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Autarcas da região assumem que ferrovia do Vale do Sousa é um investimento preponderante

Fotografia: CIM Tâmega e Sousa

Os autarcas da região do Vale do Sousa, Pedro Machado, da Câmara de Lousada, Nuno Fonseca, Felgueiras e Humberto Brito, da Câmara de Paços de Ferreira assumiram, esta segunda -feira, num debate promovido online pela direção da Federação Distrital do PS Porto, que a linha do Vale do Sousa é um projeto estruturante para toda a região.

Neste debate que contou com a presença do secretário de Estado das Infraestruturas, encerramento estará a cargo de Jorge Delgado e foi coordenado por Manuel Pizarro,  o chefe do executivo da Câmara de Paços de Ferreira foi mais longe e assumiu a necessidade do projeto se concretizar de imediato.

“A região já atravessou sete quadros comunitários e continuamos na cauda de Portugal. Por isso, e ao contrário do meu colega de Lousada e Felgueiras, bater-me-ei para que este projeto seja realizado já. Se não for o atual Governo do PS nunca mais este projeto será concretizado. Só com o atual Primeiro-Ministro e o ministro das Infraestruturas este projeto poderá ser concretizado. Se não aproveitarmos esta janela de oportunidade que a União Europeia deu a Portugal que tem três vetores, as alterações climáticas, a redução dos efeitos Gases de estufa, e com a competitividade e os 26 mil milhões de euros que estão previstos para Portugal se não for agora não acredito mais que este projeto se concretizará.  Sou um autarca reivindicativo e impulsivo em algumas das tomadas de decisão, espero que aquilo que o ministro da Infraestruturas se concretize e assine um protocolo para a realização da ferrovia”, disse

Neste processo, Humberto Brito recordou as dificuldades e a resistência que foi necessário vencer, quando em 2015, foi entregue o manifesto, em Paços de Ferreira, ao ministro Pedro Marques, então, ministro do Planeamento e das Infraestruturas que terá suscitado algumas dúvidas.

“Lembro-me bem das reticências que o Pedro Marques, na altura, levantou. Ao longo do tempo foi necessário vencer o preconceito da orografia. Lembro-me bem das pessoas afirmarem que comboio não podia subir a serra da Agrela”, referiu, salientando que este já não é um projeto só do PS, mas de âmbito nacional.

“Este não é um projeto do PS, da pessoa A, B ou C, este é um projeto da região e diria mesmo nacional”

“Este já não é um projeto do PS. O  PSD já tem o projeto no programa eleitoral curiosamente quando foi dos primeiros a não manifestar-se profundamente de acordo e hoje o atual presidente do PSD apoia a construção desta linha, assim como o Bloco de Esquerda. No dia 15 de Dezembro de 2018, num debate, em Paredes, todos os partidos políticos apoiaram a construção desta linha. Ou seja, este não é um projeto do PS, da pessoa A, B ou C, este é um projeto da região e diria mesmo nacional e sendo um projeto nacional claramente que estão reunidas as condições para com um Governo do PS, atento a suprir as necessidades da população e às legítimas avançar com o mesmo no sentido de melhorar a qualidade de vida dos seus concidadãos. Neste território, de forma especial, porque é um território com muitas dificuldades, somos o mais pobre de Portugal, infelizmente, e por isso são necessários estes investimentos estruturantes para nos colocar em menos desigualdade face a outros territórios”, avançou, lamentando que o autarca de Valongo, José Manuel Ribeiro, um dos autarcas que esteve na criação da linha não pudesse ter estado presente nesta ação.

“Tenho pena que hoje não esteja cá o José Manuel Ribeiro porque também foi um dos presidentes de câmara que deu o seu corpo e a sua alma a esta projeto e creio que era importante que ele participasse. Não obstante isso, queria enaltecer o teu trabalho enquanto presidente da Federação para que este projeto fosse lançado e quem atribui o nome da linha do Vale do Sousa foste tu quando ainda era um projeto, uma ideia e uma ambição”.  

“Com o comboio espero que todos possam vir a Felgueiras provar o pão-de-ló e o vinho verde”

Também o presidente da Câmara de Felgueiras, Nuno Fonseca, defendeu a importância estratégica e económica do projeto para a região.

“Sou um acérrimo defensor desta linha e no meu manifesto defendia já a ligação até Felgueiras. Esta linha faz sentido e terá que acontecer no mais curto espaço de tempo. Com o comboio espero que todos possam vir a Felgueiras provar o pão-de-ló e o vinho verde e os fantásticos sapatos e camisas que temos. A utopia será se não estivermos unidos. Este projeto não pode ser visto como um sonho. Temos os pés assentes no chão. A eletrificação tem de estar numa primeira fase em cima de mesa, mas a primeira linha que terá de ser feita é a do Vale do Sousa tendo em conta a sua rentabilidade e aquilo que vai dar ao território. Esta é uma zona cinzenta, mas cujo contributo para a economia nacional representa muito”, afirmou.

Fotografia: Câmara de Lousada

“Na última década Portugal e a região perderam população e Lousada, Paços de Ferreira e Felgueiras viram a sua população crescer. Estes três municípios a par do de Paredes são dos mais jovens de Portugal continental”

Pedro Machado, presidente da Câmara de Lousada, destacou que este não é um projeto qualquer, sendo uma infraestrutura determinante para esta região e um projeto exequível, necessário, sustentável.

O autarca reconheceu, também, que existe um ambiente político favorável para a sua concretização, apontando  a vitalidade demográfica que esta sub-região tem como sendo um fator determinante para a sua execução,

“Na última década Portugal e a região perderam população e Lousada, Paços de Ferreira e Felgueiras viram a sua população crescer. Estes três municípios a par do de Paredes são dos mais jovens de Portugal continental. Os únicos concelhos da região que têm mais jovens do que idosos são Lousada, Paredes, Paços de Ferreira e Penafiel. Lousada é o concelho de Portugal com menor índice de envelhecimento. Existem condições para a expansão da rede ferroviária e se há projeto que faz sentido é este porque aqui há pessoas, há juventude e há uma dinâmica territorial importante”, atalhou, sublinhando que existem índices de desenvolvimento que é preciso corrigir.

“Com este projeto os transportes públicos sairiam reforçados e contribuiriam determinantemente para a coesão social. Quando esta linha do Vale do Sousa se concretizar vai permitir a acessibilidade que neste momento é difícil mesmo dentro da CIM. Em Lousada os movimentos pendulares são com Felgueiras, Paços de Ferreira e depois com o Porto e este projeto assenta que nem uma luva. Ninguém questiona a vitalidade deste projeto para a região e não vejo no país outras regiões onde seja tão evidente esta necessidade. Sabemos todos que a ferrovia é sustentável do ponto de vista ambiental. O transporte está na moda e bem e é defendido pela própria União Europeia e por este Governo pela aposta determinante nesta ferrovia. É um projeto viável do ponto de vista económico. O investimento necessário para a sua construção não tem expressão quando comparado com outros grandes projetos. É igualmente sustentável do ponto de vista da exploração porque é aqui que há pessoas. É um projeto que a médio/longo prazo será sustentável”, acrescentou.

“Este é um projeto que será brevemente uma realidade até porque temos tido provas da dedicação que o Governo tem votado à ferrovia e da importância desta para o desenvolvimento do país”

Cristina Vieira , presidente do Marco de Canaveses, relevou, igualmente, a importância de materializar a Linha do Vale do Sousa, assumindo que este investimento não é uma utopia e a curto prazo será implementado.

“Este é um projeto que será brevemente uma realidade até porque temos tido provas da dedicação que o Governo tem votado à ferrovia e da importância desta para o desenvolvimento do país. Vamos ter a possibilidade de reabilitar a linha do Tâmega, Livração/Amarante e onde está contemplado o Marco de Canaveses. Esta linha tem uma elevada importância turística, mas também na mobilidade na região. Queria reforçar a importância da quadruplicação do troço entre Ermesinde e Contumil, o urgente controlo automático das circulações entre Marco de Canaveses e Caíde. Entre Livração e Caíde vão existir quatro comboios por hora nas horas de ponta em cada sentido. Como existe apenas uma via única vão haver constrangimentos e é necessário ter isso em atenção. Está prevista a aquisição de 14 comboios iguais aos que já estão a circular, o que sugiro é que na compra destes comboios pudessem comprar comboios de dois andares”, afiançou.   

Armanda Fernandez, líder da concelhia do PS Paços de Ferreira, manifestou, igualmente, ser a favor da sua construção, observando que  o projeto está integrado no Plano Nacional de Investimentos e que há verbas disponíveis.

“A questão é se será exequível em curto espaço. Todos queremos saber se isto vai andar para a frente e que tempo levará.  Toda esta linha até Felgueiras é uma linha que tem um tecido empresarial forte, gostava de saber se nesta linha está prevista o transporte de mercadorias esse está previsto algum cais de carga, embarque para as mercadorias”, conformou.

“Espero que este projeto seja agarrado como um antibiótico para solucionar alguns problemas endémicos que estão diagnosticados”

José Santalha, presidente da Comissão Politica Concelhia do PS Lousada, alinhou pelo mesmo diapasão.

“Espero que este projeto seja agarrado como um antibiótico para solucionar alguns problemas endémicos que estão diagnosticados. É um projeto que tem pernas para avançar  e com valores baixos  que vai abranger uma população de meio milhão de pessoas. Felgueiras e Paços de Ferreira não conseguem ter mão-de-obra para-as necessidades que têm e precisam de uma forma de captar mão-de-obra especializada. Tendo em conta a aposta que o Primeiro-Ministro e o ministro das Infraestruturas estão a fazer e bem na ferrovia, espero bem que isto não seja uma utopia e que seja de facto uma obra para avançar a curto prazo”, anuiu.

Marcos Silva, presidente da Comissão Política do PS Felgueiras, relevou a importância deste investimento, assumindo tratar-se de um projeto fundamental para a região.

“Somos muitas vezes classificados como uma zona cinzenta, nem somos litoral, nem somos interior, mas somos das regiões  mais pobres do país, mas também somos uma das regiões que mais produz e mais exporta . Esta infraestrutura irá desenvolver a região. A colocação deste tema na agenda política é oportuno e chegou a altura desta região se afirmar e só uma infraestrutura como esta é capaz de retirar  a região do Tâmega e Sousa da cauda da Europa a nível de pobreza. Acredito neste projeto que o Governo e a comunidade europeia irá olhar para este projeto com outros olhos. O Governo tem e dar esse sinal claro e inequívoco que esta região é importante para todos. Os autarcas, os presidentes das comissões políticas querem a sua construção e estão todos coesos nesse propósito”, avançou.

Já Hugo Carvalho, da Comissão Politica de Amarante, manifestou que não serve de muito dizer que esta é uma região com os invocadores mais pobres da Europa se não for capaz de concretizar investimentos âncora para o desenvolvimento desta região.

“A mobilidade e a mobilidade ferroviária é no contexto atual um eixo estratégico para o desenvolvimento de toda esta região. Esta questão só se coloca me cima da mesa porque temos um Governo que rompeu por completo com o paradigma de não investir na ferrovia”, asseverou.