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Deputado penafidelense criticou na Assembleia da República “quadro de indefinição, desorientação, inação”, para o próximo ano letivo

O deputado penafidelense António Cunha criticou, esta quinta-feira, na Assembleia da República o ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues, acusando-o de “transferir” para escolas “a responsabilidade de organizarem o ensino à distância com meios informáticos obsoletos”.

“O surto epidémico da COVID19 impôs medidas de distanciamento social e provocou alterações na vida das nossas comunidades educativas. Estamos em crer que dada a rapidez com que o Ministro da Educação se autoconfinou, estaria mesmo OFF, apesar da propaganda do Estamos ON com as escolas!! O Ministro esteve OFF quando passou para as escolas a responsabilidade de organizarem o ensino a distância com meios informáticos obsoletos. Esteve ON quando pediu que fizessem o levantamento, dos alunos que não possuíam meios informáticos para acederem ao ensino à distância. Mas esteve OFF quando nem um, repito nem um computador foi cedido pelo Ministério da Educação às escolas para entrega aos alunos mais carenciados!!” disse, salientaram que aqui “estiveram ON as autarquias que tudo fizeram para proporcionar os equipamentos em falta aos alunos!!”.

António Cunha relevou, também, o trabalho dos professores que não abandonaram os alunos à sua sorte.

“Estiveram também ON os professores que não abandonaram os alunos à sua sorte e, com os seus computadores, com os seus tablets, com a sua internet fixa ou móvel, com as chamadas dos seus telemóveis, com a sua energia elétrica asseguraram o ensino à distância desde as suas casas ou desde os seus carros algures no cimo de algum monte com rede banda larga!! Às suas custas!!!”, frisou, questionando o titular da pasta da cultura de quantos alunos ficaram para trás.

“Mesmo assim, quantos alunos terão ficado para trás, ou porque não tinham computador, ou porque não tinham cobertura de internet nas suas casas ou porque não se adaptaram ao ensino à distância ou porque os seus encarregados de educação tiveram de optar entre a despesa acrescida de equipamentos para o Ensino à Distância e a comida na mesa?? Mas calma! O milagre digital, o vamos ficar todos bem nas escolas, em casa e pelo caminho está aí à distância de um anúncio. O Sr. Primeiro Ministro fez saber em abril que tinha o objetivo claro de iniciar o próximo ano letivo assegurando o acesso universal à rede e aos equipamentos a todos os alunos do ensino básico e secundário! Afirmou aqui que a escola “já nunca mais será a mesma”, porque “mais digital, onde os recursos digitais vão começar a fazer parte das ferramentas de trabalho do quotidiano entre aluno e professor”, “aconteça o que acontecer”.” Avançou, deixando mais uma pergunta:

“Afinal, o que se sabe sobre a anunciada chegada da revolução digital à escola portuguesa?? Senhoras e Senhores Deputados, e quem nos ouve em casa, para que conste, a promessa de dotar as escolas dos meios tecnológicos indispensáveis já fora anunciada em 2016, mas foi cativada!! Foi repetida no OE de 2020 e é agora, de novo, enunciada pelo PEES, o Programa de Estabilização Económica e Social, mas receio que volte a levar com os pés. Sobre isto, a dois meses do arranque do próximo ano letivo sabemos que nada sabemos!! Sabemos que não se vislumbra qualquer concretização da universalização do acesso às ferramentas digitais, nem da distribuição de computadores pelos alunos e pelas escolas!”, constatou.

Na sua intervenção, António Cunha afirmou que “paira sobre o arranque do próximo ano letivo, “um quadro de indefinição, desorientação, inação e de incerteza”.

O deputado manifestou que todos desejam um regresso à normalidade ao ensino presencial nas escolas, mas criticou novamente o Governo por não saber o que é fechar um ano letivo e arrancar com outro nas escolas.

“Pensamos saber que o Plano A do Governo passa, pela abertura do ano letivo entre 14 e 17 de setembro porque, diz o Sr. Ministro, dá tempo de preparação à comunidade educativa!! Mas então não teremos de 01 e 07 de setembro a segunda fase dos exames nas escolas??! Vê-se que o Sr. Ministro não sabe o que é fechar um ano letivo e arrancar com outro nas escolas!  O governo anunciou também que as cinco primeiras semanas seriam para a recuperação das aprendizagens, mas espantosamente mandou recolher os manuais escolares cedidos às famílias!! Para o arranque do próximo ano letivo, temos afinal um Plano A pobre que pouco nada refere!! Mas não deviam as escolas estarem já a prepara-se para um plano B ou ainda um plano C dado o número de infetados que tem vindo a aumentar? Nada disso! Senhoras e Senhores Deputados, o Ministério da Educação vai recorrer à “a velha receita” de empurrar para as escolas e para os seus diretores “soluções” de difícil operacionalização sem lhes confiar os instrumentos e recursos necessários. E se as coisas não correrem bem, talvez o Ministro da Educação apareça para anunciar visitas da inspeção às escolas”, constatou.