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Avô mais antigo de Penafiel confessa querer chegar aos 110 anos, mas pede para viver um ano de cada vez

Vitorino Fernandes, residente em Casais, freguesia de São Martinho de Recezinhos, no concelho de Penafiel, o idoso mais antigo de Penafiel, com 107 anos, que tem sido, nos últimos anos, alvo de várias homenagens por parte da autarquia penafidelense, mantém-se alegre, bem-disposto e com uma lucidez de fazer inveja a qualquer um.

Na véspera do dia dedicado aos avós, Vitorino Fernandes partilhou com o Novum Canal, que esteve na sua residência na companhia da sua filha, Armandina Fernandes, breves instantes da sua vida, histórias e memórias de uma pessoa que mantém a frescura física e mental e uma vontade indómita de viver.

No lugar onde reside, em Casais Novos, é conhecido pela alegria contagiante e pela boa disposição que o caracterizam. Quando não está dentro de casa, passa grande parte do tempo, próximo da sua habitação,  sendo frequente dar uns passeios nas imediações da sua moradia.

Apesar das dificuldades evidentes em se mobilizar, na sequência de ter fraturado o fémur,  Vitorino Fernandes preserva a frescura física e mental, é uma pessoa informada, compreensivo, sendo uma figura sobejamente conhecida na freguesia e no concelho.

Vitorino Fernandes, pai de quatro filhos, seis netos, seis bisnetos e um tataraneto, é também conhecido por ser uma pessoa de trato fácil e costuma dizer que quer continuar a viver até aos 110 anos de idade. Para já pede para viver um ano de cada vez.  

Questionado sobre o segredo da sua longevidade, Vitorino Fernandes não hesitou: “Tenho a idade que tenho. Só peço para viver um ano de cada vez. Desde que fraturei a perna que tenho mais dificuldades  em andar, tenho que ter a ajuda do andarilho ou da minha filha”, explicou, recordando que com a Covid-19 passou a confinar-se mais ao espaço da sua habitação e a redobrar os cuidados, evitar os contactos e as saídas ao exterior da casa.

“Todo o cuidado é pouco. Agora passo mais tempo em casa. Os contactos com a família são menos frequentes”, disse, salientando ter tido um irmão que faleceu com nove anos com a  pneumónica, também conhecida por gripe espanhola que matou milhares de pessoas em 1918-19.

“Na fase de confinamento, também estive de quarentena, estive quatro semanas em casa. Não podia sair. O que mais me custou foi não poder estar com a minha família”, avançou, manifestando estar ansioso de voltar a reunir a família quando a pandemia passar.

Na freguesia de São Martinho de Recezinhos, Vitorino Fernandes é, igualmente, conhecido por ter sido um alfaiate exímio na arte da alfaiataria. Era muito novo quando fez a primeira peça para o Rei dos Capotes, uma casa situada em Paredes, uma referência, à altura, na arte da alfaiataria.

“Era muito novo quando fiz a primeira peça para o Rei dos Capotes, em Paredes. Fui para Penafiel aprender a profissão, em frente ao antigo cineteatro São Martinho, na avenida Sacadura Cabral. Fui para Penafiel como aprendiz e pagava para aprender. Depois fui para empregado para Paredes, para o tal Rei dos Capotes, e mais tarde estabeleci-me por minha conta”, referiu, sustentando que não tinha mãos a medir nem lhe faltavam clientes.

“Fazia um pouco de tudo. Capotes, sobretudos, calças, casacos e outras peças. Tinha clientes de todo o lado. Tinha clientes do Porto que ficavam admirados com o meu trabalho e a minha perícia. Tinha clientes do concelho de Penafiel e de fora do concelho”, declarou.

Além da alfaiataria, Vitorino Fernandes confessou ter, também, uma paixão por andar de bicicleta.

“Eu e dois empregados tínhamos namoradas em vários sítios e usávamos a bicicleta. Naquele tempo a bicicleta era o meio de transporte mais usado. Quase ninguém andava de carro”, afirmou, salientando que depois da esposa ter falecido, com 65 anos, viveu sozinho durante 23 anos, e agora tem a companhia da filha.

Refira-se que este ano devido à crise sanitária que tem afetado a região e o país e ao contrário do que tem sido prática habitual em anos anteriores, a autarquia elaborou um programa especial para assinalar a data, recriando de forma simbólica este momento ímpar que é comemorado todos os anos no concelho.

A partir das 12h30, deste domingo, o município vai promover a transmissão de uma reportagem especial “Dia dos Avós – Penafiel” no facebook e youtube da câmara municipal.

A reportagem poderá ser visionada às 12h00 através da LocalVisão TV, nos canais: 199 na NOS, 163 na MEO, 180 na Vodafone e 17 na NOWO (Cabovisão).

Recorde-se que a autarquia penafidelense tem celebrado esta efeméride, realizando uma concentração de avós do concelho e da região no Parque da Cidade, um evento único no país que junta idosos de toda a região e em que a animação e as atividades são inúmeras.

O corte do bolo, que representa o avô/avó mais velho (a) de Penafiel é também o momento alto deste evento, que nos últimos anos tem sido dedicado a Vitorino Fernandes.

No decorrer da cerimónia é feita, também, uma homenagem a Ana Elisa de Couto, natural de Penafiel, que foi a mentora do dia dos avós em Portugal.

Segundo a autarquia, a penafidelense dedicou vários anos da sua vida para implementar um dia de todos os avós, “homenageando-os enquanto transmissores de cultura, história e sabedoria e enfatizando o vínculo que representam entre as antigas e novas gerações”.

O Dia Nacional dos Avós foi instituído pela Assembleia da República, em Junho de 2003, após inúmeros contactos de Ana Elisa de Couto, já falecida, que reclamava desde 1986 a oficialização desta data.