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“O Novum Canal é da região e vai ser sempre da região”, Paulo Lopes

Paulo Lopes, cidadão e pessoa interessada pelos media e pela dinâmica comunicacional na região. Nesta que é sua primeira entrevista a um órgão de informação, Paulo Lopes falou dos media, da dificuldade em fazer-se jornalismo de qualidade e do trabalho que tem sido realizado na área da comunicação. Paulo Lopes abordou, também, temas como o racismo, a violência doméstica e a regionalização.

Novum Canal:  Na tua opinião, a que é que se deve o crescimento do Novum Canal?

Paulo Lopes: «O Novum Canal é da região e vai ser sempre da região. Acredito que pessoas o sul, de Lisboa e de todo o país, que são do norte, mas estão migradas, sigam os nossos programas, acompanhem as nossas emissões porque é uma forma de se inteirarem do que se passa no território. Acompanham a região, através do Novum Canal e esse sempre foi o objetivo do projeto. O Novum Canal é um projeto do Vale do Sousa, Tâmega e Douro e não queremos extravasar esta área geográfica. Vamos entrar em Vizela e muito possivelmente iremos alargar a área de influência do projeto a Guimarães, era um objetivo que já perseguia há algum tempo, mas não queremos entrar em Braga, também, porque queremos respeitar os outros projetos e as outras tv online que já existem. Por outro lado, os recursos não abundam e não queremos dar um passo maior que a perna.  O nosso foco e a nossa prioridade passa por aumentar a qualidade das propostas, da informação que trabalhamos e que já é seguida por milhares de pessoas e também o entretenimento. Claramente que este é um projeto da região e para a região. O local do projeto, a cidade de Paredes, próximo dos Bombeiros de Paredes, é estratégico. Estamos a 15 minutos do Porto, a 45 de Vila Real. Dispomos de excelentes redes de acesso e acabamos por estar relativamente perto dos concelhos que integram a nossa área de influência. Paredes é  uma cidade estratégica, é uma urbe que nos acolheu bem. A localização do projeto está, também, relacionada com o custo dos imóveis. Na altura ainda tentamos localizar o projeto em Penafiel, mas o preço elevado dos imóveis fez com que tivéssemos optado por nos sediar  em Paredes, estando também mais próximos dos escritórios da administração. Apesar de estarmos em Paredes, somos, como disse, um projeto da região.»

NC: Quando iniciaste este projeto pensavas que viesse a adquirir a visibilidade e notoriedade que tem atualmente?

PL: «Não vou mentir se disser que trabalhei, trabalhamos como equipa, para isso. O projeto fez um ano em maio, mas seguramente que há ainda aspetos a trabalhar, a melhorar, não está ainda como pretendo, mas e apesar desta história da pandemia da Covid-19 que afetou toda a sociedade, estamos a dar passos firmes e seguros e, hoje, temos muita gente a seguir os nossos programas, a ler as nossas notícias e a consultar as nossas plataformas.

É evidente, volto a frisar, que a questão da pandemia mexeu, também, com o projeto e algumas ideias que tinha idealizado executar na fase mais aguda da crise sanitária. Recordo-me perfeitamente que tinha agendado uma entrevista com o André Ventura que não consegui realizar. Lembro-me que nesta fase cheguei a questionar-me que o projeto, apesar da situação difícil, de todas as restrições impostas pelo Governo e pela autoridade nacional de saúde, não podia parar. Comecei a optar pelo online, usei o Skype como ferramenta privilegiada e comecei a convidar e a entrevistar figuras públicas dos mais variados quadrantes e áreas de intervenção que ajudaram a cimentar o projeto e conferindo-lhe a visibilidade que pretendia, numa fase difícil. Recordo-me que entrevistei o Paulo Portas, o Luís Marques Mendes, entrevistei os deputados todos,  o Francisco Louçã. Foram 500 pessoas que entrevistei, na altura, fora o Jornal Diário que continuou com a Fátima Moreira. Optei também por privilegiar o Mundo em português, os nossos emigrantes, porque efetivamente a televisão tem essa característica. Estamos numa região com milhares de emigrantes e que seguiam a par e passo as nossas emissões.

Foi aí que percebi que tínhamos potencial  para crescer como projeto e a Novum Canal começou a ganhar credibilidade e a ser visto por muita gente. Recordo-me que, nesta fase, muitos amigos me contactaram a oferecer individualidades que queriam ser entrevistadas ou passar pelo tv online. A dada altura, percebi que já não era o Novum Canal que ia ao encontro dos convidados, as pessoas vinham ter connosco porque efetivamente  se reviam no projeto e queriam através dele veicular o seu testemunho, partilhar projetos, propostas e ideias e assim chegar ao seu público-alvo.

Lembro-me perfeitamente que muitas vezes terminava o dia, estava em casa, mais cansado do que se estivesse em estúdio. Fazia 13 a 14 entrevistas por dia. Não é uma tarefa fácil e quem está na área sabe do que estou a falar porque temos de conhecer o entrevistado, estudar os tópicos, os temas e os assuntos.

Apesar de todas as dificuldades, trabalhei sempre, assim como a minha equipa, para ser um canal de televisão de referência na região

Fotografia: Paulo Lopes a apresentar o Jornal Diário

Estas pessoas que nos criticam têm de perceber  que não é assim que se faz jornalismo

NC: Consideras que de alguma forma o Novum Canal revolucionou ou mexeu na forma de fazer jornalismo na região?

PL: «Não sou a melhor pessoa para responder a isso. Sei que há colegas meus que se calhar pensavam que tinham o monopólio da comunicação na região e não nos veem com bons olhos. O que posso garantir e sinto-me à vontade para dizer isto é que somos um projeto que dá oportunidade a todos os agentes e atores da cena e da vida política. Tanto temos estima pelo poder como temas estima pela oposição. A comunicação social é um baluarte da própria democracia. A liberdade de expressão está consagrada na Constituição como sendo um elemento determinante dos regimes democráticos. Não é fácil numa região como esta do interior, que nem é litoral nem interior, abordar determinados temas. Por exemplo, é do conhecimento que há câmaras municipais na região que são os maiores empregadores nesses territórios e acontece que, muitas das vezes, são as próprias pessoas que não gostam que se fale de determinados temas e não tanto os políticos. Sou uma pessoa, quem me conhece sabe que é assim, que fala abertamente. Há pessoas que independentemente do partido de determinado presidente de câmara quando há eleições querem que ele continue porque receiam perder o seu trabalho. Nesta questão, o Novum Canal claramente que é um projeto que marca a diferença pelo que já referi. Somos um canal que completamente apartidário que dá a oportunidade a todos os intervenientes e atores políticos de expressarem e veicularem as suas opiniões e projetos políticos.

Existem excelentes projetos e até jornalistas que trabalham muito  bem os temas, mas há um ou outro que pensava que isto era deles. Conheço projetos que se o poder virar para o PSD vão atrás, se o poder virar para o PS, eles vão atrás. Há jornais que nós sabemos que não têm publicidade. Pergunto: Como é que eles vivem?

No Novum Canal é tudo transparente. As pessoas sabem quais são as marcas que nos apoiam e as empresas que nos suportam. São elas que nos dão sustento.

Estas pessoas que nos criticam têm de perceber  que não é assim que se faz jornalismo. Garanto e quero tornar isto público que se houvesse uma câmara municipal que quisesse fazer uma avença comigo, não aceitava. Porquê? Porque ficava numa situação delicada. Enquanto cliente não poderia falar mal dele.

O caminho que o Novum Canal está a fazer, como é óbvio, é muito mais difícil. Temos um departamento comercial e temos que batalhar todos os dias, reinventarmo-nos  para atingir os nossos objetivos. A informação do Novum Canal não se paga. Ninguém paga entrevistas, ninguém paga entrevistadores. Não aceito dinheiro nenhum. O que se paga no Novum Canal é publicidade, eventos, cobertura de eventos ou certos vídeos institucionais que não são para passar no canal. Essas são as fontes de receita que temos. As câmaras são nossos clientes como outro cliente qualquer. Tenho cinco ou seis câmaras que pedem a fatura, precisam de colocar  um banner no site, está lá tudo explicado, pagam e acabou.

Agora revolucionar a comunicação, acho que isso é muito forte e não iria tão longe. Tenho um estilo diferente,  posso ser mais fora da caixa, mas tenho respeito e admiração pelos meus convidados, pelos atores políticos da região. Tenho excelentes amigos de um lado e do outro. Quem me conhece sabe que não me aproveito das informações que eventualmente me possam facultar. Separo muito bem as águas.

Posso afirmar publicamente que tenho dois grandes amigos: um é o José Miguel Garcez que é o presidente do CDS-PP Paredes e o outro é o Paulo Silva, vereador da Câmara de Paredes, uma pessoa que admiro, sou fã do seu trabalho enquanto autarca. É um vereador que trabalha  muito. Também tenho uma estima pelo presidente da Câmara de Penafiel, Antonino de Sousa, o que também é público. Admiro essas personagens, não quer dizer que admiro os projetos políticos que representam.

Voltando aos dois amigos, obviamente que o CDS-PP Paredes tem de fazer o papel dele, nunca deixaram de confiar em mim porque sabem que não utilizo o que me possam eventualmente dizer para me servir disso.  Existe respeito. É possível ser amigo do engenheiro Nuno Araújo , do PS Penafiel,  a quem reconheço um bom trabalho. Já agora aproveito para esclarecer um equívoco, o PS Penafiel sempre me viu como uma pessoa e um jornalista que esteve contra o partido, o que é mentira. Na campanha de 2017, fui várias vezes acusado de dar palco ao atual presidente da Câmara de Penafiel, o que é mentira. Acho que as pessoas confundem é as coisas. Não tenho culpa do presidente da Câmara de Penafiel esteja constantemente presente em eventos da mais diversa índole e isso acontece porque efetivamente a autarquia penafidelense tem uma política forte em termos  daquilo que é a sua estratégia política, de apoio ao associativismo, têm uma política forte em termos de comunicação. O presidente da câmara municipal estando nos eventos, obviamente que não vamos deixar passar a oportunidade de entrevistar. Na campanha de 2017, se calhar, fiz mais trabalho na campanha para o PS que para a Coligação. Recordo-me que no último comício do André Ferreira entrei com ele no palco e disse que estava preparado para ser presidente da câmara. Fizemos o especial, na altura, da Fórum TV, fizemos o especial autárquicas e lembro-me perfeitamente que tomei o pequeno-almoço com ele e que o acompanhei às urnas nos diretos que realizamos. »

Acho que o PS Penafiel desde que o Nuno Araújo tomou conta é um PS diferente do que era antigamente e a minha relação ficou também muito mais próxima. Aliás, o Novum Canal tem como colaborador o Paulo Araújo Correia que faz parte da concelhia do PS Penafiel e é um excelente comentador do canal. O Paulo Araújo Correia percebeu que há duas ou três pessoas que perderam algumas coisas que, se calhar, tiveram alguma coisa no passado, mas não podem culpar os jornalistas que fazem o seu trabalho. Nunca deixei de fazer nada ao PS Penafiel.

Uma surpresa agradável que tive foi em Paredes. A política em Penafiel é muito nobre. Os políticos levam a política muito a sério. Faz-se política à sério em Penafiel, o que não quer dizer que em Paredes não se faça, mas acho que em Paredes há mais abertura. Tenho uma boa relação com o Ricardo Sousa, do PSD, do José Miguel, do CDS-PP; com o Cristiano Ribeiro, da CDU, que vai começar a fazer comentários uma vez por mês.

Paredes é um concelho com pessoas diferentes das de Penafiel. Não estou a dizer que são melhores ou piores, mas sinto-me mais livre em Paredes do que em Penafiel porque aqui as pessoas são muito ideológicas e têm uma tradição diferente.

Fico feliz por saber que Paredes tem esta dinâmica e que me aceitaram muito bem assim como ao projeto que represento.

Paços de Ferreira é igualmente um concelho que o Novum Canal faz, em Castelo de Paiva conheço todos os intervenientes políticos, mas acho que foi a escola de Penafiel que me fez uma pessoa melhor, mas daí dizer que o Novum Canal revolucionou a comunicação social acho que é algo exagerado.

NC: Mas admites que o projeto trouxe uma lufada de ar fresco? É atualmente visto por muita gente?

PL: «Claro. Sem dúvida. Mesmo na Assembleia da República, acontece que há deputados que aproveitaram as nossas notícias para as levar e discutir no plenário. Tenho consciência que há muitos deputados que seguem o nosso canal, estão atentos ao que aí é discutido e analisado. O poder central está muito atento ao Novum Canal. Na questão do ambiente, o tema da Serra da Boneca  foi o meu canal que despoletou essa notícia e recordo-me que demos voz ao Movimento Salvar o Rio Mau. Na sequência da nossa peça, o Bloco de Esquerda colocou várias questões ao Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. No caso do Rio Ferreira, a deputada Cecília Meireles aproveitou também uma peça feita pelo Novum Canal  para levar o tema ao ministério, o mesmo acontecendo ao PS.»

NC: Sentes que o projeto é hoje acarinhado pela comunidade e o público em geral?

PL: «Sim. Cerca de 95% gostam da programação e da informação que é veiculada nas mais variadas plataformas do canal. Os que não gostam tem a ver com questões políticas ou então com concorrência que não percebe que somos um canal, temos um foco, um objetivo e não queremos fazer concorrência a ninguém.  Esses que criticam não têm humildade para reconhecer que somos um canal que quer fazer o seu trabalho e tem metas perfeitamente delineadas. Aliás existe mais um canal, a Vale do Sousa TV, um canal de referência que o Telmo fez há uns anos, mas estamos a falar de um projeto muito diferente. Quero realçar o esforço do Telmo porque nessa altura não havia facebook e ele teve a coragem de fazer isso, mas não tem a ver com o nosso projeto. Sei que a linha dele é diferente da nossa. O Novum Canal quer ser um canal generalista, exatamente como um nacional, com uma grelha que estamos a conseguir e neste momento temos 22 programas no ar e com pessoas da região. Não tenho ninguém de fora da região e mesmo os comentadores são da região. O Luís Filipe Meneses é do Porto, é do Douro, mas é da região. A Sandra Sá que faz o entretenimento é da região, a Rita, a Fátima são da região. O Novum Canal é um projeto para a região com pessoas da região

NC: Há margem para o projeto crescer?

PL: «Há claramente margem para  projeto continuar a crescer não apenas ao nível dos conteúdos, mas também ao nível da grelha dos programas de entretenimento. Temos espaço e programas com todos os intervenientes políticos, um jornal diário que começa a ser referência na região, o Especial Informação e o entretenimento com a Sandra Sá, temos um programa dedicado à música que está a ser feito por uma estagiária, que é de Felgueiras. Temos o desporto com o Pedro Moreira que é de Penafiel, é o presidente da Casa do FC Porto de Penafiel que conhece muitos intervenientes, atores e agentes ligados ao desporto e vamos estrear um programa direcionado à modalidade de xadrez  que não existe e que ao contrário do que muitas pessoas possam colocar em causa é uma atividade com bastante praticantes e seguidores. Também a muito curto prazo iremos avançar com um programa tendo como tema os vinhos do Douro. O nosso objetivo é fazer um projeto consistente, caminhar de uma forma segura, dar passos firmes. O nosso objetivo é chegar à cabo, mas sabemos que ao custos são outros e com esta história da pandemia não dá para avançarmos com a velocidade que pretendíamos. Funcionários fixos temos apenas dois, a Fátima e a Rita, e temos o Arlindo que nos presta assessoria, temos uma avença com ele. Todos os custos são muito controlados. Temos os pés na terra.»

Fotografia: Paulo Lopes | Estúdio Novum Canal

“Não somos os donos disto tudo. Não inventamos nada. Não somos os suprassumos da comunicação regional”

NV: A aposta no digital e no online é hoje uma aposta praticamente aceite por todos os órgãos de comunicação?

PL: «Mas esta aposta no online não é de agora. Recordo-me que quando cheguei à região, chamavam-me amador porque fazia diretos do telemóvel. Hoje toda a gente faz diretos do telemóvel. Tive uma experiência em Londres e lá as televisões regionais já tinham programação quase à parte no online. Em Portugal, a mudança é sempre um problema. De uma vez por todas  não somos concorrência em nada. Gostava que os colegas percebem isto. Seja uma televisão ou uma rádio têm páginas no facebook e têm as suas plataformas online. Posso perfeitamente ver uma notícia no Novum Canal e a seguir ver outro notícia de outro órgãos de informação. Defendo que estamos inseridos numa região onde há grandes jornalistas, excelentes diretores de jornais, ótimos projetos de informação que estão muito direcionados para o local. Se não fosse o Novum Canal, quando é que as associações teriam voz? Não tinham voz. Se não fosse o Novum Canal, como é que o pequeno comércio, o café ou a cabeleireira conseguiria fazer publicidade? Não conseguiam. O Porto Canal não é meu concorrente, tem o FC Porto por trás e não dá para concorrer com esses monstros de comunicação, mas claramente que a cabeleireira da região não tem capacidade para pagar uma publirreportagem por mês num órgão de comunicação como o que referi. O online chega a muita gente e nasceu também a pensar nestes agentes. Há uma aposta forte, temos 80% dos conteúdos vídeo, imagem e som e depois temos 20% de notícias escritas porque tem que ser. Se verificarmos a SIC, a TVI e a RTP também o fazem. Agora, não podemos é ser um canal de televisão e misturar as coisas. Não é ter 80% de notícias escritas e 20% de imagem e áudio. Sabemos o que queremos, o que somos. Somos um canal de televisão online, com conteúdos de áudio e vídeo com o apoio das notícias escritas. Quero destacar dois comentadores do projeto, o José Carmo que está com o Novum Canal há três anos, existe uma cumplicidade entre nós, e também o Paulo Ferrinho, que no deu um impulso grande. Estuda os temas, sabe do que está a falar, vive o projeto, é o padrinho do Novum Canal e esteve na génese do nome do canal.»

“Não tenho qualquer parceria com os partidos políticos para terem  no Novum Canal os comentadores”

«Não somos os donos disto tudo. Não inventamos nada. Não somos os suprassumos da comunicação regional. A minha experiência de vida, confesso, é uma mais-valia, mas sempre trabalhando em equipa

«O José Carmo e o Paulo Ferrinho são duas importantes no projeto, fazem-no “pro bono” e ganham obviamente visibilidade também com isso.»

«Àqueles que dizem que o Novum Canal é só política, quero esclarecer que o projeto tem 20% de política e 80% de outros conteúdos, informação, entretenimento, desporto, cultura. O programa do Paulo Ferrinho, não é um programa político, é um programa jurídico. O José Carmo, o Duarte Graça, o Raiz da Questão, é um programa puramente político, o Democracia em Debate,  o Panorama Nacional é feito por uma jovem, a Filipa Mendes que bate recordes de audiência. Estamos a falar de novos intervenientes. A Mariana, presidente da Junta de Freguesia de Vilela, convidei-a para comentadora, mas devido aos compromissos políticos e o facto de estar no primeiro mandato levou-a a não aceitar. Verifico também que as pessoas têm medo de aparecer. E entendo. Acontece que os atores políticos por vezes têm receio que esses novos atores políticos surjam. Esses novos atores políticos têm que aparecer, porque se os atores não mudarem, isto fica viciado e o Novum Canal tem essa função. Não sei se a Filipa um dia terá aspirações políticas. Obviamente que não foi com essa intenção que a convidamos para o projeto. Assim como não sei se o Duarte Graça irá ter aspirações políticas a nível local ou nacional, mas que tem qualidade de intervenção, isso não se contesta.»

«Nunca peço às concelhias do partidos para me escolherem os comentadores. Não tenho qualquer parceria com os partidos políticos para terem  no Novum Canal os comentadores. O António Cunha, que é do PSD, não solicitei ao PSD Penafiel qualquer autorização para ele fazer comentários na estação. Falo diretamente com as pessoas. Não quero que o PSD ou o CDS-PP ou mesmo o PS me metam cá pessoas. Eu é que escolho os meus comentadores. São convidados por mim. Quando os convido, faço-o porque lhes reconheço valor.»

«O Nuno Araújo é uma pessoa que vejo como secretário de Estado ou ministro. Sempre tive uma  boa relação com o Nuno Araújo. Ele pode ter muitos defeitos, mas há uma coisa que reconheço nele, não é falso, nem hipócrita. Na questão do IC 35 e da colação de cruzes na Estrada Nacional 106 quando chego ao local não vi ninguém ao PS. Achei aquilo estranho. Confrontei o presidente da câmara e ele, como pessoa honesta que é, assumiu de imediato que isto era uma questão transversal e que o PS estava com o executivo municipal. Depois fiz um direto porque queria ouvir o PS sobre o tema e o Nuno Araújo  ligou-me. Há uma entrevista muita acesa entre os dois, mas acabamos a tomar café. Sabia que o Nuno Araújo era uma pessoa muito próxima do ministro Pedro Nuno Santos e também faço aquele estrada muitas vezes e sei o quanto as pessoas passam.»

A Câmara de Penafiel está bem entregue ao Dr. Antonino de Sousa. É uma pessoa que tem trabalhado imenso, tem tido imensa coragem

NC: O Nuno Araújo não tem condições para ser candidato à Câmara de Penafiel?

PL: «O Nuno tem condições para tudo. Se não tivesse condições para o ser, também não teria sido nomeado para a APDL e o seu também não teria sido reconhecido pelo seu trabalho. Agora, acho que o perfil do Nuno, neste momento, nesta idade, não é para ser presidente da Câmara de Penafiel. Tem o perfil para um dia ser secretário de estado ou ministro. Há outros atores mais locais. A Câmara de Penafiel está bem entregue ao Dr. Antonino de Sousa. É uma pessoa que tem trabalhado imenso, tem  tido imensa coragem. Sabemos que um presidente só perde o primeiro ou o terceiro mandato por algo muito grave que se passe.

No PSD Penafiel, neste momento, há vários atores que podem tomar conta do partido. No PS, claro que há menos. Há muita gente de qualidade no PS Penafiel, mas há muita gente que não se quer chatear. Há o André Ferreira que tem o sonho de querer ser presidente da Câmara de Penafiel. Isto é o que se está a passar em Paredes com o PSD que esteve mais de 12 anos no poder. Quando passou à oposição, o partido passou uma fase difícil e está a passar pelo mesmo que o PS Penafiel está a passar. Estamos a falar de projetos que demoraram o seu tempo, porque as pessoas também saem cansadas. Quando o eleitor diz para mudar é porque está cansado, quer coisas novas e sabemos que quando há uma mudança, há sempre algo que muda.»

«Dou o caso de Paredes, a primeira vez quando me desloquei a Paredes, saí da cidade com a sensação que estava numa urbe deserta, não via ninguém. Nesse dia, tive uma reunião com o antigo presidente da câmara e não se via ninguém. Quando cheguei a Penafiel,  porque os estúdios do canal eram em Penafiel, encontrei uma nova cidade, com outra dinâmica.»

«Hoje já olho para Paredes de uma forma diferente. A urbe ganhou dinamismo, é uma cidade viva, há muita gente de outros concelhos a vieram para Paredes. O atual presidente da câmara conseguiu uma diplomacia com os territórios vizinhos que é de louvar. Na política não vale tudo. Às vezes, o facto de esquecerem a cor política e unirem-se por uma causa, isso dá muitos votos.»

NC: Consideras que os autarcas continuam a olhar muito para os seus territórios e menos para a região?

PL: «Mas isso não é culpa dos autarcas. Uma vez eleitos cabe-lhe defender os interesses do seu território e dos seus munícipes. É isso que os eleitores esperam. Defendo que não são as comunidades intermunicipais que vão resolver o problema. Sou a favor da regionalização. Defendo a regionalização desde que seja bem estruturada. Acredito que há condições para implementar a regionalização. O Governo fez isso na pandemia. Colocou secretários de Estado em todas as regiões.  Não estou a dizer que tenhamos de ser autónomos como acontece em Espanha, mas um modelo diferente.

Sou do Norte, a minha família é do Norte, mas gosto de Lisboa, foi lá que me formei e começou a trabalhar. Quando dizem que Lisboa discrimina o Norte, perguntou-me: quanto deputados estão no plenário que são do Norte? Não é Lisboa que discrimina, o Governo é que tem de fazer o seu trabalho. Precisamos mais deputados como Daniel Campelo, que ficou rotulado como o autarca do Orçamento do queijo limiano.»

NC: Existe vontade política para avançar coma regionalização?

 PL: «Acredito na nova geração de políticos. Acredito muito no Francisco Rodrigues dos Santos, o presidente do CDS-PP. Tenho pena que não esteja acompanhado de pessoas que o apoiem, é uma pessoa que traz ideias novas, mas há gente que olha para ele como jovem, que não tem uma estratégia para o partido. Tenho uma opinião diferente. Acredito que o Francisco Rodrigues dos Santos é um político com uma visão diferente, que é uma mais-valia para o partido. O partido tem que lhe agradecer. Assim como admiro o André Ventura. O André Ventura diz aquilo que qualquer pessoa é capaz de dizer no café. Quem é que não diz que os políticos são corruptos?  Quem é que não diz que a saúde está mal? Quem é que não comenta o facto de ir ao hospital e estar duas, a três horas à espera de uma consulta? Qual é o polícia que não se queixa que tem de pagar 90 euros pela farda e se não pagar não tem farda? Achas normal um PSP de início de carreira ganhar 900 euros, ser deslocado para “x” quilómetros e ainda ter de pagar o seu apartamento, as suas despesas diárias? Quanto é que lhe fica? Um professor em início de carreira, que é do Porto e que é colocado numa escola no Alentejo e vice-versa? Por que é que isso acontece? O Chega é um partido que cabe na sociedade portuguesa, que faz falta à democracia portuguesa. É um partido novo, é um partido com um discurso diferente, muito agressivo, muito incisivo. Agora, tenho medo é das bases e de quem o rodeia, mas acredito na capacidade e na inteligência do André Ventura e que vai conseguir abrir o partido. Não acho nada o André Ventura um radical. É uma pessoa que é capaz de ir ao Novum Canal dar uma entrevista, assim como o líder do Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo. Tive a oportunidade de o entrevistar e achei-o uma pessoa fabulosa, desprendida, com uma visão forte, ao contrário do Jerónimo de Sousa que já disse que não tinha tempo para dar entrevistas a órgãos de comunicação regional, mas já tem tempo para os nacionais. Assim como  Paulo Portas, uma pessoa fantástica, um iluminado, com um conhecimento brutal e que também deu um lugar aos novos. É uma pessoa que sabe que já passou o tempo dele. Poderá ser candidato à Presidência da República, mas não o vejo a candidatar-se a umas legislativas. Vejo que há novos movimentos. Quanto ao Chega não acredito que o partido vá apostar muito nas autárquicas. Penso que passará por apoiar alguém que esteja a fazer um bom trabalho ou fazer coligações. Posteriormente, em 2025 poderemos ver candidatos do Chega às autárquicas. Vejo movimentos independentes aparecer com apoios. Vejo um PS forte. O Primeiro-ministro tem tido uma atitude responsável porque não é fácil gerir uma situação destas, sobretudo, quando tem um presidente da Organização Mundial de Saúde que diz coisas diferentes.»

Volto ainda ao Chega, quando o Bloco de Esquerda surgiu também era um pouco assim. Hoje o BE é um partido integrado no sistema. As pessoas é que têm a memória curta. O BE também não é um partido extremista. Não tenho partido. A única coisa que poderia apoiar era um rei porque na minha ideia pessoal e muito íntima acho que as monarquias modernas funcionam. Olhemos para o que se passa na Dinamarca, Noruega e mesmo na Suécia, sociedades e países da Europa que não tem o sol que temos, as mesmas horas de vida nem a gastronomia que temos, mas estão mais evoluídos. A República falha. A monarquia traz-te os valores do país e da nação. Sou pró-europeu, mas a monarquia faz a apologia dos seus valores. Isto faz-me lembrar um outro tema que tem sido muito ventilado: o racismo. Então, o que é feito da nossa história, do nosso legado, do papel nos Descobrimentos? Agora, somos todos racistas. Portugal não é um país racista. Estive no estrangeiro e sei o que é um país racista. Portugal é dos países mais seguros do mundo, mas não quer dizer que não haja assaltos, que não haja crime. Temos crimes, assaltos, corrupção, mas não somos como o Brasil ou os países da América Latina. Comparo isto ao racismo. Há  um problema na sociedade ao qual deveríamos dar mais atenção: a violência doméstica, o álcool. A violência doméstica, essa sim, é um flagelo grave. Não é o racismo. Não considero que sejamos racistas e fico ofendido quando se referem a Portugal como um país racista. Não vejo ninguém a discriminar pessoas por causa da cor, da etnia. Se as pessoas preencheram os requisitos, os empresários contratam-nas. »