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Presidente da Associação de Desenvolvimento e Apoio Social – Fonte de Solidariedade elege harmonia e economia social como metas a promover

O presidente da direção da Associação de Desenvolvimento e Apoio Social – Fonte de Solidariedade, com sede em Fonte Arcada, concelho de Penafiel, Abílio Sousa,  assumiu, este sábado, no decorrer da tomada de posse órgão sociais da instituição, que as instituições de solidariedade social terão um papel relevante a desempenhar no contexto do desconfinamento que a região e o país estão a viver.

Em declarações ao Novum Canal,  Abílio Sousa concretizou mesmo que estas instituições têm um papel relevante na componente de apoio à família, tendo relevado o trabalho que o executivo municipal tem vindo a realizar no âmbito da rede social em articulação com as demais instituições particulares de solidariedade social e associações do território.

“É a conjunção de sinergias entre as várias associações e instituições que o concelho integra que tem permitido intervir em vários domínios. Verifica-se que há uma necessidade grande de agregar as valências de cada uma, porque cada instituição tem a sua identidade e fazê-las chegar junto das comunidades, dos agregados e dos mais carenciados, não as limitando ao espaço de cada instituição particular de solidariedade social porque as necessidades e as dificuldades extravasam o limites territoriais. O pós-Covid irá trazer uma alteração de todo o paradigma psicológico de relacionamento e mesmo no apoio às crianças. Como referiu e muito bem o engenheiro Manuel Almeida dos Santos, presidente do Conselho Consultivo.  As crianças são as principais lesadas desta crise sanitária e vão ficar marcadas por esta situação de pandemia onde são necessários não apenas os bens de primeira necessária, mas também o apoio psicológico”, disse.

Falando da tomada dos órgãos sociais e dos desafios que terá pela frente, Abílio Sousa reconheceu que presidir a esta instituição é um desafio.

“Consegui agregarar grupos de trabalho em diversas áreas que vão desde o conhecimento, o saber, o ensino, da saúde, do apoio económico, do apoio ao sobre-endividamento das famílias que vai seguramente afetar muito brevemente muitos agregados familiares. Dispomos de um projeto fortíssimo que irá, como disse, extravasar os limites da freguesia de Fonte Arcada. A minha meta e o meu foco passa  pela aposta na economia e na harmonia social”, avançou, sustentando que uns dos objetivos imediatos da sua direção será o levantamento dos bens de primeira necessidade e serviços para distribuir  pelos agregados mais frágeis da freguesia, sendo propósito da coletividade fazer um levantamento concelhio e regional e proceder à  implementação de consultas em regime de voluntariado aos carenciados.

Abílio Sousa apontou, também, a criação de uma escola de música, um projeto do maestro  Francisco Monteiro, direcionado para as crianças carenciadas, como sendo um desafio a implementar.

“O projeto está já preparado e o objetivo desta escola é transmitir conhecimentos às crianças neste domínio, dar-lhes a conhecer a beleza da música, dar-lhes instrumentos, neste domínio, que lhes permitam evoluir”, frisou.

“Penso que a crise sanitária provocou alterações significativas, Nenhuma sociedade estava preparada para isto, mas temos a sorte de estar num concelho que trabalha bem com as instituições de solidariedade social”

Questionado sobre quantos agregados com dificuldades existem na freguesia e fora da freguesia, o presidente da instituição esclareceu que após tomar posse vai avançar com o tal inventário, reconhecendo que o cenário pós-Covid seguramente que irá fazer disparar as necessidades.

“Penso que a crise sanitária provocou alterações significativas, Nenhuma sociedade estava preparada para isto, mas temos a sorte de estar num concelho que trabalha bem com as instituições de solidariedade social. Penafiel é conhecido pelo dinamismo das suas associações e ipss´s , cada uma nas suas valências com provas dadas, mas todos sonos poucos e há sempre coisas a fazer pelos nossos semelhantes”, acrescentou, assumindo ainda não ter na sua posse elementos quanto ao número de famílias estão a auferir dos mais variados apoios.

“Não estou na posse desses dados. Temos já definidos diversos diretores para as mais variadas áreas, que estão já nomeados, que vão da saúde, do apoio aos refugiados, elementos que trabalharam em organizações não governamentais, contamos com o apoio do presidente do Conselho Consultivo, órgão que foi criado pela minha direção, engenheiro Manuel Almeida dos Santos, que é o diretor da OVAR – Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos, um trabalho de craveira homenageado na Assembleia da República. Contamos também com o apoio de juristas de vários pontos do país, um leque diversificado de personalidades que estão disponíveis e que têm como preocupação única a harmonia e a economia social”, manifestou, reiterando que a instituição quer articular esforços com outras associações e coletividades no sentido de atacar as reais necessidades das pessoas mais carenciadas.

“Já temos protocolos para cabazes alimentares, protocolos com ONG e esta semana têm surgido várias novidades”, atalhou, confirmando que a coletividade quer construir algo que faça a diferença na vida das pessoas e da comunidade.

“As instituições de solidariedade social são a melhor rede que um autarca pode ter”

Hernâni Carvalho, presidente da Assembleia-Geral  da Associação de Desenvolvimento e Apoio Social – Fonte de Solidariedade assumiu que é uma responsabilidade acrescida fazer parte desta coletividade.

“É por várias ordens de razões. Não se conta a história de Portugal sem falar em Fonte Arcada. Quando falo que é uma responsabilidade acrescida digo-o porque sou um homem empenhado com a sociedade, não do ponto de vista da divulgação, mas da ação. Os louros é para quem é profissional da política. Portanto, nessa perspetiva é ainda mais uma responsabilidade”, confirmou, sublinhando que o Estado somos todos nós e que as pessoas quando estão nos lugares estão nos lugares, não são os lugares.

“Portanto, o lugar é feito por cada pessoa. Quando as pessoas vão e vêm de acordo com os ciclos eleitorais, isso é uma coisa. Outra são as pessoas que continuam cá. As instituições de solidariedade social são a melhor rede que um autarca pode ter”, avançou.  

O presidente da Câmara de Penafiel, Antonino de Sousa, enalteceu o facto desta coletividade ter retomado a sua atividade.

“Durante algum tempo não esteve a funcionar e sentimos sempre  como uma perda quando vemos uma instituição que durante tanto tempo se dedicou à comunidade e depois as coisas deixarem  d correr tão bem, obviamente que ficamos tristes. Hoje foi um dia feliz. Verifiquei que tomaram posse nos vários órgãos pessoas com provas dadas na sociedade e a retomarem a atividade. Isso é fundamental, sobretudo, se tivermos em conta que estamos numa fase  muito complexa da nossa vida em sociedade, a passar por uma pandemia que está a ter também consequências graves em ternos económicos e sociais e precisos de ter estas redes disponíveis que são as nossas instituições de solidariedade social. Temos felizmente uma tradição muito positiva de trabalho em rede com as nossas coletividades, foi assim na aplicação das medidas do Plano Municipal Solidário aquando da crise do ajustamento financeiro que o país teve por altura da Troika  e no início da pandemia conseguimos responder de forma mais eficaz e eficiente num esforço que envolveu as ipss´s e as juntas de freguesas e voluntários. Tudo o que dê contributos e mais substância a esta rede é seguramente importante”, concretizou.

Temo que depois desta pandemia surja uma pandemia económica e social porque  o desemprego vai aumentar. Os números recentes que temos que comparam com o período homologo do ano passado referem isso mesmo”

Além da pandemia social, o autarca penafidelense mostrou-se preocupado que depois desta crise sanitária, a região e o país, venham a ser atingidos por uma pandemia social e de cariz económico-financeiro.

“Temo que depois desta pandemia surja uma pandemia económica e social porque  o desemprego vai aumentar. Os números recentes que temos que comparam com o período homologo do ano passado referem isso mesmo. Os dados indicam ainda que o desemprego subiu mais de 30% e isso permite-nos antecipar tempos difíceis e precisamos de ter respostas sociais neste momento de maior dificuldade”, referiu.

“Não estejam à espera do Estado, da Administração Central porque daí não podem contar com muito”

O chefe do executivo aproveitou, também, a sua intervenção para aludir à necessidade do Governo promover uma maior simplificação nos procedimentos e agilização do Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais (PARES).

“O Estado deve obviamente fiscalizar as instituições porque se há dinheiros públicos deve obviamente haver fiscalização, mas o Estado não pode ser apenas um agente fiscalizador. Deve também ser um agente de cooperação, que colabora, que tem proatividade. No programa PARES o que está em causa é a apresentação de candidaturas para as diferentes respostas sociais. O primeiro aviso foi para as creches e, entretanto, outros avisos surgirão para os lares e para outras respostas sociais.  O Estado não devia confortar-se  apenas e só com as candidaturas que são apresentadas porque o grau de exigência é de tal ordem que quem tem capacidade para as formalizar são as instituições que já são as mais fortes. Isso não significa necessariamente que naquele território daquela instituição haja mais necessidade para aquela resposta. O que significa é que como aquela instituição é mais forte tem mias condições para ir a um gabinete de projetos e contratar um bom gabinete, ir a um gabinete de contabilidade e contratar um bom economista e fazer um bom projeto de viabilidade e sustentabilidade financeira. E pode acontecer que uma instituição ao lado, num território mais fragilizado, com mais necessidades não tenha essa capacidade para organizar tão bem a sua candidatura”, asseverou, declarando que o Estado sabe onde estão as fragilidades sociais, por via das cartas sociais que os municípios são obrigados a fazer e a manter e atualizadas, assim como sabe onde estão as instituições.

“Não estejam à espera do Estado, da administração central porque daí não podem contar com muito. Têm é que contar consigo próprios e com a comunidade onde estão inseridos”, precisou.

“As crianças e os jovens não têm poder nenhum na construção da sua vida atual e carecem do nosso apoio”

 Manuel Almeida dos Santos advertiu para a necessidade  da sociedade e das coletividades apoiarem as crianças.

“Quero que a sociedade, aquilo que me dedica a mim, dedique  às crianças e aos jovens. As crianças e os jovens não têm poder nenhum na construção da sua vida atual e carecem do nosso apoio. Esta semana na Assembleia da República enfatizei esta aspeto: é necessário que a sociedade olhe profundamente para o drama das crianças e dos jovens. Todos os anos as comissões de proteção de crianças e jovens divulgam os seus relatórios. Existem 70 mil crianças e jovens em acompanhamento, já sinalizados, fora as que não estão sinalizadas. Têm nome. Este é um drama terrível e obriga a sociedade dedica-se mais atenção do que dedica. Pouco se tem feito. Os recursos humanos das comissões de proteção são insuficientes, as técnicas por muito que façam não conseguem acompanhar os jovens e nós enquanto sociedade não temos dotado de recursos suficientes estas comissões. É a todos nós este repto”, avisou.