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Centro de Dia e Cruz Vermelha de Vilela agradecem homenagem e realçam necessidade de continuar a apoiar utentes

O Centro Social e Paroquial de Vilela e a Delegação da Cruz Vermelha  – Delegação de Vilela foram homenageados, esta quarta-feira, pela junta de freguesia local, numa cerimónia restrita que teve, também, como finalidade assinalar o 17.º aniversário de elevação da freguesia a vila.

Ana Moreira, diretora técnica do Centro Social e Paroquial de Vilela, reconheceu a distinção que foi atribuída à instituição, reconhecendo que esta é uma forma da junta de freguesia reconhecer o trabalho que vem sendo realizado pelas coletividades locais.

A diretora técnica declarou que na fase mais crítica da pandemia, o Centro Social e Paroquial de Viela teve de se readaptar e reinventar, de alguma forma, para continuar a assegurar o apoio e o serviço aos utentes.

“Por indicação da Segurança Social tivemos que encerrar pelo que tivemos de readaptar a nossa atividade porque sabemos que nem todos os idosos têm retaguarda familiar, muitos idosos tiveram que se ausentar das suas habitações para ter um suporte imediato porque eram idosos mais dependentes e outros, mais autónomos, acabaram por ficar nas suas habitações com a nossa retaguarda, garantimos sempre o serviço de higiene, fornecemos alimentos e promovemos o contacto possível  através da teleassistência. Por outro lado fixamos equipas fixas que se deslocavam sempre aos mesmos utentes para não haver grande rotatividade e diminuirmos o risco de propagação do vírus”, frisou, confirmando que a instituição teve de readaptar a sua dinâmica e optado por, naquela fase, nunca parar.

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Ana Moreira recordou que, neste período, a instituição serviu 25 utentes da freguesia de Vilela, mas também de freguesias limítrofes.

A diretora técnica esclareceu que o Centro Social e Paroquial de Vilela é uma Instituição particular de solidariedade social (IPSS) fundada em 2001 e tem como metas criar uma reposta social ajustada a cada situação de forma a promover uma melhor qualidade de vida à população de Vilela e às freguesias limítrofes.

Ao Novum Canal, Ana Moreira manifestou que as questões económicas são, nesta fase, a principal preocupação do centro.

“Prestávamos serviço a cerca de 50 utentes por mês, devido às circunstâncias que são de todos conhecidas, tivemos que reduzir e estamos a servir apenas 25. É menos rendimento com o mesmo número de funcionárias”, atalhou, sustentando que para já a instituição tem conseguido superar todas as adversidades, admitindo, no entanto, que a situação se agravar ou existindo uma segunda vaga, o cenário se possa complicar.

O isolamento e a solidão são apontados pela diretora técnica como as principais prioridades da instituição, nesta fase.

“O maior desafio é tentar minimizar a solidão dos idosos em casa porque não conseguimos estar todos os ias com eles. Neste momento, já estamos a fazer visitas sociais, conversamos informalmente com os idosos, tentamos perceber os medos e os anseios. Reduzir estes estigmas que eles têm, mas não é suficiente porque não conseguimos estar uma hora ou duas todos os ias com todos”, sublinhou, manifestando ser necessário por parte do Estado um reajustamento da forma de funcionar dos centros de dia.

“Ninguém fala nos centros de dia. Estamos um bocado esquecidos”, atalhou, relevando, ainda, o facto de durante o Estado de Emergência e contenção nenhuma das funcionárias que estiveram ao serviço da instituição tenha testado positivo à Covid-19.

“Tomados todas as medidas no sentido de salvaguardar o bem-estar e a segurança quer das funcionárias quer dos utentes”, avançou.

O centro Social e Paroquial de Vilela tem oito funcionárias.  A instituição tem como missão suprir as necessidades da população e eliminar estigmas associados, prestando apoio aos mais vulneráveis.

Joaquim Dias, presidente da Cruz Vermelha – Delegação de Vilela, enalteceu o gesto da Junta de Freguesia, agradeceu o trabalho dos voluntários e demais atores e agentes que durante a pandemia colaboraram com a instituição na defesa da sua missão.

O presidente da Cruz Vermelha – Delegação de Vilela reconheceu que a crise sanitária obrigou efetivamente a uma readaptação da estrutura com o objetivo de prestar um serviço eficiente e eficaz à comunidade.

A Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Vilela tem como metas fomentar a assistência humanitária e social minimizando o sofrimento e zelar pela defesa da vida, da saúde e da dignidade humana.

A instituição foi fundada em 1987, assume-se como uma instituição humanitária não governamental de caráter voluntário e de interesse público, sem fins lucrativos. A delegação de Viela tem como base e princípio da sua atuação o respeito pelo Direito Internacional Humanitário, obedecendo às recomendações do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

Mariana Machado, presidente da Junta de Freguesia de Vilela, reiterou a importância da Junta de Freguesia distinguir as instituições da freguesia e em especial o Centro Social e Paroquial de Vilela e a Cruz Vermelha – Delegação de Vilela que durante a fase de confinamento estiveram a operar não deixando de servir os seus utentes e prestar apoio às pessoas que mais necessitaram de ajuda.

“Estamos a falar de uma cerimónia que não existia, mas assim que tomei posse achei que era importante assinalar esta data. No ano passado homenageamos um ex-autarca, José Cruz, uma figura marcante na freguesia, o fundador da Banda de Música de Vilela e a fundadora da Feira Medieval que se realiza na freguesia há cerca de 11 anos.  Este ano optamos por homenagear estas duas instituições igualmente emblemáticas para a freguesia que apesar de todas as dificuldades e constrangimentos na fase da pandemia continuaram a trabalhar  e a dar o melhor de si em prol da comunidade. A cerimónia este ano, pelas razões que são de todos conhecidas teve de mais restrita porque estamos a cumprir com as normas da Direção-Geral de Saúde.  Evidentemente que queríamos partilhar este momento com a comunidade, mas em todo o caso, não quisemos  deixar de assinalar este momento  e homenagear estas duas instituições”, disse.

Falando do Centro Social e Paroquial de Vilela, Mariana Machado recordou que esta é uma instituição acarinhada pela comunidade local, que presta um serviço de inegável interesse que mesmo nesta fase e com todos os contratempos não deixou de cumprir com a sua missão.

“São estas instituições que, muitas das vezes, colmatam estas necessidades porque o próprio Estado não consegue colmatá-las”

A autarca referiu, também, que  os idosos do Centro de Dia são muito ativos e habitualmente participam em várias atividades sociais realizadas na comunidade.

Já quanto à Cruz Vermelha – Delegação de Vilela, referiu que a instituição readaptou toda a sua estrutura e funcionamento em função da crise sanitária, criando equipas especializadas para fazer face às situações que foram surgindo, apoiando, por outro lado, a Junta de Freguesia na entrega de alimentos a famílias carenciadas e no apoio psicológico, através do seu departamento psicológico.

Mariana Machado manifestou, também, que é conhecida a sua ligação às coletividades, referindo-se a estas instituições como preponderantes na afirmação social e associativa de qualquer comunidade.

“Além de autarca sou também socorrista na Cruz Vermelha – Delegação de Vilela há cerca de 12 anos pelo que é conhecida esta minha ligação às associações locais. Creio que qualquer político só tem a real noção das necessidades da comunidade se conhecer essas mesmas necessidades”, expressou, sustentando que muitas vezes as coletividades e as instruções locais substituem-se ao próprio Estado na entreajuda aos utentes e aos agregados familiares mais fragilizados.

“São estas instituições que, muitas das vezes, colmatam estas necessidades porque o próprio Estado não consegue colmatá-las.  Além destas duas instituições, a vila integra outras coletividades igualmente emblemáticas que prestam um serviço fundamental à comunidade em áreas como a habitação, os escuteiros, associações desportivas e outras. As instituições reforçam o espírito coletivo. Vilela tem orgulho de integrar no seu tecido imensas instituições como a Banda de Viela que é conhecida também a nível nacional e internacional”, constatou.