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“E o que é, então celebrar o Dia dos Avós?” – Opinião de Dr. Carla Moreira

26 de julho – Dia  Nacional dos avós!

Ontem, dia 26 de julho, celebrou-se o Dia dos Avós!

 Não poderia deixar de assinalar este dia tão especial dedicado aos avós, ou não estivesse o mesmo associado às ações desenvolvidas por uma cidadã e avó penafidelense para o oficializar! Ana Elisa do Couto (1926-2007), ou Dona Aninhas, como era carinhosamente conhecida. Este dia, foi oficialmente instituído em 2003, através de uma Resolução da Assembleia da República (50/2003), em DR nº129/2003, Serie I-A de 2003-06-04 – Dia Nacional dos Avós – e traduz o colmatar de uma convicção e luta encetada muitos anos antes, ainda na década de oitenta pela D. Ana Elisa. O seu legado à cidade e ao país é imenso; em 2011 foi homenageada com a inauguração de um monumento no Parque da Cidade de Penafiel como reconhecimento de todo o trabalho desenvolvido em prol da oficialização do Dia Nacional dos Avós! A cidade de Penafiel está assim, pela sua impulsionadora, associada à celebração do Dia dos Avos!

Mas porquê o dia 26 de julho? Esta escolha tem raízes e tradições católicas e referências aos festejos do dia de Santa Ana e São Joaquim, que segundo estas tradições seriam avós de Jesus, pais de Maria (ainda que nos evangelhos oficias esta relação familiar não seja reconhecida). Por este motivo, para alguns fiéis e crentes da religião cristã, São Joaquim e Santa Ana são os padroeiros dos avós! A data de celebração, no entanto, não é consensual nos vários países onde este dia é assinalado; Portugal, Espanha e Brasil são alguns dos países que celebram este dia a 26 de julho.

E o que é, então celebrar o Dia dos Avós?

É agradecer à vida a possibilidade de caminharem connosco, com os nossos filhos, de os cuidarem e terem sempre tempo com tempo a sabor e cheiros!

É celebrar o colo, o abraço apertado, o aconchego, a voz doce e meiga (mesmo a ralhar), a experiência, a sabedoria, os afetos, é perpetuar a vida nas gerações seguintes! É construir um legado, é cuidar com tempo, é ter sempre tempo; é deixarem os netos escolherem a ementa, o prato preferido! É jogar à bola, é costurar os vestidos para as bonecas, é contar histórias de outros tempos e lugares quando também eles eram pequeninos (que aos olhos dos netos parece nunca terem sido pequeninos, porque tem um estatuto de sábios, de crescidos), é ter sempre uma mesa posta, e algum mimo especial para lá colocar! São os almoços intermináveis ao fim de semana, é o melhor arroz de feijão do mundo ou o melhor assado!! É ensinar as primeiras orações. É ensinar valores com histórias, é saber muito da vida e sobre a vida; é a experiência de quem já viveu muito; ficar com a lágrima nos olhos enquanto os netos crescem de dia para dia (e de repente já estão maiores que o avó e avó)! 

É criar memórias doces, que rasgam sorrisos quando já crescidos os lembramos… é dar “sermões serenos”, como diz o meu filho mais velho do avó Carlos. É “ ralhar a sorrir”, como faz a avó Ana, quando ele lhe derruba os vasos das flores do pátio a jogar a bola em grandes campeonatos!

Foi ficar em casa nesta longa quarentena, foi aprender a fazer videochamadas, a dar beijinhos e afagos no telemóvel, foi serem os elementos mais vulneráveis nesta pandemia, foi, afinal ficarem longe dos netos, por todos estes meses! Este ano mais do que nunca, avós e netos merecem estar juntos e reunidos a celebrar a vida e a criar memórias! A todos um Dia especial e feliz, e em particular aos avós dos meus filhos!! Este texto é para Vós!