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Fotografia: Cais Cultural de Caíde de Rei

Lousada: Cais Cultural Caíde de Rei promoveu sessão de leitura em voz alta em plena Praça das Pocinhas

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Fotografia: Cais Cultural Caíde de Rei

O Cais Cultural de Caíde de Rei promoveu no dia 7 de junho, na Praça das Pocinhas, em Lousada, uma sessão de leitura em voz alta, cumprindo com todas as normas de segurança.

Segundo  Patrícia Queirós , atriz, diretora do Grupo de Teatro da Linha 5 e facilitadora do Clube de Leitura em Voz Alta do Cais Cultural de Caíde de Rei, a iniciativa  teve como objetivo  manter vivo o gosto pela leitura, mesmo em tempos difíceis como os que estamos a viver.

“O Cais Cultural de Caíde de Rei sempre viu a literatura como uma das importantes artes para desenvolver a cultura, e criou há uns anos uma pequena Biblioteca (Biblioteca António Meireles) recheada de livros, que estão disponíveis para requisição. Ora, como forma de estimular o hábito de ler, seguimos a recomendação do Plano Nacional de Leitura, que sugere a criação de Clubes de Leitura em Voz Alta”, disse, salientando que o intuito desta atividade foi o de ler.

“Ler é como regar um jardim. Ler em Voz Alta é regar vários ao mesmo tempo”, frisou.

Patrícia Queirós admitiu que com confinamento e mesmo já depois do desconfinamento, o Cais Cultural de Caíde de Rei teve de redirecionar a sua energia para outras acções que se adaptassem às atuais circunstâncias.

“Sim, tendo sido alterado todo o Plano de atividades no Cais, houve a necessidade de redirecionar a nossa energia para outras ações que se adaptassem às actuais circunstâncias, sempre com o propósito de aproximar as pessoas da cultura. Daí ter-se avançado para o projeto CAIS NA RUA, que levou já música pelas rua de Caíde, numa Festa em Movimento, em que as pessoas assistiram da sua janela, varanda ou porta de casa à passagem de uma carrinha com a Banda Yellois ao vivo, ao longo de toda a freguesia). E também com o Clube de Leitura em Voz Alta que para além de sessões online, começou já as sessões ao ar livre, com o qual percorreremos outros espaços públicos do concelho de Lousada. Tentamos assim garantir alguma atividade para a população, quer da freguesia de Caíde, quer para o restante Concelho, porque atualmente não há atividades culturais previstas”, expressou.  

Fotografia: Cais Cultural Caíde de Rei

“O Ministério da Cultura revelou mais uma vez não ter visão nem ação adequada às reais necessidades do setor artístico”

A atriz, diretora do Grupo de Teatro da Linha 5 e facilitadora do Clube de Leitura em Voz Alta do Cais Cultural de Caíde de Rei reconheceu que com o declarar do Estado de Emergência e Calamidade, os grupos e instituições ligados à cultura viram a sua atividade parada à 100%.

“Todos viram a sua atividade parada à 100%. Para além dessa já ser por si uma situação problemática, agrava o facto de não ser fácil durante muito tempo trabalhar à bilheteira, como muitas equipas de teatro trabalhavam até aqui, pela limitação da lotação das salas. Há casos sérios de pobreza no setor”, confirmou, manifestando que a arrastar-se esta situação, existem grupos, associações e coletividades ligadas a esta área que correm o sério risco de verem a sua atividade perigar.

“O Ministério da Cultura revelou mais uma vez não ter visão nem ação adequada às reais necessidades do setor artístico.  Portanto, as que estavam mal pior ficaram. A nível local também nada se alterou nesse sentido”, precisou.

“Portugal ainda não tem as prioridades definidas totalmente em função do interesse da população”

Face à situação  que atravessa o setor, Patrícia Queirós assumiu que é fundamental existir um maior investimento neste domínio.

“Um apoio não, mas sim um investimento. Investir em Cultura é poupar em saúde, em justiça, em administração pública, é potenciar a educação, é estimular a economia. É um setor altamente transversal a todas as áreas da vida. Os agentes culturais são agentes de serviço público. Mas Portugal ainda não tem as prioridades definidas totalmente em função do interesse da população”, concretizou, concordando com a ideia de que os apoios anunciados para a cultura não são suficientes para minimizar as perdas que o setor já sofreu.

“Não. Cada vez há mais agentes culturais e os apoios são praticamente os mesmos. Vai-se tirando a uns para dar a outros”, atalhou.

Quanto ao futuro da cultura, Patrícia Queirós realçou que parece existir uma visão muito míope da realidade do setor cultural em Portugal.

“Com maior esforço ainda da parte dos seus agentes. Mas, infelizmente, ainda não se vê mudança nenhuma na política cultural, pelo contrário, parece haver uma visão muito míope da realidade do setor cultural em Portugal, com a agravante de se assistir a situações de abuso de poder por parte de instituições altamente financiadas pelo Estado, que têm demonstrado um total desrespeito pelos direitos dos trabalhadores da cultura, como são os casos publicamente conhecidos nas últimas semanas”, expressou.


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