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Irmãos de Paredes brilham em Chaves e assumem querer continuar a prestigiar modalidade

Os irmãos Tomás e Leonor Bessa conquistaram recentemente o título de campeões nacionais de golfe, prova que decorreu em Vidago, Chaves. Após a conquista, o Novum Canal falou com os dois atletas, ambos a residir em Faro, mas com raízes a Paredes, tidos já como uma promessa no golfe nacional ombreando com os melhores da atualidade.

Tomás Bessa não escondeu o regozijo de ter conquistado o seu primeiro campeonato, embora já tenha obtido vários títulos.

“Apesar da incertezas provocadas pela Covid-19 e pela paragem prolongada da modalidade, preparei-me para esta prova, treinei bastante  e assim que a competição iniciou senti-me confiante. O jogo começou a fluir bem e percebi que tinha hipóteses de vencer. No primeiro dia terminei em terceiro, no segundo dia recuperei bastante e terminei empatado no primeiro lugar. No terceiro dia tive um duelo com o Ricardo Santos que é um dos melhores atletas da atualidade e uma referência no golfe nacional. Este duelo foi marcado pela entrega de ambos e foi discutido, como se costuma dizer, até ao último buraco”, disse, admitindo que a crise sanitária e as medidas subsequentes que foram implementadas acabou por ter consequências no cronograma das provas, na alteração  das rotinas e posteriormente da adaptação e recuperação quando foi permitido aos atletas regressarem aos treinos e aos campos.

O atleta reconheceu que a conquista deste campeonato e de outros títulos têm-lhe permitido granjear experiência, crescer com os melhores da modalidade.

“Sinto que estou a evoluir, tenho feito melhores resultados quer a nível nacional quer a nível internacional, e isso obviamente dá-me confiança e estimula-me para continuar a fazer mais e melhor”, expressou, sustentando que já no dia 10 de agosto vai marcar presença numa prova internacional, na Áustria, num circuito com vários atletas internacionais também com renome nesta modalidade.

“Obviamente que quero vencer, não conheço o campo, mas já ficaria satisfeito se conseguisse entrar no top 5.”, disse, sustentando que esta é a segunda vez que participa nesta prova.

Questionado sobre o trabalho que tem sido realizado pelo Paredes Golfe Clube no sentido de promover a modalidade, Tomás Bessa enalteceu o trabalho da instituição, aliás, onde jogou uma parte da sua carreira, assumindo que o Paredes Golfe Clube tem feito um trabalho assinalável na promoção da modalidade, dispondo de excelentes condições físicas e logísticas para a prática da mesma, sendo hoje uma referência na região.

O atleta paredense relevou, também, o trabalho que o Paredes Golfe Clube tem feito na área da formação, estabelecendo pontes com instituições de ensino no sentido de promover a prática do golfe e fazer deste desporto uma modalidade mais democratizada.

Ainda sobre o trabalho do Paredes Golfe Clube, o jovem atleta confirmou que o clube tem realizado um trabalho notável no sentido de esbater o preconceito de que o golfe é um desporto elitista e inacessível.

Quanto ao futuro da modalidade e das claras diferenças que existem ainda entre, por exemplo, o nosso país, os Estados Unidos, Espanha ou mesmo Grã-Bretanha, onde a modalidade é encarada de outra forma e está noutro patamar, Tomás Bessa reconheceu que tanto a Federação Portuguesa de Golfe, assim como muitos clubes da região e do distrito têm feito um esforço no sentido de dignificar a modalidade, dar-lhe notoriedade e mais visibilidade ao nível não apenas da formação, mas também no apoio aos atletas profissionais.

Nesta área, Tomás Bessa concordou que a nossa realidade ainda está muito distante da de Espanha, que tem apenas e tão só o número um do golfe mundial. Tomás Bessa esclareceu que só na capital espanhola, Madrid, serão cerca de 100 mil os associados.

“Isto não é nenhum critica à Federação Portuguesa de Golfe. A Federação faz o que pode, com as condições de que dispõe. Sempre fui apoiado pela Federação, mas há países em que esse apoio é mais ativo”, concordou, sublinhando que, também, ao nível  mediático a realidade em países como os Estados unidos ou a Grã-Bretanha difere completamente da nossa.

Confrontado se existem condições em Portugal para praticar a modalidade como profissional, Tomás Bessa avançou que o seu objetivo passa por continuar ligado ao golfe, singrar na modalidade e fazer desta a sua atividade principal.

“Se não  me for possível fazê-lo como atleta,  vou tentar fazê-lo estando ligado na mesma ao golfe, mas no ensino ou numa outra área de gestão que tenha como denominador a modalidade”, afirmou.

Tomás Bessa, tem 23 anos, é licenciado em Ciências do Desporto,  e  tal como a irmã, Leonor Bessa começaram a jogar golfe em criança, por influência dos pais, António Manuel Bessa, presidente do Paredes Golfe Clube, e Laura Guimarães.

O atleta iniciou a prática do golfe no Amarante Golfe Clube, jogou no Paredes Golfe Clube, no Miramar e tornou-se atleta profissional no final de 2017, estando presentemente ligado à Associação de Profissionais de Portugal.

Leonor Bessa manifestou, igualmente, estar satisfeita e orgulhosa pelo título conseguido em Vidago.

A atleta que já foi campeã nacional como amador por sete vezes,  nas camadas jovens e absoluto, reconheceu que ser  profissional implica uma entrega, uma predisposição e motivações diferentes.

Referindo-se ao Campeonato Nacional de Golfe, Leonor Bessa declarou que apesar de todas as contrariedades resultantes da Covid-19,  das limitações e das regras que forem impostas e das incertezas quanto à realização das provas, aproveitou estes meses para  ganhar ritmo e forma.

“Mesmo na fase de confinamento aproveitei para me preparar e senti nesta prova que estava bem física e mentalmente e ao longo do jogo senti-me calma e com o sentimento de que tinha condições para vencer, o que veio a suceder. Estive na liderança e senti que fiz um jogo consistente e estável”, assegurou, confessando que terminou com uma vantagem de sete pancadas para a sua adversária mais direta.

A atleta admitiu que ter conquistado o campeonato nacional além de ter sido algo fundamental para a sua carreira, um marco, confirmou, vai permitir-lhe granjear mais notoriedade  e visibilidade e quem sabe a oportunidade para poder vir a ter eventuais patrocínios.

Sobre as próximas competições, Leonor Bessa avançou que vão participar já a partir de setembro no circuito Santander, prova internacional em Espanha, com vários atletas internacionais que dá acesso à 1.º e 2.º divisão europeia.

“As minhas expectativas são altas. Sabendo que agosto será um mês sem competições vou ter de fazer ajustes técnicos e físicos para me preparar da melhor forma”. Confessou.

A atleta, a residir em Faro, tal como o irmão Tomás, mas com raízes em Paredes, alinhou, também, pela importância do Paredes Golfe Clube na promoção do golfe no concelho e na região.

“O Paredes Golfe Clube é um clube dinâmico, criativo que tem  sido determinante na promoção do golfe junto dos mais novos e não só, sendo presentemente um espaço procurado por muitos praticantes”, asseverou, defendendo que o clube conseguiu desmistificar a ideia de que o golfe é um clube elitista e terminar com o preconceito de que o golfe é inacessível à maioria das pessoas.

“O Paredes Golfe Clube é um exemplo de uma instituição que com poucos recursos tem conseguido contribuir para a disseminação da modalidade e a sua crescente notoriedade”, atalhou, afiançando que o futuro do golfe passa pela aposta na formação e na democratização da modalidade de forma a que seja possível selecionar atletas que venham a singrar nesta área.

Leonor Bessa garantiu, por outro lado, que a maior cobertura dos media tem contribuído para dar mais visibilidade ao golfe.

“Há cinco anos era muito raro ver uma câmara num campo de golfe. Hoje felizmente isso já não é assim”, salientou.

Leonor Bessa começou a jogar golfe aos sete anos, sagrou-se campeã nacional dos 14 aos 18 anos. No escalão absoluto foi duas vezes campeã, e duas  vezes campeã como profissional, tendo-se tornado profissional em novembro de 2018.

A atleta está a tirar a licenciatura em jornalismo.

Tanto Leonor como o irmão têm uma relação muito próxima com o Paredes Golfe Clube. Leonor sagrou-se campeã nacional de Pitch&Putt, em 2016, a jogar no Campo do Aqueduto e com as cores do PGC, enquanto que Tomás integrou a equipa que venceu o Campeonato do Norte, na mesma modalidade.

O facto de terem começado a jogar Golfe no Desporto Escolar também simboliza bem a proximidade do Paredes Golfe Clube à prática desportiva na Escola Pública.