Novum Canal – Sempre novum, sempre seu.

Novum Informação – Noticias da região

Autarca de Valongo critica direção da Federação do PS Porto de o “excluir” de debate sobre Linha do Vale do Sousa

Fotografia: Por uma Federação onde Todos têm Voz

O presidente da Câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro, criticou, em carta aberta dirigida aos militantes do PS Porto a direção da Federação do PS Porto, liderada por Manuel Pizarro, e recandidato às eleições para a estrutura federativa, de o ter sido “excluído” do debate online, realizado esta segunda-feira, subordinado ao tema: “Linha do Vale do Sousa: Projeto ou Utopia?”.

Na carta aberta que rotulou contra o “sectarismo no Porto” e que se encontra disponível na página do facebook “Por uma Federação onde Todos têm Voz”, José Manuel Ribeiro lamentou que o município de Valongo, um dos cinco municípios envolvidos no projeto entregue ao Governo, não tenha podido dar o seu contributo.

“Ora, muitos militantes socialistas do Distrito do Porto, conhecedores de toda a luta pela defesa de uma nova linha ferroviária para o Vale do Sousa, foram surpreendidos com a divulgação de uma iniciativa institucional online para o dia 22 de junho, organizada pela direção da Federação Distrital do PS Porto, subordinada ao tema “Linha do Vale do Sousa: Projeto ou Utopia?”, com a particularidade de excluir do debate, o município de Valongo, um dos 5 municípios envolvidos no projeto entregue ao Governo. Para além da proposta de linha do Vale do Sousa atravessar parte do território de Valongo e ter o seu primeiro entroncamento com a linha do Douro neste território, estivemos sempre presentes com os municípios de Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras, neste decisivo projeto de mobilidade para uma das regiões mais fortemente industrializadas do país, e para a qual tenho vindo a defender uma Operação de Desenvolvimento Integrado, alargada ao Baixo Tâmega”, lê-se na carta aberta.

O autarca valonguense declarou que o concelho de Valongo, “independentemente de qualquer lápis azul, esteve, está e estará sempre ligado à futura linha ferroviária do Vale do Sousa”, recordando que “em 27 de julho de 2018 subscreveu o manifesto em defesa da linha do Vale do Sousa, que foi entregue ao então Ministro das Infraestruturas Pedro Marques; em 10 de dezembro de 2018 participou em Rebordosa, concelho de Paredes, na muito bem organizada Conferência sobre a mobilidade como factor de coesão territorial, num painel com os municípios de Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras;  em 3 de abril de 2019 reuniu, com os mesmos 5 municípios, com o atual Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, bem como no mesmo dia com o senhor Primeiro Ministro de Portugal, António Costa, a quem entregamos em conjunto um estudo para esta nova linha ferroviária e em 17 de dezembro de 2019 reuniu novamente numa delegação com os municípios de Paredes, Paços de Ferreira, Lousada e Felgueiras, com o senhor Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, que assumiu nessa reunião o compromisso de realização de um protocolo com as Infraestruturas de Portugal para a elaboração do projeto para a nova linha”.

Na carta aberta, José Manuel Ribeiro referiu, também, que “já no corrente mês de junho de 2020, quando subscreveu com os mesmos cinco municípios, um novo pedido de audiência ao senhor Ministro das Infraestruturas para avaliação do ponto de situação do processo”.

O autarca valonguense e candidato à Federação Distrital do PS Porto acusou a direção do PS Porto de “excluir propositadamente um dos municípios sempre envolvido no processo”, confirmando ter sido vítima de “atitude antidemocrática, discriminatória, sectária para não dizer estalinista”.

“De facto, esta iniciativa da direção distrital, que envolve a presença de um membro do Governo, visa excluir propositadamente um dos municípios sempre envolvido no processo, que mesmo sendo gerido pelo mesmo partido dos restantes municípios – Partido Socialista – é vítima, com clara intenção, de uma atitude antidemocrática, discriminatória, sectária para não dizer estalinista. Pela segunda vez sou obrigado a recordar-te que os estatutos e o regulamento eleitoral interno do Partido Socialista, para além de obrigarem à imparcialidade dos órgãos em funções durante os períodos eleitorais, impõem igualmente um conjunto de princípios e regras éticas mínimas nas práticas políticas do PS, quer interna quer externamente. É lamentável esta atitude, pois “apagar” das fotografias camaradas não faz parte do património do nosso partido, e por outro lado revela uma cultura política que convive mal com a democracia interna e com o direito de participação livre na definição do futuro coletivo do PS Porto”, acrescentou, sustentando que “estes episódios reprováveis só nos dão mais força e determinação para continuar a lutar por uma Federação do PS Porto onde todos têm Voz, que respeite e pratique os nossos valores de sempre, a Liberdade, a Democracia, a Participação e a Justiça. De facto, é muito diferente crescer num partido tendo como referência basilar Mário Soares, e o seu apego aos princípios e valores da democracia e da liberdade!”.

O Novum Canal contactou a Federação do PS Porto com o objetivo de obter um esclarecimento sobre a situação mas, até ao momento, e apesar das tentativas efetuadas, não obteve qualquer resposta.