Novum Canal

mobile

tablet

Ensino Doméstico ou Individual – vantagens e desvantagens?

Partilhar por:

Na continuidade do tema que abordei na semana passada, e tal como referi, hoje gostaria ainda de explorar mais algumas questões relacionadas com o Ensino Doméstico e Individual, nomeadamente as vantagens e desvantagens que se podem constituir nesta opção (ver texto de 27/06/2020).

A opção por esta modalidade educativa tem vindo a crescer, e nos últimos anos de forma significativa. Vejam-se os números relativos ao ano 2018/2019, onde se registam já cerca de 900 alunos, sendo no 1º e 2º ciclo do ensino básico onde se encontra o maior número de alunos ao abrigo deste regime.

As vantagens apontadas para esta opção pontuam sobretudo a ação dos alunos enquanto agentes construtores do seu currículo, seguindo um ritmo próprio de aprendizagem no que respeita às orientações do Ministério da Educação, no cumprimento do que são os seus documentos estruturantes – Aprendizagens Essenciais, D.L nº55/2018 de 6 de julho (principio da flexibilidade curricular), Estratégia Nacional para a Cidadania, Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (competências – conhecimentos, capacidades e valores).

A opção por metodologias pedagógicas, a gestão dos conteúdos, o ritmo de aprendizagem, as experiências proporcionadas e promotoras da aquisição das aprendizagens ocorre à luz do principio da flexibilidade e da adaptabilidade, ainda que possa ser gerida pelo responsável educativo, respeitando o ritmo de aprendizagem do aluno, configuram-se como aspetos a favor.

Ainda, destaca-se a gestão flexível do horário do aluno, podendo ir de encontro à identificação de períodos de maior concentração, potencializando-os para as aprendizagens, bem como a organização, planificação da semana contemplando as necessidades da família e evitando os horários rígidos e padronizados definidos pela escola. Esta flexibilidade permite espaço e tempo para introdução de atividades pontuadas pela família, que possibilitem experienciar e aprender de diversas formas, integrando os conhecimentos em áreas múltiplas e que cabem na filosofia de valores, crenças e idiossincrasias daquela, traduzindo assim as suas opções e projetos de vida, no que se refere à educação dos seus filhos. A individuação do processo de aprendizagem tem sido assim um dos argumentos apontados por estas famílias, bem como a possibilidade de passar mais tempo em família.

Em relação às desvantagens, destaca-se o papel importante que a escola tem na promoção da socialização das crianças e jovens, quer na relação com os pares, quer com os adultos. A gestão de conflitos, a modelação da relação com o outro aprende-se em contexto real, através da participação em diferentes contextos, das experiências e aprendizagens que estes proporcionam. As crianças em Ensino Doméstico e Individual passam muito do seu tempo no contexto familiar ou na relação individual (elemento responsável- aluno) ainda que atual legislação permita a sua participação em atividades escolares, visitas de estudo, acesso à biblioteca, por exemplo.

Ainda, para que este sistema funcione, exige-se rigor, método, disciplina e organização familiares, domínio de conhecimentos e conteúdos, planificação das atividades de aprendizagem, apesar da liberdade inerente aos ritmos de trabalho. Exige-se pois uma grande capacidade de organização e competências de autorregulação, tendo em atenção que os alunos serão sujeitos a provas de avaliação no final de cada ciclo de estudos.

À medida que os ciclos de estudo avançam, encontramos menos alunos nesta modalidade, o que poderá estar relacionado com a exigência dos programas das disciplinas e impreparação do elemento familiar responsável (responsável educativo), o que levará à transição da criança ou jovem para a modalidade presencial em escola, iniciando um processo de educação formal, para além dos tempos e momentos normativos estipulados.

O efeito “lupa” que a escola tem na identificação e sinalização de situações de negligência, de eventuais maus-tratos e violência, abusos e outras situações é fundamental, enquanto entidade com competência de intervenção em matéria de infância e juventude, perdendo- se  esta função e de um modo mais regular, nestas modalidades educativas, ainda que a atual legislação (ver Portaria nº69/2019 de 26 de fevereiro) venha protocolar contatos regulares dos alunos e suas famílias com o professor tutor/responsável na escola.

Em Portugal esta opção encontra-se devidamente regulada, legislada e tem ganho como já referimos, cada vez mais adeptos.

E Portugal existe também a ANPED – Associação Nacional de Pais em Ensino Doméstico – e o MEL – Movimento Educação Livre, associações que poderá contatar se estiver a equacionar esta modalidade para os seus filhos. Antes de tomar uma decisão procure informação credível. Há alguns estudos internacionais sobre esta temática que pode consultar.


Partilhar por:

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Receba todas as novidades!

Subscreva a nossa Newsletter

SIGA-NOS NAS REDES SOCIAIS!

Ajude o Jornalismo Regional

IBAN: PT50 0045 1400 4032 6005 2890 2
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo

Obrigado!

Estamos a melhorar por si.
Novum Canal, sempre novum, sempre seu!