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Vereador da Câmara Municipal de Lousada lembrou combate à Covid-19 e recordou que luta não está ganha

O responsável pelo pelouro da saúde da Câmara Municipal de Lousada, Nélson Oliveira,  recordou,  esta sexta-feira, no programa Jornal Diário, transmitido pelo Novum Canal, e conduzido por Paulo Lopes, o combate e a estratégia que a autarquia lousadense  montou, em articulação com outros atores e agentes, para fazer face à Covid-19 na fase mais aguda da crise sanitária.

“Se não tivéssemos tomado essas medidas certamente que a situação poderia ter sido muito prejudicial. Quando ouvimos a ministra da Saúde afirmar que iria encerrar a Escola de Idães e também nessas horas,  a contactar o presidente da Câmara de Lousada, dando conta da situação, dado que envolvia também a  Escola de Santo Estêvão de Barrosas que pertence ao concelho de Lousada, começamos a ficar apreensivos. Recordo-me que no domingo surge o anúncio oficial da Direção-Geral da Saúde e da ministra da Saúde para encerrar  todos os estabelecimentos escolares de Lousada e Felgueiras.  Às 23h00 o executivo foi para a câmara municipal para decidirmos o que iríamos fazer”, disse, salientando que o facto de encerrar escolas envolvia uma série de vicissitudes com influência nos transportes escolares, com os pais a ter que ficar em casa com os alunos, entre outras.

O autarca recordou, também, o comportamento das instituições particulares de solidariedade social nos momentos que se seguiram à situação, enaltecendo a sua postura em todo este processo.  

“Ninguém  estava preparado para isto e tentamos fazer o nosso melhor.  Fechamos edifícios municipais, da nossa competência, sem querer influir nas competências de organismos privados. Pedimos  compreensão a outras instituições, tivemos a colaboração de várias instituições particulares de solidariedade social, da Santa Casa da Misericórdia de Lousada.  Todos estas instituições tiveram uma postura exemplar, aliás toda a rede social foi exemplar. Pensamos sempre no superior interesse das crianças e dos idosos. Tínhamos a feira de Lousada a ser montada e teve que ter tudo cancelado”, declarou.

Nelson Oliveira lembrou, também, o trabalho que foi necessário fazer para acautelar o bem-estar, a saúde dos idosos e dos mais vulneráveis.

“Realizamos várias ações, desde logo, quero agradecer à Santa Casa que fez turnos de equipas para que esta situação não se tornasse explosiva. Até hoje tudo isso resultou. Depois houve várias instituições que acompanharam os idosos, os nossos funcionários ligavam todos os dias para acompanhar a situação. Mantivemos a rede ativa. Mesmo hoje e apesar de todas as restrições, optamos por manter o contacto com os idosos, os mais fragilizados, vamos a casa deles, cumprindo com todas as orientações, os funcionários dão-lhes atividades para fazer durante a semana.  Disponibilizámos uma linha de apoio psicológico e os nossos psicólogos estiveram ao serviço da Ordem dos Psicólogos”, concretizou.

“Chegaram ao desplante de expulsar das salas alunos de Lousada e Felgueiras, escolhiam-nos a dedo”

Questionado sobre a “discriminação” que foi feita por várias instituições do ensino superior a estudantes dos concelhos de Lousada e Felgueiras, Nélson Oliveira assumiu que a câmara desde o início tomou uma posição firme na defesa desses mesmos alunos.

“Fomos incisivos junto de quem nos estava a prejudicar e foi isso que fizemos diretamente, com um  conjunto de instituições de ensino superior que foram perfeitamente identificadas.  Chegaram ao desplante de expulsar das salas alunos de Lousada e Felgueiras, escolhiam-nos a dedo. Por outro lado, havia pessoas que iam doar sangue e só por serem de Lousada, o sangue estaria contaminado. Chamamos a atenção às entidades, mas tudo foi resolvido. Creio que o presidente de câmara esteve bem. Passado alguns meses percebi esse incómodo, era tudo novo, era um alarme social brutal, as pessoas viam a realidade noutros países e quando surge o caso de Santo Estêvão e Idães, em Felgueiras, duas freguesias próximas, criou-se uma espécie de alarme. Na altura, tivemos que atuar. Da mesma forma que agora não nos podemos sentir tranquilos porque Lousada tem mais dois ou três casos em julho e amanhã até podem ser 10 ou 20 ou nenhum”, avançou, salientando que a autarquia não baixou a guarda e que esta sexta-feira teve uma reunião com  a Administração Regional de Saúde.

“Não podemos ter um polícia para cada cidadão, também existe a responsabilidade que cabe a cada um de nós”

Nesta questão, o vereador  relevou, igualmente, o trabalho e o papel das empresas  do município que souberam reagir às adversidades e transformar as dificuldades em oportunidades, cumprindo com as indicações da autoridade nacional de saúde e zelando pelo bem-estar dos funcionários.

“ Em Lousada, as empresas foram e estar a ser excecionais. Os empresários querem trabalhar e procuraram disponibilizar tudo o que era necessário para que os seus funcionários se sentissem seguros. Neste momento, toda a gente sabe o que é que pode e não pode fazer, ninguém está alheado desta realidade e temos de saber comportar-mo-nos perante isto. Não podemos ter um polícia para cada cidadão, também existe a responsabilidade que cabe a cada um de nós.

Nélson Oliveira relembrou, também, o esforço que foi realizado no sentido de ajudar os empresários que desde o início se disponibilizam a colaborar, acederem em redirecionar  a sua área de atividade fazendo máscaras, cumprindo com as indicações técnicas das entidades de saúde e garantindo a viabilidade das empresas e a salvaguarda dos empregos.

“No emprego, no início de toda esta pandemia, bati-me pela regulamentação das máscaras, das fichas técnicas. Falamos com associações do setor. O Governo em parceria com o CITEV libertou fichas técnicas com indicações específicas. Conseguimos que a indústria do vestuário rapidamente se adaptasse. Fizemos tudo para que as empresas começassem a produzir equipamentos de proteção individual. Houve empresas que redirecionaram o ramo de negócios e garantiu-se postos de trabalho. Houve, sobretudo,  cuidado de garantir a certificação”, especificou, defendendo que a situação só irá minimizar com a descoberta de uma vacina.

“Enquanto isso não acontecer, pedimos o máximo de contenção e chegamos a um ponto em que as pessoas têm de ter cuidado e saber conviver com a Covid-19.  O que sucedeu em Paços de Ferreira obviamente que não foi o cúmulo da irresponsabilidade. Foi o acaso. O facto disto estar centrado em Lisboa e Vale do Tejo é a mesma coisa  que estar no país inteiro. Toda a gente vai a Lisboa, toda a gente tem negócios  com Lisboa. Há uma mobilidade brutal,. Lá por termos um, dois, três casos num dia, isso não quer dizer nada”, atalhou.

Quanto às medidas que a Câmara de Lousada implementou, Nélson Oliveira recordou que além do apoio ao comércio Local, com a iniciativa “Comprar em Lousada”, a autarquia isentou as esplanadas, assegurando, por outro lado, que a câmara teve de “sacrificar”, algumas atividades e projetos que tinha, nomeadamente, na área da juventude e da cultura, para acudir às questões sociais

Em matéria de políticas de juventude, o  vereador reforçou que a autarquia está a trabalhar no sentido de garantir o futuro dos jovens, criar emprego de qualidade e apostar na formação.

“A longo prazo tentaremos precaver o futuro dos jovens em termos académicos, salvaguardar o apoio social para progredir para o ensino superior, em especial os mais carenciados e com emprego qualificado. Estamos a tentar fazer um centro de formação, nas antigas instalações da Associação Industrial de Lousada, com cursos de alta empregabilidade”, expressou, enaltecendo o papel dos jovens, mas também, de outros setores, como a cultura,  que neste processo e apesar das dificuldades, que reconheceu continuam a persistir, tiveram um comportamento notável.

 “A juventude de Lousada foi inexcedível. As pessoas que vivem da arte e da cultura foram compreensivas. Tivemos que adiar o  Festival Vila para 2021. Tínhamos artistas estrangeiros contratados, mas precisamos desse dinheiro para a parte social. Estou a sentir um aumento nos apoios sociais, pessoas desempregadas, pessoas que ficaram em lay off, pessoas que trabalhavam e dependiam do seu salário para viver. Reforçamos essas verbas”, afiançou.

Apesar das restrições e das dificuldades em encontrar uma solução para esta crise sanitária, Nélson Oliveira deixou uma palavra de esperança e de apoio às instituições europeias no combate a uma crise que é global.

“As crises surgem de forma cíclica. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde poderia acontecer uma situação destas. Acho que nem na Segunda Guerra Mundial, os países pararam todos ao mesmo tempo. No momento em que tínhamos Lisboa e  o país inteiro parados, Paris, Roma estiveram também parados, o mesmo acontecendo em Londres e Nova Iorque. Acredito nas instituições europeias.  É agora que se veem os líderes. Acredito que países como a França e a Alemanha terão papel interventivo na União Europeia. Assistimos, por outro lado, ao surgimento de movimentos populistas, mas cada vez mais, sinto-me orgulhoso em ser moderado, um socialista democrático”, confessou.