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Escolas de dança tentam contornar dificuldades e enfrentar nova realidade

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O Covid-19  e a nova fase de desconfinamento trouxeram também alterações e desafios para as escolas de dança da região. Apesar das dificuldades evidentes e da impossibilidade que muitas escolas sentiram, em especial na fase de confinamento, de ministrarem as aulas  presencialmente, várias foram os estabelecimento que optaram por privilegiar outros canais de comunicação e usufruir das várias plataformas online.

Com a reabertura da economia e de vários setores à sociedade, as escolas de dança procuram, agora, minimizar as dificuldades financeiras que são evidentes nalguns casos e continuar a assegurar a oferta educativa, contribuindo para o desenvolvimento pessoal e artístico dos alunos.

Recentemente foi até criada uma Plataforma Escolas de Dança de Portugal que agrega vários  profissionais do setor, distribuídos por várias escolas nacionais, tendo como metas reivindicar regras e apoios justos e para as escolas de dança, mas também  solicitar que as alterações definidas pela autoridade nacional de saúde sejam adaptadas à realidade do ensino da dança.

Com o objetivo de perceber de que forma é que as instituições ligadas a este tipo de ensino estão a fazer essa adaptação, o Novum Canal auscultou duas escolas da região, uma em Penafiel e outra em Paredes,  já com créditos firmados nesta área.

Bianca Tavares, professora do Conservatório de Dança do Vale do Sousa, instituição de referência na área da dança na Região do Tâmega e Sousa, assumiu que apesar  das dificuldades em conciliar a atividade com o ensino  à distância, a instituição teve de se adaptar a esta nova realidade e mesmo na fase de confinamento manteve-se sempre em articulação com os alunos, pais e encarregados de educação.

“De facto é difícil para uma área como a nossa onde a presença é fundamental, as condições para a prática da dança são muito específicas e não acontecem em casa, pelo que é muito difícil enquadramo-nos nesta realidade do ensino à distância. No entanto, temos feito todos os possíveis para dar resposta como uma situação provisória e de muita excecionalidade”, disse, reconhecendo que os alunos efetivamente começam  a evidenciar algum desgaste e algum cansaço por estarem permanentemente ligados aos computadores e às plataformas digitais, à semelhança do que acontece nas escolas.

“O que se verifica é que os alunos já estão desgastados, estão cansados de estar não só connosco nos computadores e em todas as plataformas digitais, mas também com as escolas. Já estão saturados de todo este processo e muitos acabam por manifestar descontentamento e pedem para regressarmos presencialmente o mais depressa possível. Outros acabam mesmo por suspender a matrícula e dizer que regressam quando voltarmos à normalidade”, revelou, esclarecendo, no entanto, que é preciso distinguir, quando se fala em desistências, entre os alunos que frequentam os conservatórios e os que frequentam os chamados cursos livres.  

“No que diz respeito à desistência de alunos é preciso distinguir o tipo de escola porque há alunos que podem desistir e outros alunos não podem desistir por muito que até quisessem. Ou seja, aqui o que se trata é de escolas oficiais e numa escola oficial os alunos não podem desistir a meio do ano letivo e o Conservatório de Dança do Vale do Sousa é uma escola oficial com ensino do curso oficial da dança, pelo que esses alunos não podem desistir e estão sujeitos a uma carga horária adaptada ao ensino à distância, mas têm aulas diariamente. Os outros alunos que fazem parte do curso livre, esses efetivamente podem desistir, avançou, sustentando que o Conservatório de Dança do Vale do Sousa encerrou no dia 13 de março.

Fotografia: Conservatório de Dança do Vale do Sousa

Sobre a reabertura do Conservatório, Bianca Tavares clarificou que também existem duas situações: as escolas oficiais que  só tem autorização para abrir a partir de setembro e os cursos livres.

“No entanto, o Conservatório tem as duas valências, o ensino oficial e que está encerrado, não pode ainda abrir e tem a outra vertente que são o cursos livres, a ocupação  dos tempos livres durante a interrupção letiva e nesse âmbito estamos a preparar a reabertura para o mês de julho”, frisou.

Quanto à adaptação à nova realidade, Bianca Tavares anunciou a instituição teve de operar uma adaptação de toda a estrutura.

“Ou seja, fomo-nos adaptando já a decorrer toda esta realidade tão diferente e por isso estamos a utilizar a plataforma Teams e o Zoom para poder dar aulas presenciais. Houve aqui uma adaptação de toda a estrutura do que é o Conservatório, nomeadamente no que diz respeito ao que é o seu projeto educativo e àquilo que nos propomos fazer. Houve aqui uma adaptação a muitas excecionalidades que vivemos neste momento”, concretizou.

Sobre o uso das plataformas digitais, a professora esclareceu que são poucas as que não estão a recorrer às plataformas online, recordando, no entanto, que as sessões via internet, não substituem aulas presenciais.  

“Na nossa realidade não é de todo viável que assim seja. Basicamente propusemo-nos manter os alunos dentro daquilo que é possível, mas em termos de evolução física e de evolução técnica foi tudo suspenso porque basicamente foi manter o que nos foi possível à distância. Por isso, é impensável que este ensino  possa continuar desta maneira”, atalhou.

“Há de facto um impacto financeiro significativo, acredito que haja escolas que estejam a passar por uma crise muito grande. Sei que há escolas que nem condições têm sequer para voltar a abrir”

Questionada sobre os impactos financeiros que a crise sanitária provocou nas escolas de dança, a professora do Conservatório de Dança do Vale do Sousa concordou que esttes são  significativos. como em qualquer empresa.

“No caso do Conservatório, como referi, é uma escola oficial e que é financiada pelo Ministério da Educação, ou seja, toda essa componente manteve-se intacta por isso os alunos não pagam  a parte do ensino e isso foi mantido. A outra parte do Conservatório que é a parte relacionada com os cursos livres ou com a parte do curso que não é financiada, por exemplo, durante a iniciação, o Conservatório optou por fazer uma redução do pagamento das mensalidades a 50% para evitar saídas e por entendermos que o nosso serviço que nos propusemos fazer não era o mesmo, não era com a mesma qualidade. Nós de facto podemos continuar a ensinar, mas não podemos corrigir da mesma maneira quando as aulas são presenciais. Há de facto um impacto financeiro significativo, acredito que haja escolas que estejam a passar por uma crise muito grande. Sei que há escolas que nem condições têm sequer para voltar a abrir”, concretizou.

Fotografia: Conservatório de Dança do Vale do Sousa

Confrontada, também, se as escolas de dança vão conseguir a curto/médio prazo inverter e minimizar a situação a que estiveram votadas durante vários meses, Bianca Tavares admitiu que é ainda uma incógnita.

“Não sabemos.  Se isto tiver sido de facto este período excecional e se as coisas começarem a reabrir e possamos começar a fazer a nossa atividade, acredito que algumas escolas consigam reerguer-se. Noutros não. Se tudo isto voltar a acontecer se tivermos de voltar a estar em casa a dar aulas online acho muito difícil que muitas escolas, principalmente as de dimensão pequena, consigam sobreviver”, expressou.

“As escolas oficiais tem outro tipo de suporte, de regulamentação, de estrutura que as escolas de cursos livres, de atividades extracurriculares não têm”

Já quanto à criação da Plataforma Escolas de Dança de Portugal  que reúne vários estabelecimentos de ensino ligados ao ensino da dança, Bianca Tavares reconheceu que a sua criação é um dado positivo, mas não abrange o Conservatório de Danças do Vale do Sousa dado que este está integrado numa associação de escolas e professores do ensino artístico especializado.

“Ou seja, as escolas oficiais tem outro tipo de suporte, de regulamentação, de estrutura que as escolas de cursos livres, de atividades extracurriculares não têm. Esta plataforma no fundo, está a dar algum tipo de suporte e de visibilidade a este tipo de  escolas o que não é o caso do Conservatório porque está associado a outro tipo de estrutura. As escolas de atividade extracurriculares não têm um ministério que os regule nem sabem bem onde pedir ajuda e por isso acabam por ficar um pouco perdidos. A plataforma sem qualquer dúvida que vem ajudar porque vem unir. Foi feita uma petição e até foram ouvidos  pelo assessor do Presidente da República e acredito que seja uma mais-valia para o setor da dança em geral”, manifestou.

Bianca Tavares esclareceu, também, que o Conservatório de Dança do Vale do Sousa está numa fase de seleção de alunos para o próximo ano letivo para o curso oficial especificamente a partir do quinto ano de escolaridade.

“Os alunos que queiram  integrar o curso oficial de dança em regime articulado para o 5.º ano de escolaridade, o processo de seleção dos alunos que normalmente é presencial estar a ser feito online. É muito difícil avaliarmos alunos online por fotografias e por vídeos, mas esse é o procedimento que está a ser a ser utilizado neste momento”, confirmou.

“Reabrimos há cerca de 15 dias, com um número de alunos satisfatório do pré-escolar, mas na fase do confinamento mantivemo-nos sempre em contacto com os alunos e os pais através de mensagens”

Ana Paula responsável pela Academia de Dança e Artes do Palco Lampadinha, situada em Penafiel, instituição que completa no dia 1 de setembro 36 anos de existência, realçou que logo que surgiram as primeiras notícias que apontavam para a disseminação do coronavirus, a Lampadinha suspendeu as suas atividades, tendo os alunos e os professores estado confinados.

“Reabrimos há cerca de 15 dias, com um número de alunos satisfatório do pré-escolar, mas na fase do confinamento mantivemo-nos sempre em contacto com os alunos e os pais através de mensagens. Quando reabrimos, cumprimos com todas as regras que foram definidas pela autoridade nacional de saúde, auscultamos a opinião dos pais. Aqueles  que optaram por manter os seus filhos recolhidos, a Lampadinha manteve na mesma uma ligação com eles, promovendo as aulas através das videochamadas”, acrescentou, admitindo que a crise sanitária provocou alterações significativas, nada vai ser igual ao que era, tendo relevado o comportamento dos portugueses quer na fase de confinamento quer na fase de desconfinamento.

Quanto ao futuro e à capacidade do setor reagir à situação débil que defrontou, Ana Paula declarou que a academia está a ponderar como irá trabalhar a partir de setembro, tendo, em todo este processo, seja na fase de confinamento e desconfinamento, tido sempre como prioridades a segurança e o bem-estar quer dos alunos quer dos demais intervenientes que colaboram na academia.

Falando ainda das medidas de segurança que foram adotadas, Ana Paula anunciou que os ginásios foram divididos em quadrados, foram implementadas medidas de higienização e segurança, desinfetados e arejados todos os espaços da academia e adotadas outras medidas.  

 A responsável pela Academia de Dança e Artes do Palco Lampadinha revelou, também, que a instituição depende dela própria, não depende de apoios, é uma instituição privada educativa, formativa e artística, “nas áreas da Dança, Música, Expressões Musical e Dramática, Teatro, Teatro Musical, Canto, Técnicas e Produção de Som”, com uma situação estável.

Sobre a instituição, Ana Paula clarificou que a Lampadinha  é caracterizada como “Ensino Supletivo”, onde os alunos “completam o seu percurso escolar normal, paralelo ao artístico, desde muito cedo, tendo como meta o desenvolvimento pessoal e artístico do aluno, mas também o desenvolvimento integral do educando, seja intelectual, motor e afetivo mais harmonioso e uma maior sensibilidade pelas artes”.

Ana Paula afirmou, ainda, que a Lampadinha desenvolve um trabalho “com base na pedagogia e psicologia de infância e juventude que, paralelamente, dá formação artística, desde tenra idade, como também estimula os seus alunos mais novos a aprender, brincando e vivenciando” e tem alunos que são profissionais de dança, música e teatro espalhados por várias partes do globo, desde Londres, Amesterdão, Barcelona, Madrid, Nova York, Paris, entre outros.

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