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Paixão pelo heavy metal une banda de Paredes

Chamam-se “Glaucoma” e são uma banda de Heavy Metal de Paredes.

A paixão e a emoção pelo metal corre no sangue deste grupo, também, conhecido pelos “os rapazes de Baltar”, uma referência no concelho para muitos seguidores e uma presença assídua em vários festivais do género.   

Ao Novum Canal, Marco Pedrosa, vocalista e baixista da banda, referiu que o grupo surgiu em 1993, portanto há 27 anos, da vontade de associar a paixão pela música e a oportunidade de desenvolver um projeto conjunto entre amigos.

Do vasto reportório da banda fazem parte temas como “Only the four”, “Light Darkness”, “Bleeding Shame” e “Eternal Release”, todos do trabalho de 1998 “Under my Eyes”.

Marco Pedrosa destacou que o grupo tem editada uma Demo Tape (o equivalente a um CD promocional na altura), e o atual trabalho “Remembrance”, ambos com edição própria, assumindo o desejo de produzir um cd.

Falando da visibilidade dos Glaucoma no concelho e na região, o vocalista assumiu que a banda, de alguma forma contribuiu para promover o município.

De certa forma, os Glaucoma promoveram o concelho e a região. Fazemos sempre questão de nos apresentarmos como “os rapazes de Baltar”, tal é o nosso orgulho na terra onde nascemos. A banda teve um papel importante na união dos jovens nossos conterrâneos. Tivemos a sorte e a honra de ter o apoio de todos”, referiu, salientando que a banda é presença assídua em vários concertos.

Felizmente, participamos em muitos concertos. Um dos últimos foi no festival Indie Music Fest de 2018.”; expressou, sustentando, por outro lado, que a atual situação que o país e a região atravessam, a crise sanitária da Covid-19, fez com que o grupo tivesse que cancelar os concertos que estavam agendados até ao final do ano.

Dado o estado pandémico atual, todas as previsões de espetáculos ao vivo foram goradas”, avançou, sublinhando que crise sanitária acabou também por afetar a área musical.

Questionado sobre a expressão que este género musical tem na região, Marco Pedrosa reconheceu que o heavy metal continua a ter muitos seguidores no território, também em parte devido ao facto de em Penafiel, em tempos, ter existido um festival de metal, o “UltraBrutal-Open Air”, uma espécie de marca e evento que continua presente na memória de muitos dos seguidores.

Houve, especialmente na década de noventa, uma enorme ligação ao Metal na região, muito graças ao saudoso “UltraBrutal-Open Air”, em Penafiel, um festival que trouxe nomes de grande expressão internacional. Isso teve repercussões, até hoje, na forma muito positiva como se encara o Metal por aqui”, afiançou, confirmando que o heavy metal continua a ser um género cultivado na região, embora já mão existam tantas bandas de heavy metal como na década de 90.

Mas ainda há algumas”, recordou.

Fotografia: Glaucoma

“Há algum tempo, fui ver um concerto dos Iron Maiden a Lisboa, e deparei-me com 3 gerações em perfeita harmonia (avós, pais e filhos).”

O baixista dos Glaucoma admitiu, por outro lado, que é difícil definir os apreciadores deste género musical.

Não consigo. Ao contrário de alguns pré conceitos, não há um apreciador tipificado de Metal. Há efetivamente alguns que são mais ligados, que vivem o “culto do metal”, e que se designam comummente de metaleiros: aqueles que se vestem de preto, com calça justa, cabelo comprido e brincos. Mas esses são apenas os mais fáceis de identificar.  Há algum tempo, fui ver um concerto dos Iron Maiden a Lisboa, e deparei-me com 3 gerações em perfeita harmonia (avós, pais e filhos). Não havia uma faixa etária nitidamente maioritária. Vias lá gente dos 6 aos 70 anos a deliciar-se com a distorção daquelas guitarras, a “abanar o capacete” ao ritmo da bateria e do baixo, e a delirar com a voz estridente do vocalista, sempre com um sorriso na boca. Por isto e por mais, atrevo-me a dizer que um apreciador de Metal é alguém que está um pouco mais “de bem” com a vida do que um não apreciador. É alguém mais livre e, indiscutivelmente, mais genuíno”, atalhou, sustentando que o “Metal é um estilo musical que liberta: se por um lado ouvir a 5º sinfonia de Beethoven te relaxa ao fim de um dia de trabalho, também ouvir a Mourning Palace dos Dimmu Borgir o faz. Depende de como te apetecer, nesse dia, libertar o stress e o cansaço: sentar e fechar os olhos, ou abanar os ossos todos até não poderes mais. Ambas são válidas e revigorantes”.

Confrontado se existe mercado profissional para as bandas que cultivam este género musical, Marco Pedrosa não vacilou: “Não. Não existe “mercado” para o Metal em Portugal. Salvo pouquíssimas exceções, não há bandas de Metal profissionais cá. Ninguém consegue viver deste estilo de música no nosso país. Os Moonspell, que são provavelmente o nome mais sonante do Metal Português, safam-se porque se internacionalizaram”, garantiu, reiterando que só possível construir um projeto sólido de heavy metal na região como um trabalho secundário.

Fotografia: Glaucoma

É possível, mas sempre como um trabalho secundário. Podes ter um projeto muito sólido em termos de qualidade musical e em termos artísticos, mas não em termos profissionais”, reafirmou, confirmando que vê a musica como uma espécie de terapia.

A música, para mim, não é trabalho, é terapia. Entre a correção de uns testes e a leitura de um novo artigo científico, a guitarra tem um papel de “momento de descontração”. Os ensaios com a banda toda são jóias raras, assim como os concertos, portanto, vai dando para conciliar perfeitamente. Uma coisa, no entanto, é certa: sou melhor professor porque sou músico e sou melhor músico porque sou professor”, explicou.