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Líder da JS Paredes assume importância de reduzir assimetrias regionais

O líder da Juventude Socialista Paredes, Armando Leal, revelou ao Novum Canal que é urgente reduzir as assimetrias regionais na região e no distrito do Porto, tema que, aliás, vai ser abordado esta sexta-feira, um direto online no facebook, numa iniciativa que terá como tema “As alterações socioeconómicas provocadas pela Covid-19: AMP e CIM Tâmega e Sousa” organizada pela estrutura jovem socialista.

Questionado sobre os problemas e debilidades que continuam a afetar a CIM do Tâmega e Sousa e a Área Metropolitana do Porto (AMP) , Armando Leal reconheceu que a região continua incompreensivelmente a integrar realidades diversas em termos de PIB per capita e baixos rendimentos., contratos a termo, disparidades salariais, que conduzem à precariedade.

“Desde logo a redução das assimetrias regionais. Incompreensivelmente, no mesmo distrito temos uma das regiões mais ricas, em termos de PIB per capita, e a segunda região mais pobre do país. Creio que dando mais poder aos governos locais esta problemática esbater-se-ia pois estes, com a capacidade que têm em consumir bens e serviços localmente e atendendo à importância deste comportamento na economia, teriam muita mais autonomia e discricionariedade para desenvolver politicas adaptadas às suas realidades e que reduzissem estas disparidades. Das assimetrias regionais, advêm outros tantos problemas, como os baixos rendimentos, contratos a termo, disparidades salariais, que conduzem à precariedade e atrasam a emancipação jovem; a mobilidade, com uma escassa oferta de transportes públicos, que representam uma opção mais económica, menos poluente e mais cómoda no que diz respeito ao tráfego urbano rodoviário; e também, mas não menos importante, problemas sociais como a violência doméstica, que são uma enorme preocupação no nosso território, um atentado à dignidade humana e que se agravam em períodos de crise”, disse, salientando que o tema em discussão terá como objetivos fomentar as discussões e produzir soluções que respondam às necessidades.

“Este painel surge no seguimento dum conjunto de iniciativas que a Juventude Socialista de Paredes tem vindo a desenvolver, as quais incidem em discutir sobre temáticas que estejam na ordem do dia e/ou sejam uma preocupação não só para a população jovem paredense, mas transversal a qualquer faixa etária. Somos uma juventude partidária e seria contranatura se não prosseguíssemos com estes debates. Por ser assim, temos a responsabilidade não só de fomentar as discussões, como também produzir soluções que respondam às necessidades. Ficarmos inertes é sermos incoerentes com os nossos princípios. Ora, atendendo à nova realidade, fruto da COVID-19, observando os primeiros indicadores sobre as alterações provocadas pelo mesmo e perspetivando um cenário complicado em termos socioeconómicos, a Juventude Socialista de Paredes tomou a iniciativa de convidar dois deputados eleitos pelo circulo do Porto, o Eduardo Barroco de Melo (V.N. Gaia/ A.M. Porto) e o Hugo Carvalho (Amarante/ CIM Tâmega e Sousa), para através das suas atividades parlamentares, debaterem quais são os impactos imediatos desta nova crise e quais aqueles que ainda irão emergir”, expressou.

O líder da JS Paredes realçou que a  escolha dos oradores recaiu em critérios como o cargo que exercem, mas também nas comissões parlamentares a que cada um pertence e o território que representam.

“O Hugo pertence à Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação e é da CIM Tâmega e Sousa e o Eduardo à Comissão de Trabalho e Segurança Social e é da A.M.Porto. O âmbito territorial alargado é intencional: apesar de Paredes pertencer à A.M.Porto desde 2013, muitas das características do nosso município estão umbilicalmente ligadas ao Tâmega e Sousa e, por isto, ignorar esta realidade seria uma abismal irresponsabilidade”, avançou.

Quanto aos temas que vão estar em análise, Armando Leal declarou que irão ser abordados a maneira como os setores de atividade do distrito do Porto irão ser afetados e de que forma poderão estes ultrapassar os novos desafios.

“Assim como qual a resposta que o Estado deve ter a uma das maiores lacunas do Tâmega e Sousa e que tenderá a agravar-se: as desigualdades salariais e os baixos rendimentos das famílias; e haverá ainda espaço para discutir um flagelo transversal aos dois territórios: a discriminação feminina na sociedade e no mercado de trabalho. Estas são realidades do nosso território que, como mencionei anteriormente, urgem ser debatidas e cabe sobretudo aos partidos ter a coragem de prosseguirem com a sua discussão”, afirmou.

“Criação novo eixo ferroviário pelo Vale do Sousa Irá revolucionar por completo a mobilidade, dotar as populações com uma opção económica, cómoda e mais amigável ambientalmente”

Sobre o estudo que propõe a criação de novo eixo ferroviário pelo Vale do Sousa, Armando Leal considerou este projeto vital para a região e o distrito do Porto.

“Vital para o Tâmega e Sousa e para a A.M.Porto. Irá revolucionar por completo a mobilidade, dotar as populações com uma opção económica, cómoda e mais amigável ambientalmente. Para além disto, dependendo da vontade dos decisores governamentais, o facto de a mesma poder ir até Leixões possibilitaria às empresas e indústrias despachar as suas mercadorias de forma mais direta, tendo uma alternativa ao transporte rodoviário. Também a mesma espoletaria mais desenvolvimento imobiliário ao longo do seu percurso, tendo por base a capacidade atrativa desta de pessoas singulares e coletivas para junto de si pela facilidade de deslocação. Para a A.M. Porto, representaria uma diminuição do tráfego urbano, pois os cidadãos dos municípios que dela irão usufruir para se deslocarem para o trabalho, aulas, etc., preterirão do meio de transporte individual, traduzindo-se numa melhoria não só na circulação, como na qualidade de vida das suas cidades, muito contribuindo a redução das emissões sonoras e de gases poluentes provocadas pelos carros.”, assegurou, sublinhando que apesar deste estudo ter sido revelado agora, a questão já é discutida pelo menos desde 2018, muito contribuindo para ela José Carlos Barbosa, presidente do PS Paredes e ferroviário.

“Desde que o conheço, defende esta solução e tem feito esforços junto do Governo Central para que tal se torne uma realidade. Isto para dizer que, infelizmente, os anos passam e este projeto não se efetiva, condenando assim as populações que dela irão usufruir ao agravamento de desigualdades territoriais, sociais, económicas e financeiras”, acrescentou.

“Uma companhia aérea que solicita ao Estado, a todos nós, ajuda financeira e quando retoma a sua normal atividade desconsidera os cidadãos do Norte do país revela que possui uma gestão esquizofrénica”

Já sobre a questão da TAP e a estratégia definida pela empresa para a retoma de atividades/ligações a partir do Porto para Lisboa com a sucessão de criticas que se sucederam por parte de vários autarcas da região, o presidente da JS Paredes manifestou total “repugnância” à forma como a empresa tratou este assunto.

“Com repugnância. Estas palavras são minhas e só a mim se vinculam. Uma companhia aérea que solicita ao Estado, a todos nós, ajuda financeira e quando retoma a sua normal atividade desconsidera os cidadãos do Norte do país revela que possui uma gestão esquizofrénica. Não é uma questão de bairrismo, mas sim de igualdade de tratamento. Compreendo e aceito que o aeroporto Humberto Delgado possua mais ligações, resultado duma maior procura e, consequentemente, de mais tráfego. Não aceito é que afirmem que o aeroporto de Francisco Sá Carneiro apenas tem uma procura de apenas 3 ligações Porto-Lisboa semanais, como anunciado inicialmente, quando outras companhias, com o anunciar das suas rotas, desmentem por completo esta perspetiva da TAP. Não só poderia estar solidário com os autarcas que se manifestaram como sinto pessoalmente esta discriminação por ser um cidadão nortenho e um potencial utilizador dos serviços aéreos. O foco da questão é que a TAP, pela sua envergadura e importância na economia portuguesa, apresenta-se como um grande empregador da população portuguesa, pelo que merece uma atenção especial pelo que a sua falência pode representar para a economia. Porém, é duma tamanha falta de humildade pedir auxilio ao Estado e logo de seguida ter modos de tratamento diferenciados para com os cidadãos consoante a localização geográfica na sua prestação de serviço. Acabo afirmando o seguinte: os gestores da TAP definem a sua estratégia como se ainda Lisboa fosse a capital não só de Portugal, mas do império colonial”, confessou.

O líder da JS Paredes garantiu, ainda, que o Aeroporto do Porto é um equipamento vital para a coesão territorial e desenvolvimento da região.

“Obviamente que sim. Desde logo porque uma parte considerável da população portuguesa reside no Norte e, por isto, necessita duma infraestrutura destas que permita à mesma deslocar-se aereamente, até porque nós portugueses, temos comunidades espalhadas pelo mundo todo. Depois, porque é no Norte também que se concentra a maioria do tecido empresarial português, que se especializou a exportar e que, por isto, seria inconcebível que não existisse um aeroporto próximo através do qual conseguisse remeter as suas mercadorias. Com uma rede de indústria forte como a que existe no Norte, com os elevados indicies de turismo que apresenta e que representa uma atividade significativa no PIB e atendendo às relações comerciais existentes entre Portugal e o resto do mundo, fruto da globalização, o Aeroporto é completamente indispensável para prosseguir com qualquer tipo de política de âmbito regional e que fomente a coesão territorial. Para além de que o âmbito regional do aeroporto Francisco Sá Carneiro não se limita somente ao Norte ou ao país, servindo também muitos cidadãos espanhóis, provenientes da Galiza, o que corrobora a importância dum equipamento como este para uma região”, referiu.