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Recluso do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira que testou positivo após segundo teste deu negativo

O recluso do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa, em Paços de Ferreira, que na última sexta-feira testou positivo, testou agora negativo após ter sido submetido a um segundo teste.

Ao Novum Canal, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Alves, referiu que segundo indicação no dia de ontem, o recluso já deu negativo ao teste realizado recentemente.

“Depois de ter dado positivo num teste no Hospital de Penafiel, agora deu negativo num teste realizado no estabelecimento prisional”, disse, salientando que inicialmente temeu-se que esta situação possa ter repercussões dentro do estabelecimento atingindo reclusos e até guardas prisionais.

“Foi, desde o princípio a nossa maior preocupação. Ou seja, sabendo o que se passa nos lares, se o mesmo acontece nos estabelecimentos prisionais pode tomar repercussões muito maiores e mais graves, porque temos muitos reclusos que sofrem de doenças infeto contagiosas”, explicou.

Sobre este caso, Jorge Alves  realçou que desde logo a DGRSP tomou “conta da situação e realizaram todas as diligencias para separar o recluso em questão, mas também para reduzir ao máximo a circulação de outros reclusos que possam ter estado em contacto com o infetado. No entanto, entendemos que a DGRSP devia tomar medidas mais eficazes, nomeadamente para proteção de quem tem a obrigação de proteger, ou seja, os profissionais do Corpo da Guarda Prisional”.

Questionado se existe um problema da eventual propagação do coronavírus entre a população reclusa a nível nacional, o responsável pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional anunciou que “para já não existe possibilidade disso, porque não temos reclusos infetados”, expressou, salientando: “ No entanto, como o sistema prisional está a funcionar, sem qualquer separação, distanciamento social, canais de circulação ou medidas de proteção, quando acontecer vai ser como atear um fogo em pleno verão”

Referindo-se às medidas que o Governo aprovou, durante a pandemia, medidas excecionais, perdão de penas para crimes de menor gravidade e aumento de dias de saída precária, Jorge Alves manifestou que “como ainda não existe o problema, as medidas foram muito rápidas a tomar, mas muito prematuras”.

“Como ainda não existe o problema, as medidas foram muito rápidas a tomar, mas muito prematuras. Considerando os casos raros de infeção, entendemos que o MJ/DGRSP aproveitaram as primeiras infeções nos profissionais do Corpo da Guarda Prisional para se agarrarem “com unhas e dentes” a essa oportunidade para verem reduzido o número e reclusos no sistema prisional. Durante 3 anos (2016 a 2029) tentaram reduzir o número de presos, mas não conseguiram então esta foi a grande oportunidade de baixarem para menos de 12 mil o número de reclusos. Se deixassem passar aquela oportunidade podiam não ter mais razões para o fazer, como se verifica”, acrescentou.

Confrontando quanto à possibilidade de existir uma segunda vaga da Covid-19, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional admitiu que a acontecer será um problema ainda maior.

“Sem dúvida que pode ser um problema maior, porque as pessoas vão estar cansadas de lutar contra o que não veem e vão facilitar mais ainda o que vai colocar em causa todo o trabalho que se tem realizado”, atestou.

“Os profissionais do Corpo da Guarda Prisional debatem-se com vários problemas: falta de efetivo, falta de equipamentos ( a DGRSP obriga os Guardas a andarem com a mesma máscara cirúrgica 10 horas por dia, não existe álcool gel em quantidades aceitáveis, não existem EPI em número suficiente para o serviço, falta de organização, falta de separação dos reclusos, falta de canais de circulação, falta de sinaléticas”

Já sobre os problemas com que se debatem os guardas prisionais, Jorge Alves assumiu que a falta de equipamentos é apenas um de vários problemas que afeta este corpo.

“Os profissionais do Corpo da Guarda Prisional debatem-se com vários problemas: falta de efetivo, falta de equipamentos ( a DGRSP obriga os Guardas a andarem com a mesma máscara cirúrgica 10 horas por dia, não existe álcool gel em quantidades aceitáveis, não existem EPI em número suficiente para o serviço, falta de organização, falta de separação dos reclusos, falta de canais de circulação, falta de sinaléticas, falta de apoio por parte da DGRSP e MJ, visitantes a entrar nas prisões sem sabermos como se encontram, continuamos a trabalhar da mesma forma como era pré-COVID-19, entre outros”, confessou.

“O recluso, conforme orientações da saúde pública, manter-se-á internado na unidade de saúde do Estabelecimento Prisional do Porto, afeta ao tratamento da Covid 19, e irá ser testado novamente”

Em comunicado, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) esclareceu que, “na sequência de ter sido notificada de que teste efetuado (em hospital do SNS) a um recluso do Estabelecimento Prisional de Vale do Sousa havia acusado positivo à Covid 19, foram testados todos os reclusos das duas alas com que esteve em contacto, bem como os trabalhadores deste estabelecimento prisional e que os resultados até agora recebidos, incluindo o repetido ao recluso que esteve na origem da situação, são todos negativos”.

Segundo a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), “O recluso, conforme orientações da saúde pública, manter-se-á internado na unidade de saúde do Estabelecimento Prisional do Porto, afeta ao tratamento da Covid 19, e irá ser testado novamente”.

A Direção-Geral informou igualmente que ”os resultados aos testes efetuados, em contexto de triagem de suspeitos e de contactos de suspeitos, no Estabelecimento Prisional de Leiria (jovens), no Hospital Prisional e no Estabelecimento Prisional da Carregueira em consequência do rastreio a trabalhadores, de empresas externas e do quadro da DGRSP, terem acusado sete situações de positivo à Covid 19, tiveram, todos eles, resultados negativos”.

“No momento em que se remete esta nota há a registar sete casos de trabalhadores positivos à Covid 19, diagnosticados na sequência do rastreio que está a ser efetuado aos trabalhadores que a tanto se disponham, os quais reportam a três funcionárias de empresa externa que prestam serviços ao Hospital Prisional, a três guardas prisionais do Estabelecimento Prisional da Carregueira e a um guarda prisional do Estabelecimento Prisional de Leiria (jovens). Estes trabalhadores estão assintomáticos e em isolamento nos respetivos domicílios. Para além destes sete casos ativos verificaram-se, desde o início da pandemia até ao presente, outros vinte e um casos que se encontram todos recuperados e com alta médica. Os casos positivos e recuperados em trabalhadores pertencentes aos quadros da DGRSP respeitam a 7 guardas prisionais (E P Porto, H P S J Deus, E P Silves, E P Sta. Cruz Bispo (masculino), Divisão de Formação, E P Vale de Judeus e E P Viana Castelo, este último detetado no rastreio aos trabalhadores no âmbito do protocolo com INSA e INEM) e a 1 assistente técnica (E P Sintra). Os pertencentes a empresas externas prestadoras de serviços (sete trabalhadores) recuperados reportam a 1 auxiliar de ação médica (H P S J de Deus); 1 médico (E P Silves); 2 enfermeiras (E P Sta. Cruz Bispo – feminino e Viana do Castelo) e 3 seguranças (C E Bela Vista). Os casos positivos e recuperados em reclusos / jovens internados foram os de 5 reclusos (1 E P Tires, 1 E P Pinheiro da Cruz, 1 E P Vale de Judeus, 1 E P Lisboa e 1 E P da PJ Lisboa, todos provindos da liberdade, exceto 1 que teve uma deslocação a uma unidade hospitalar do SNS por motivos de saúde) e o de 1 jovem internado (C E Bela Vista, este foi o único caso de transmissão interna). Esta Direção Geral continuará a aplicar as orientações emanadas da Direção Geral de Saúde, atuação que tem permitido, até ao momento, manter a população reclusa e colaboradores (na sua esmagadora maioria) livres da contaminação pelo Covid-19 no conjunto do território nacional e evitado os contágios internos”, refere o comunicado.