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Filhos de Vitorino Fernandes realçam força, alegria e vontade de viver do pai

Armandina e Alexandrino Fernandes filhos de Vitorino Fernandes, o idoso com mais idade no concelho de Penafiel, no dia dedicado aos avós, não esconderam o entusiasmo e a alegria de continuarem a partilhar a alegria contagiante do seu progenitor.

Ao Novum Canal, Armandina Fernandes referiu-se ao pai como um exemplo de perseverança, vitalidade, energia e boa disposição, sendo uma pessoa compreensiva e uma fonte de inspiração constante.

“É um orgulho imenso ter um pai assim. Como filha admiro-o pela sua força e vitalidade. Foi uma pessoa que passou por várias dificuldades, trabalhou imenso ao longo da sua vida, mas mantém esta ligação aos outros e a vontade de continuar a viver”, expressou, admitindo que  o facto de ter sido uma pessoa que andou muitos anos de bicicleta fez com que tivesse preservado a saúde e a contribuiu para a frescura mental e até física que ainda preserva, apesar das dificuldades que já sente em andar.

“Além de andar bastante de bicicleta, acredito que a alimentação naquele tempo seria mais saudável do que é atualmente. Não sabemos se o segredo deste longevidade terá também alguma explicação genética. O pai dele foi muito cedo para o Brasil, o meu pai ainda não tinha nascido, nasceu dois meses depois, acabou por ficar por lá e não sabemos se faleceu cedo ou tarde. A mãe do meu pai faleceu com 90 anos pelo que pode ser mesmo uma questão de genética”, afirmou.

Armandina Fernandes confirmou que é com regozijo que ela e toda a família gostavam de ver o pai chegar aos 110 anos.

“A meta dele inicialmente era passar a barreira dos 100 anos, depois passou para os 105, mas agora já tem um novo desafio que é chegar aos 110, o que seria algo admirável e que todos desejamos que aconteça”, concretizou, admitindo que o pai é uma pessoa saudável e que nunca teve grandes problemas de saúde.

“Teve a fratura do fémur, mas recuperou logo e apesar das dificuldades, anda, faz o seu dia-a-dia e vai até ao exterior da casa dar os seus passeios”, avançou, sublinhando, no entanto, que o pai depois que partiu a perna, desequilibra-se mais e precisa de mais acompanhamento.

“Optei, então, por estar com ele e dar-lhe algum apoio”, assegurou, sustentando que desde os 80 até aos 103 anos, o pai esteve sozinho na sequência da morte da mulher.

Questionada sobre a Covid-19 e como o progenitor encarou esta pandemia que continua a fazer-se sentir, Armandina Fernandes confirmou que o pai sempre manteve-se informado, fazia questão de acompanhar as notícias e cumprir com as recomendações.

“Infelizmente já passou por outras situações graves. Viu o irmão falecer devido à pneumónica que matou milhares de pessoas, pelo que, agora, ficou com algum receio do que lhe pudesse acontecer. Ele associou, de alguma forma, a gripe pneumónica à pandemia que estamos a viver”, asseverou.

“Agora, é evidente que esta fase custou-lhe mais porque, às vezes, ia dar umas voltas com ele e tudo isso ficou suspenso”, confessou, confirmando que o pai impôs-se a ele próprio várias restrições e passou a evitar os contactos que às vezes tinha com outras pessoas para evitar contrair a doença.

“Os meus irmãos deixariam de vir cá, nesta fase, também para preservar a saúde do pai e evitar potenciais contágios”, recordou, lamentando, por outro lado, que este ano, devido à crise sanitária que continua a fazer-se sentir,  a Câmara de Penafiel não possa realizar a homenagem aos idosos do concelho e da região que todos os anos fazia.

“Ele adorava esse momento. Para ele era um dia diferente. Era também uma oportunidade de juntar a família estar com outros idosos. Tem pena, mas compreende que este ano não seja possível celebrar o Dia dos Avós”, anuiu.

Também Alexandrino Fernandes, o filho mais velho da prole, realçou ser com regozijo que tem acompanhado esta caminhada e o trajeto do pai, salientando que o pai apesar das debilidades, que são normais nesta idade, ainda se mantém autónomo e está mentalmente bem.

Alexandrino Fernandes relembrou que o pai sempre foi uma pessoa admirada na freguesia, era um exímio alfaiate, com uma vasta clientela, tendo inclusive trabalhado com ele.

“Recordo-me que a altura do Natal e da Páscoa passava noites inteiras a trabalhar, tal era a avalanche de trabalho que tinha. Trabalhei com ele até ir para a tropa”, esclareceu,  recordando que também os irmãos chegaram a aprender o ofício de alfaiate com o pai.

Alexandrino Fernandes admitiu que com o confinamento o pai passou a adotar  ele próprio outro tipo de comportamento, tendo a família passado a evitar os contactos que habitualmente estabelecia com ele.

“Nesta fase, sentimos todos, mas foi para o bem comum”, adiantou,  confirmando que assim que a pandemia abrandar ou der sinais de passar a família voltará a estar junta.