nem eu sei bem o que irá surgir (rir). De momento estou a amadurecer ideias. Projetos? Gostaria de ter uma experiência expositiva fora de Portugal.  Seria com certeza uma experiência enriquecedora, mas Portugal será sempre meu cantinho favorito”, assumiu, tendo relevado o trabalho que a câmara municipal tem feito no domínio da cultura.

“Foi excelente. Já fiz exposições em vários locais, mas considero que foi em Paredes que reuni as melhores condições para expor, quer logisticamente, quer a nível organizacional. A Câmara Municipal de Paredes está de parabéns”, afiançou, recordando ter exposto em Paredes em setembro de 2019 e que gostava de ter mais trabalhos expostos em Paredes.

Adelaide Morgado tem exposições no Porto, Bienal de Vila Nova de Gaia, Anadia, Oliveira do Bairro. Zona Centro e Norte.

O prémio tem, também, como objetivos estimular a criação artística, incrementar “a atividade plástica, bem como difundir a identidade cultural e artística de Paredes, reconhecendo a sua importância na cultura contemporânea como forma de criação plástica e de intervenção, conferindo um estatuto único como documento cultural e social”.

A abertura da mostra contou com a presença dos artistas plásticos Adelaide Morgado, vencedora da edição deste ano do “Prémio Artes Plásticas Henrique Silva”, de Fábio Dias e Belmiro Sousa.

A exposição encontra-se patente na Casa da Cultura durante o mês de agosto de 2020.

Henrique Silva é natural  de Paredes, é licenciado em Artes Plásticas pela Universidade de Paris VIII.

Foi diretor da bienal de Vila Nova de Cerveira e vice-presidente da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC). Exerceu, também, funções como coordenador cultural.

Em 2019 foi eleito presidente do conselho científico da Fundação Bienal de Arte de Cerveira. A sua obra é conhecida internacionalmente, estando representada em várias coleções particulares da Europa, Estados Unidos, Canadá e no Japão.


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