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Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo pondera avançar com queixas-crime contra Ministro do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente

Fotografia: Nuno Serra

O presidente da Junta de Freguesia de Lordelo, Nuno, Serra, mostrou-se cético quanto à  explicação dada na quinta-feira, pelo vice-presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira, no decorrer da Assembleia Municipal Extraordinária, de que a última fase da Etar de Arreigada estará a funcionar no final de agosto.

O autarca de Lordelo usou mesmo a expressão “habilidade” numa alusão à argumentação que tem sido usado por parte da Câmara de Paços de Ferreira para resolver este problema e avançou que junta de freguesia está a ponderar seriamente em avançar com queixas-crime contra o Ministro do Ambiente e a Agência Portuguesa do Ambiente.

Nuno Serra confirmou que já contactou os advogados nesse sentido, realçando que o que está aqui em causa é a negação da justiça, isto é, do Ministro do Ambiente não punir os prevaricadores.

Neste processo, o autarca de Lordelo estranhou que até agora a explicação para o não funcionamento era que a Etar só funcionaria com a vinda de técnicos austríacos para colocarem as membranas a funcionar, caso contrário perder-se ia a garantia do equipamento, mas agora já é possível fazer os testes às membranas remotamente.

“Alguém andou a enganar a população de Lordelo. Até agora só era possível colocar o equipamento a funcionar com a presença dos técnicos austríacos, mas afinal ficamos a  saber que vão fazer os testes às membranas remotamente”, disse.

Refira-se que também o deputado António Cunha, eleito pelo circulo eleitoral do Porto, tem efetuado várias interpelações ao ministro do Ambiente, desde o início deste processo, no sentido de minimizar o problema e alertar para o grave situação ambiental que está a afetar as populações banhadas pelo rio Ferreira e está a destruir, igualmente, o seu ecossistema.

Fotografia: António Cunha

“A Etar de Arreigada, que devia tratar as águas residuais oriundas de Paços de Ferreira, sete meses depois da promessa feita pelo Ministro do Ambiente e da Ação Climática em sede de audição parlamentar na 11.ª Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território de que no início de fevereiro estaria pronta, continua a lançar para o Rio Ferreira descargas altamente poluentes apenas com o tratamento primário de resíduos. Estas descargas sistemáticas e contínuas transformaram o Rio Ferreira num esgoto a céu aberto, dizimou-lhe a fauna e a flora e tornaram a vida dos habitantes da cidade de Lordelo num autêntico inferno tal é o cheiro nauseabundo que vem do rio, tal é a quantidade de insetos que propagam doenças que levam a população a procurar tratamento hospitalar. Ontem, estive em trabalho político em Lordelo e juntamente com o presidente da Junta de Freguesia de Lordelo, Nuno Serra, visitamos a ETAR de Arreigada”, disse numa nota que escreveu na sua página do facebook, recordando que etar deveria estar pronta e a trabalhar em pleno a partir de finais de novembro de 2019.

“Em quatro audições regimentais da 11.ª Comissão, o Ministro do Ambiente enganou os deputados e os lordelenses com promessas vãs. Aliás, garantiu em julho que a ETAR só funcionaria com a vinda de técnicos austríacos para colocarem as membranas a funcionar, caso contrário perder-se ia a garantia do equipamento. No entanto, fiquei a saber que, afinal já não há necessidade de deslocação dos técnicos ao nosso país porque, pasme-se, vão fazer os testes às famosas membranas remotamente. Ou seja, o Sr. Ministro enganou os deputados em sede de audição parlamentar, ludibriou os lordelenses e o seu Presidente de Junta e continuou pactuar com um crime ambiental hediondo”, referiu o deputado penafidelense na mesma nota, deixando ainda algumas perguntas: “Porquê só agora é que se pensou nesta solução e não em março quando se iniciou o confinamento? Como é que um ministro que se diz zeloso do meio ambiente permite uma situação destas e deixa que se percam sete meses e não tenha antecipado a solução agora encontrada? Porquê?”