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“Se falarmos da economia predominante do concelho – fabrico de mobiliário – as médias empresas viram as suas exportações caírem abruptamente… ”, presidente da Associação de Empresas de Paredes.

Fotografia: ASEP

O presidente da Associação de Empresas de Paredes (ASEP) , Pereira Leite, manifestou, em declarações ao Novum Canal, que a nova realidade  empresarial criada na sequência da crise sanitária Covid-19,  alterou a realidade das empresas, com especial gravidade das médias empresas do mobiliário, que viram as exportações caírem abruptamente.

“Se falarmos da economia predominante do concelho – fabrico de mobiliário – as médias empresas viram as suas exportações caírem abruptamente, as grandes feiras internacionais canceladas, o que tem reflexos diretos na solidez financeira das empresas.  Por sua vez, as microempresas ligadas a este setor, são subcontratadas pelas pequenas e médias empresas. Como as exportações sofreram uma queda abrupta vendo-se com as encomendas suspensas ou adiadas, algumas delas, com esforço acrescido direcionaram a sua atividade para o mercado online”, adiantou.

Pereira Leite, questionado  sobre o atual cenário que caracteriza as empresas da área de influência da ASEP manifestou que o quadro não diverge do da realidade do resto do país.

“A realidade do concelho não foge á regra do que se passa no resto do país, na Europa e    no mundo. É uma realidade de apreensão e de reação a uma situação inesperada e de bloqueio, a qual exige dos empresários uma liderança assente em capacidades de resiliência, resolução, retorno, reimaginação e reforma. Contudo, esta nova realidade empresarial  está a potenciar novas formas de estar no mercado, a valorizar o conceito de  estratégia  de forma a repensar as empresas, recuperar receitas, reconstruir as operações e a acelerar, como nunca visto,  a adoção de medidas digitais”, disse, numa reação impacto da pandemia Covid-19 nas empresas do território e ao Programa de Estabilização Económico Social apresentado recentemente pelo Governo.

“Penso que o papel das instituições, nomeadamente das Associações Empresarias, vai ganhar uma relevância acrescida para fomentar a criação de novas realidades empresariais, posicionando-se como uma plataforma colaborativa”

O responsável pela ASEP admitiu que as medidas que foram implementadas pelo Governo durante a fase de confinamento e mesmo no período de desconfinamento ajudaram, globalmente,  a minimizar a situação débil que muitas empresas enfrentam, mostrando-se otimista empresários a vão ser capazes de sobreviver a esta “gigante crise”.

“As medidas implementadas pelo Governo, com forte apoio das autarquias, foram sempre muito importantes, sendo o esforço da Câmara Municipal de Paredes, à qual a ASEP sempre se associou dentro das suas competências, um bom exemplo.  Contudo, considero que para a resposta a esta crise cabe ao setor privado, como sempre acontece, o esforço principal pois reconheço nos empresários a sua extraordinária capacidade empreendedora e acredito que vão ser capazes de sobreviver a esta “gigante crise”. Penso que o papel das instituições, nomeadamente das Associações Empresarias, vai ganhar uma relevância acrescida para fomentar a criação de novas realidades empresariais, posicionando-se como uma plataforma colaborativa, potenciando o estabelecimento de parcerias entre os diferentes setores e contribuindo particularmente para ser um forte pilar de apoio a inovação”, frisou.

“O desemprego está e vai inevitavelmente subir”.

Confrontado se teme possa haver um aumento do desemprego se as microempresas não forem rapidamente ajudadas, o responsável da ASEP declarou que o “desemprego está e vai inevitavelmente subir”.

“Um dos setores que mais contribui para esta subida a nível nacional é, inevitavelmente, o turismo. A nível concelhio este aumento também se fará notar pelos motivos já mencionados. Esta é uma preocupação da Instituição que represento pelo que temos projetos coletivos aprovados que vão permitir às empresas dotarem as suas empresas de recursos que permitam minimizar danos económicos e consequentemente sociais, como é o caso do desemprego”, assegurou, salientando que o Programa de estabilização Económico e Social apresentado pelo Governo é um programa horizonte temporal definido cuja eficácia dependerá do pragmatismo, flexibilidade e celeridade das medidas propostas.

“O PEES é um documento com um horizonte temporal definido e que pretende dar uma resposta política, económica e social de acordo com a conjuntura que vivemos. Avaliar na teoria é muito diferente de avaliar na prática. Se as diretrizes nele emanadas forem acompanhadas de pragmatismo, flexibilidade e celeridade pode revelar-se como um programa de grande valor para toda a sociedade”, sublinhou.

Sobre uma das medidas que integra o PEES, o ‘lay-off’ simplificado a atribuir às empresas que tenham beneficiado do regime de ‘lay-off’ simplificado e mantenham quebras de faturação iguais ou superiores a 40%, o responsável da ASEP considerou que “estas medidas devem ser acompanhadas de uma avaliação rigorosa das empresas que estão a ser apoiadas, setor a setor”.

“Estes apoios indispensáveis e com sérias limitações para satisfazer as efetivas necessidades dos diversos setores devem ser canalizados para empresas que apesar de estarem a passar por um período conturbado evidenciem estratégias de retoma, com forte expectativa de viabilidade”, explicou, assumindo que  “a manutenção do emprego é também uma preocupação fundamental das empresas para o que lhe devem ser criadas condições para poderem desempenhar este essencial objetivo”, constatou.

Quanto ao PMECrescer+: Programa de aceleração que permite dotar as empresas das competências necessárias, desenvolver e potenciar a sua marca, direcionar crescimento para mercados externos, Pereira Leite declarou que: “O PME Crescer+ é um programa de consultoria que vai ajudar os líderes das PME a centrarem o seu foco a repensar as suas empresas.  Aproveito para informar que a ASEP tem em curso o programa formação PME e o Programa Capacitar & Qualificar, também financiados por fundos comunitários e nacionais que permitem aos empresários dotarem os recursos das suas empresas de capacidades para potenciarem o seu negócio.  Nesta perspetiva considero estes programas uma mais valia para as empresas”, avançou, confirmando que o maior desafio que se coloca às empresas “a curto e médio prazo é desenvolverem ferramentas que lhes permitam sobreviver num mercado difícil que se quer em crescimento garantindo, consequentemente, o emprego e o desenvolvimento económico do concelho”.

Fotografia: ASEP

Refira-se que o Programa de Estabilização Económico Financeira tem um horizonte temporal até ao fim de 2020, que assenta em quatro eixos: a manutenção do emprego e a retoma progressiva da atividade económica; as questões sociais e relacionadas com o rendimento das pessoas, em especial as que foram mais atingidas pela crie sanitária, um terceiro eixo que passa pelo apoio empresas e um quarto eixo, mais de cariz institucional.

Segundo o Governo, o Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) prevê a implementação de um conjunto de medidas de “estabilização macroeconómica,  permite a aceleração do investimento publico, o que resulta numa queda menor do investimento total em 2020 do que noutros períodos recessivos”.

O Programa de Estabilização Económica e Social prevê o reforço de apoios ao emprego e à formação profissional, formações iniciais curtas no ensino superior politécnico, estímulos para a inserção de adultos ativos no ensino superior e contratação de recursos humanos altamente qualificados.

O programa prevê, também, um incentivo financeiro extraordinário à normalização da atividade empresarial, apoios à programação cultural em rede, linhas específicas para adaptação dos espaços, financiamento a  microempresas da área do turismo, o alargamento da rede de equipamentos sociais, entre outros.