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Jovem promessa do canto lírico de Paredes quer ser cantora profissional

Inês Pinto é uma jovem de Paredes e uma confessa apaixonada pelo canto lírico. Atuou recentemente em Paredes, aquando das cerimónias de homenagem que a autarquia paredense fez a várias figuras e entidades,  que decorreram no Parque José Guilherme, interpretando alguns temas.

Quem a escutou ficou logo rendido à sua voz única e inconfundível que não passou despercebida aos muitos paredenses e convidados que acompanharam em silêncio a atuação. No final, um grupo de fervorosos entusiastas da jovem paredense, seguramente conhecedores do seu trabalho, não evitou aplaudir entusiasticamente Inês Pinto que acabou a mini-atuação com a plateia a bater-lhe palmas de pé.

Ao Novum Canal,  Inês Pinto destacou que a paixão pelo canto lírico despertou já era adolescente, por volta dos 15 anos, mas ficou cimentada no 10.º ano de escolaridade quando teve que optar pelo canto, o piano e as línguas.

“A ligação ao canto lírico surgiu por volta dos 15. Ninguém da minha família é músico e raramente ouvia música clássica com a minha família quando era pequena. Quando passei para o 10.º ano tive que decidir entre o canto, o piano e as línguas. Acabei por escolher o canto. E ao logo dos anos cada vez mais tive a certeza que era o que queria”, disse salientando que os pais estiveram sempre do seu lado e apesar de algum receio nunca deixaram de a apoiar.

“Os meus pais sempre me apoiaram na minha decisão. Tiveram receio, mas apoiaram sempre”, expressou.

Quanto ao seu trabalho e à forma como é apreciado pela comunicado local, Inês Pinto destacou que se sente acarinhada pela comunidade, não apenas pelos seus seguidores, mas também os outros, que não tendo um conhecimento apurado do que é o mundo da ópera, sempre que a escutam apreciam o seu trabalho e a interpretação que acaba por conferir aos temas.

“As pessoas apesar de não conhecerem muito o mundo da ópera, nota-se que admiram e que gostariam de ouvir ópera mais vezes”, precisou, confirmando já ter feito várias óperas como a Flauta Mágica de Mozart, o Dido e Aeneas de Purcell, Le Nozze di Figaro de Mozart e Orfeo ed Eurídice de Gluck.

De entre todos os trabalhos já realizados, a cantora referiu que a ópera que mais a marcou foi “ Orfeo Ed Eurídice”.

“Fui a diretora artística do projeto e por isso foi bastante especial pois consegui levar a ópera à cidade de Évora”, declarou.

A cantora lírica reconheceu que a emoção de estar em palco é algo único. Falando do que sente quando está em palco ou atua perante o público, Inês Pinto reconheceu que não é possível separar e descrever a felicidade de estar palco, partilhar aquele momento com quem está a assistir aos espetáculos, ainda que nervosismo acabe, também, por estar sempre presente.

Sobre a sua primeira vez em palco recordou: “Sinceramente não me lembro. Mas lembro perfeitamente da sensação que tinha quando via o espetáculo do público, um desejo enorme de estar no palco”, afiançou, confirmando que as histórias e os significados escondidos são variáveis que acabam sempre por condicionar a escolha que faz relativamente às obras que interpreta.

“Esta sensação de que meu desenvolvimento pessoal e profissional é um caminho sem fim. E que durante esse caminho tenho a sorte de me emocionar e inspirar constantemente pelos outros”

A jovem cantora lírica manifestou, também, que o que a faz manter-se ligado ao canto lírico é a constante ideia de que o desenvolvimento pessoal e profissional não tem fim e o facto através do canto lírico emocionar-se e deixar-se inspirar constantemente pelos outros.

“Esta sensação de que meu desenvolvimento pessoal e profissional é um caminho sem fim. E que durante esse caminho tenho a sorte de me emocionar e inspirar constantemente pelos outros”, atestou.

Entre os vários autores que já interpretou, Inês Pinto escolheu Mozart.  

“Mozart porque adoro o seu lado cómico e a maneira como ele o traduz na música”,  confessou, admitindo ser uma admiradora de Edita Gruberova, soprano eslovaca, das mais aclamadas das últimas décadas.

“Depende do repertório, mas no meu tipo de repertório é a Edita Gruberova”, acrescentou.

“Em Portugal é muito difícil e instável. Tenho a certeza que tenho que sair de Portugal para conseguir ser cantora profissional”

Já quanto ao seu futuro profissional, a jovem paredense manifestou querer  fazer carreira profissional, mas concordou que em Portugal as hipóteses para se singrar no canto lírico são escassas, pelo que terá de ponderar sair do país.

“Em Portugal é muito difícil e instável. Tenho a certeza que tenho que sair de Portugal para conseguir ser cantora profissional”, asseverou, precisando que os apoios que existem nesta área não mínimos e os que existem são bastante limitativos.

“Não conheço nenhum apoio do Estado. Por isso, se houvesse era fantástico”, acrescentou, reconhecendo que a cultura deveria ser mais acarinhada pelas pelos organismos e entidades oficiais.

“Acho que a cultura deveria receber mais apoio por parte do Estado. No entanto, é importante perceber que outras áreas como a saúde e a educação precisam de mais investimento que a cultura. E por isso o dinheiro investido na cultura acaba por ser menor”, reconheceu.

Ao Novum Canal, a cantora lírica manifestou que também ela sentiu de alguma forma o impacto da crise sanitária, tendo sido obrigada a adiar alguns dos concertos que estavam já agendados.

“Devido ao Covid-19 vi todos os meus espetáculos a serem cancelados, principalmente os que tinha em Inglaterra”, atalhou.