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Suicídio: coragem ou cobardia?

O suicídio nada mais é que um gesto enigmático que esconde um sem número de fatores que não cabem numa qualquer definição complexa. É um problema grave de saúde pública global, a mais trágica forma de se ver a vida terminada, um grito mudo, uma dor calada, um caminho com um único sentido cuja prevenção e controlo não são de todo fáceis.

Sabe-se, até, que quem atenta contra a sua própria existência não quer efetivamente acabar com a vida mas antes com o sofrimento intolerável e imensurável que encobre a desesperança e incapacita o considerar de outras opções e formas de solucionar os problemas.

A ideia de suicídio é, então, muitas vezes, uma grande consolação! E não é uma decisão repentina, apesar de ser percebida como inesperada, surpreendente e chocante é planeada!

A Organização Mundial de Saúde estima que, em todo o mundo, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio – uma a cada 40 segundos – sendo este um flagelo da sociedade contemporânea que é a segunda principal causa de morte entre os jovens (15-29 anos), mais prevalente nos homens e que se consuma, na maior parte das vezes, sob a forma de enforcamento, envenenamento ou pelo uso de armas de fogo.

É importante entendermos que, a probabilidade de uma pessoa cometer suicídio varia num contínuo que contempla ideação suicida – pensamentos acerca da possibilidade de cometer o suicídio; tentativa de suicídio – gestos auto-destrutivos não fatais e suicídio – que resulta em morte.

Face a qualquer um destes grupos, creio que a questão à qual gostaria de saber uma resposta se prenda com o que motiva alguém a pôr termo à sua própria vida.

Eis alguns factores de risco que aumentam essa probabilidade:

• Psicopatológicos – sofrer de depressão, esquizofrenia, alcoolismo, toxicodependência ou distúrbios de personalidade; estar sujeito a modelos de suicídio: familiares ou amigos; ou ter tentado já previamente fazê-lo;

• Demográficos – ter-se deparado com modificações no seu sistema familiar por separação, divórcio ou viuvez ou por estar a viver com doenças com prognóstico reservado como cancro ou HIV;

• Psicológicos – sentir culpabilização elevada por ações do passado, ter perdido pessoas significativas, ter experienciado alguma humilhação recente ou não antever projetos de vida para si mesmo;

• Sociais – estar desemprego e perante dificuldades financeiras; ter emigrado ou entrado na reforma; carecer de apoio familiar ou social.

Vejamos também sinais de alerta a ter em consideração:

– tornar-se uma pessoa depressiva, melancólica – apresentar uma grande tristeza, pessimismo e chorar sistematicamente;

– utilizar expressões verbais tais como: “apetece-me desaparecer”, “vou acabar com tudo”, já nada importa”;

– revelar alterações de comportamento marcadas por impulsividade, agressividade ou

automutilação;

– desfazer-se de objetos ou bens pessoais valiosos, dizer adeus como se não voltasse a ser visto e fazer despedidas;

– manifestar dificuldades de integração e socialização, afastando-se ou isolando-se;

– sentir insónia persistente e falta de apetite;

– consumir álcool, droga ou fármacos indiscriminadamente.

É provável que reconheça em si próprio ou em alguém alguns destes sinais, ainda assim, importa referir que são apenas exemplos que poderão indiciar que algo não está bem.

Não obstante, quanto maior o número de sinais com que se identificar, maior poderá ser também a necessidade de pedir ajuda.

Onde procurar esse apoio?

SOS Voz Amiga – 213544545/ 800202669

Telefone da Amizade – 228323535

SOS – Serviço Nacional de Socorro – 112