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Jovens estudantes universitários de Penafiel promovem exposição para aproximar população da cultura

Três jovens universitários do concelho de Penafiel estão a trabalhar numa exposição que será apresentada no Museu do Engenho em Sebolido, concelho de Penafiel, numa iniciativa que tem como propósitos aproximar a comunidade da cultura, fomentar futuros artistas, curadores e museólogos.

A mostra vai ser inaugurada dia 15 de agosto às 15h00.

Inês Lopes, residente em Sebolido, estudante na Faculdade de Letras do Porto, e uma das mentoras do projeto, explicou que a ideia de avançar com esta mostra de arte teve subjacente a intenção de “aproximar a comunidade sebolidence à arte da nossa geração, promover jovens artistas universitários, assim como o nosso trabalho como aspirantes a museólogos e curadores”, disse, salientando que a exposição tem como tema “Espelho da Juventude”.

“O titulo do nosso tema é “Espelho da Juventude”, traduzindo-se para a demonstração de como os artistas da nossa geração produzem arte, as formas como o mundo e o ambiente à nossa volta influenciam o que representamos, mas a cima de tudo, mostrar a visão da nossa geração sobre a arte, e marcar o espaço com vários estilos diferentes e várias produções artistas diferentes, cujo elo em comum são essas igualdades geracionais”, referiu, salientando que a mostra tem entre 10 a 16 peças.

Inês Lopes realçou que o facto dos autores do trabalho se conhecerem e de algumaforma partilharem os mesmos valores estéticos e preocupações artísticas  tornou possível que metessem mãos às obras e  começassem a implementar o projeto.

“Nós já nos conhecíamos há algum tempo por andarmos na mesma faculdade, e em conversa descobrimos que queremos no futuro explorar as mesmas áreas de trabalho como curadoria e museologia. A Inês, natural de Sebolido, falou-nos no Museu do Engenho de Sebolido, e em como gostaria muito no futuro de explorar o espaço de diferentes formas, e aí começamos a imaginar de que forma, se tivéssemos a oportunidade, montaríamos uma exposição. Mais tarde, soubemos que o Museu também estava interessado no nosso projeto e decidimos avançar com a ideia”, frisou., sustentando que o projeto encontra-se na fase final, só falta mesmo fazer a montagem técnica da exposição.

Falando das dificuldades que o grupo sentiu para concretizar esta exposição artísticas, Inês Lopes reconheceu que acumular este projeto com a fase de exames não foi tarefa fácil.

“Tendo em conta que todos somos alunos do ensino superior, foi desafiante conciliar a época de exames com a organização da exposição, foi também difícil arranjarmos parcerias que nos ajudassem a financiar o projeto, sendo que só conseguimos patrocínio da pastelaria Dolce Melly que nos ajudou no fornecimento de comida par a exposição e a Junta de Freguesia de Sebolido que nos apoiou incansavelmente tanto no provisionamento do espaço sem cobrança assim como de outros elementos necessários ao projeto. Outro obstáculo teve a ver com o recrutamento de artistas e obras de arte para expormos. Tendo em conta que o fizemos através das redes sociais, tivemos bastantes interessados, não conseguido dar respostas a todos e por isso, também nos foi um pouco difícil pois muitas das respostas foram incertas o que dificultou a confirmação e a segurança das obras que teríamos para trabalha”, avançou.

Questionada se foi feita alguma inventariação dos objetos/peças que vão estar expostos, Inês Lopes referiu que a ideia era ter obras nunca expostas.

“O nosso projeto é bastante inovador e o nosso objetivo era não fazer tudo de forma tão programada, e trabalharmos na hora com o que tínhamos”, asseverou, afiançando que a curto/médio prazo é seu objetivo divulgar o conhecimento que está a adquiriu com a licenciatura para o usar mais tarde no mestrado.

“No futuro quando tivermos acabado os estudos, termos já uma experiência e uma noção do que queremos fazer e de que forma estamos a trabalhar”, recordou, reiterando que o objetivo do grupo passa por mostrar o talento dos artistas, experimentar e projetar algo de valor nesta área.

“Muito sinceramente o nosso maior objetivo é mostrar o talento dos artistas com quem tivemos o prazer de trabalhar, experimentar com as nossas ideias e a nossa capacidade de projetar algo de valor nesta área, e trazer este tipo de cultura às pessoas de Sebolido, para que também elas possam usufruir da arte na nossa geração”, confessou.

Inês Lopes manifestou, ainda, o desejo de ver este trabalho replicado noutras freguesias do concelho.

“Da nossa parte, seria um prazer replicar este projeto noutros espaços ou mesmo noutros locais, porém o nosso objetivo sempre foi divulgar o Museu de Sebolido e realizar aqui a exposição. No futuro se as oportunidades surgirem iremos avaliar se será possível para nós, no entanto o gosto que ganhamos pelo projeto reflete-se na possível realização de outros trabalhos em Sebolido”, acrescentou, reconhecendo que a arte e a cultura não são tão valorizadas nem gratificadas em Portugal, embora no período da pandemia, a sua divulgação foi feita de forma “bastante interessante”.

“Sim, de certa forma e não. Todos sabemos que a cultura e a arte não é tão valorizada nem gratificada em Portugal como é noutros países que vivem muito mais destas áreas, no entanto a divulgação da arte, principalmente nesta época de pandemia foi feita de uma forma bastante interessante, tendo havido muitos museus que abriram as suas exposições online de forma a proporcionarem a contínua ligação com a arte, mas acreditamos também que essa divulgação só existe para quem a procura. Sabemos que em localidades menos populosas como Sebolido, não existe essa valorização cultural da arte, e por isso foi bastante importante trazer também isto para cá, e foi bastante gratificante ver como o Museu do Engenho de Sebolido recebeu o projeto de braços abertos”, atalhou, confirmando ser a favor de mais apoios para o setor.

“Sim, como é obvio, todos os envolventes deste projeto pretendem ter um futuro nesta área, muitas vezes sabendo o quão difícil é, no nosso país, surgirem oportunidades para todos e oportunidades gratificantes na área. Esse apoio é algo essencial para que a cultura e a arte sobrevivam de forma assente em Portugal.

Referindo-se ao Museu do Engenho de Sebolido, Inês Lopes recordou que o objetivo desta mostra e do grupo foi também o de divulgar o Museu enquanto espaço, assim como o Museu enquanto representante de Sebolido.

“Nós queríamos muito divulgar o Museu enquanto espaço, assim como o Museu enquanto representante de Sebolido. O nosso objetivo era destacar o Museu com a nossa geração e trazer atenção àquilo que representa. Infelizmente este é apenas conhecido localmente, e temos o intuito de expandirmos a sua imagem de forma a trazermos a divulgação que o Museu merece”, recordou.

A jovem de Sebolido defendeu ,ainda, ser fundamental as autarquias apostarem mais nos projetos que lhes são propostos pelos jovens, assumindo que a entrega, a dedicação e determinação com que se abordam os projetos acabam, igualmente, por ter um peso determinando na afirmação dos mesmos.

“Uma maior aposta por parte dos concelhos nos projetos que lhes são propostos pelos jovens, e principalmente divulgar que essas instituições estão disponíveis a trabalhar em conjunto para concretizar essas ideias. A realização desta exposição é a prova de que os Jovens são a força da nossa sociedade, que com trabalho dedicação e principalmente fé nas nossas ideias conseguimos alcançar todos os projetos que desejamos fazer. Somos os três estudantes ainda, e o facto de já estarmos envolvidos num projeto destes, iniciado voluntariamente por nós, só demonstra o quão importante é esse trabalho. Esperamos incentivar mais jovens a seguirem aquilo que querem e a participarem em projetos como estes”, assumiu.

Esta mostra vai estar patente ao público por dois dias, 15 e 16 de agosto, das 15h00 às 16hoo.