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Aurora Cunha realça importância de ajudar doentes oncológicos em tempos difíceis C/Som

A ex-atleta do FC Porto, Aurora Cunha, é a madrinha da  corrida virtual “Corrida para a Vida”!, que decorre no dia 31 de maio, entre as 10h e as 12h, e que tem como objetivos ajudar o Núcleo Regional do Norte da Liga Portuguesa Contra o Cancro a apoiar pessoas fragilizadas por doenças graves, como o cancro.

O local e o percurso da atividade são escolhidos por cada participante, podendo ser feita em casa (incluindo garagem, jardim, quintal, terraço, piscina, varanda), ou em outro espaço, legalmente permitido.

Cada participante pode escolher a modalidade que pretende exercitar, podendo caminhar, correr, pedalar, nadar, remar, subir e a descer escadas, realizar exercícios de ginástica, dar toques de bola, entre outros.

De acordo com a organização, é igualmente permitida a utilização de passadeiras, bicicletas, elípticas, remos, bolas e outros materiais e artigos desportivos que apelem à criatividade e à originalidade e se insiram no espírito solidário da iniciativa.

Cada participante poderá estabelecer como objetivo pessoal percorrer o máximo de quilómetros que puder, durante a barreira horária da prova. Durante a atividade, os participantes poderão realizar e partilhar vídeos, exibindo o dorsal oficial da “Corrida para a Vida”.

O valor da inscrição (donativo) fica ao critério de cada pessoa e pode ser realizado, até às 20h do dia 30 de maio, em: www.corridaparaavida.pt

Referindo-se a esta atividade, a ex-atleta realçou, em declarações  ao Novum Canal,  manifestou que o evento era para ter acontecido no dia 10 de maio, mas devido à crise sanitária só agora vai ser realizado.

“A iniciativa era para ser feita no dia 10 de Maio, mas devido à pandemia foi tudo adiado e há cerca de quinze dias, a Liga através da sua equipa de trabalho lembrou-se de fazer uma corrida virtual para a angariação de verbas para ajudar os doentes oncológicos porque as instituições estão a passar por momentos difíceis”, disse, relevando o trabalho realizado pela Liga durante os meses de Março, Abril e Maio, na ajuda aos doentes oncológicos com medicação e alimentos.

“Esta corrida tem também o objetivo de sensibilizar a comunidade, as pessoas, de uma forma geral, para esta causa, a darem o seu contributo, pois trata-se de uma causa de todos. Queremos sensibilizar a opinião pública e os portugueses”, afirmou, reiterando que as verbas angariadas serão canalizadas em prol dos doentes oncológicos, os mais carenciados, com apoio social, compra e entrega de máscaras e apoio psico-oncológico e jurídico.

“Infelizmente, hoje, o cancro entra pela casa de qualquer um de nós”

Falando das inscrições, Aurora Cunha assumiu que a organização tem já mais de 800 pessoas.

“É um número muito bom, mas gostaria que esse número fosse crescendo, até porque a iniciativa coincide com o meu aniversário, e seria ótimo atingir a meta dos 25 mil euros. Era a prenda que poderíamos dar à Liga Portuguesa Contra o Cancro pelo trabalho fantástico que tem realizado em prol dos doentes oncológicos mais fragilizados economicamente”, avançou, sustentado que a comunidade tem abraçado esta causa com espírito de entrega e solidariedade.

“Até ontem tínhamos conseguido angariar 13 mil euros, mas espero que a minha ida à Praça da Alegria tenha contribuído para sensibilizar ainda mais a opinião pública para esta causa”, acrescentou, assumindo que este dinheiro vai permitir  ajudar a Liga a minimizar as dificuldades que está a passar.

“A Liga sendo uma instituição não governamental que vive de subsídios e da solidariedade de todos, a  recolha destas verbas obviamente vai permitir ajudar os doentes oncológicos que estão a passar por uma situação mais débil”, concretizou, reconhecendo que estamos a viver um momento particularmente difícil, existindo muitas famílias que perderam os empregos e estão com sérias dificuldades financeiras.

“Mesmo que contribuamos com um euro, dois ou um pouco mais, seguramente que iremos fazer a diferença. Infelizmente, hoje, o cancro entra pela casa de qualquer um de nós e não é só quando entra e vamos precisar das instituições. Acredito que os portugueses são solidários e prova disso mesmo foi os gestos de solidariedade evidenciados durante a pandemia. Quem não fez a sua inscrição ainda vai a tempo de a fazer”, confirmou.

“Sinto-me orgulhosa de fazer parte desta grande máquina que é a solidariedade”

Questionada sobre as razões que a têm mobilizado para apadrinhar estas causas sociais, a ex-atleta do FC Porto, realçou que como ex-atleta e cidadã tem obrigações para com os portugueses e as instituições, sendo igualmente uma mais-valia as coletividades terem pessoas que demonstram credibilidade.

“Infelizmente há muita gente que se aproveita das instituições e até dos donativos que arranjam. Sinto-me privilegiada e honrada quando me convidam para ser a madrinha ou embaixadora até porque esta corrida virtual conta com muitas figuras públicas, desde artistas e comunicadores. Sinto-me orgulhosa de fazer parte desta grande máquina que é a solidariedade”, avançou.

“Não há competições, não há provas e isto foi o que pior podia ter acontecido aos atletas”

Referindo-se ao atual momento que o país atravessa  e aos efeitos da crise sanitária, Aurora Cunha reconheceu que se avizinham momentos que não serão de todo fáceis.

“Vamos viver momentos de angústia com as nossas famílias, mas temos de ser solidários, tentar perceber se na nossa rua há um vizinho que precisa de ajuda e de comida”, retorquiu, relevando o papel das autarquias neste processo.

“As câmaras vão ter um papel de responsabilidade em todo este processo. Vão receber milhares de euros do Estado e acredito que serão sensíveis e vão ajudar as instituições e as famílias”, atalhou.

Sobre o impacto da crise sanitária está a ter no desporto, Aurora Cunha defendeu que a pandemia  veio interferir diretamente com a ambição dos atletas que estavam qualificados para os Jogos Olímpicos do Japão, mas mostrou-se confiante quanto ao futuro.

“Temos excelentes atletas no atletismo, tudo isto vai passar e acredito que, no futuro, vão olhar para o desporto com mais otimismo porque, neste momento, todos estamos a viver com uma certa angústia. Não há competições, não há provas e isto foi o que pior podia ter acontecido aos atletas. Temos um grupo de atletas fantástico, mais no feminino do que no masculino e vamos ver se aparece uma vacina para as pessoas ganharem de novo confiança”, asseverou, defendendo que o futuro  do meio fundo e do fundo português dependerá  dos políticos apoiar os atletas e a modalidade.

“Acredito que sim. Talentos temos vários. Teremos de estar confiantes e acreditar nas nossas instituições”, confessou.

Sobre a sua carreira desportiva, Aurora Cunha revelou que o momento mais emblemático da sua vida desportiva foi a conquista do Campeonato do Mundo de Estrada, em 1986, com mais de 30 mil pessoas a assistir em Lisboa e as vitórias nas maratonas.

Já quanto ao momento menos positivo da sua extensa carreira, a ex-atleta apontou as duas desistências nas maratonas na Coreia e em Barcelona.

“Campeões olímpicos não se fazem de um momento para o outro”

Ao Novum Canal, Aurora Cunha precisou que é hoje uma pessoa realizada com uma vida organizada que deve muito ao desporto.

“Embora com muito sacrifício, resiliência e empenho, mas claro que devo ao desporto tudo o que sou hoje. Até mesmo no decurso desta pandemia, fui uma pessoa privilegiada em relação a milhares de portugueses e devo isso ao desporto a vida que tenho. Orgulho-me muito da minha vida e da minha família, mas o desporto foi na verdade o que me abriu as portas para ser a pessoas privilegiada que sou hoje”, adiantou.

Falando do desporto escolar, Aurora lembrou que este tem um papel relevante na captação de talentos, mas compete às entidades e à Secretaria de Estado do Desporto apoiar mais e fazer um trabalho mais profundo para que possa existir um trabalho de continuidade e garantir o futuro destas disciplinas.

“É evidente que os campeões começam no desporto escolar”, aludiu, frisando que o atletismo, em especial o atletismo feminino tem hoje referências com talento e capacidade para projetar o país e dignificar a modalidade.

“Agora é evidente que vai ser difícil nos próximos tempos Portugal ter um lote de atletas como teve na década de 80 e 90. Campeões olímpicos não se fazem de um momento para o outro. Temos que acreditar que existe massa humana, treinadores. Acima de tudo temos que aguardar e esperar que seja encontrada uma vacina para que possamos concretizar os nossos projetos e seguir em frente com as nossas vidas”, manifestou, garantindo que apesar de retirada da competição, continua a participar em várias atividades e eventos desportivos e sociais.

“Mesmo neste período de pandemia fiz sempre os meus treinos. Estou ligada a duas empresas de eventos desportivos e é um orgulho e um gosto poder continuar a abraçar causas”, afirmou.

Aurora Cunha confidenciou, também, que continua a manter uma relação de proximidade com o FC Porto.

“Fui atleta do Porto até 1996 e por isso é natural que continue ligada ao Porto”, afiançou.

Aurora Cunha destacou-se em provas de meio fundo e fundo e corta-mato. Foi campeã mundial de 1984 a 1986, tendo vencido as maratonas de Paris, Tóquio, ambas em 1988, Chicago, nos Estados Unidos, dois anos depois e Roterdão, na Holanda, em 1992.

 A atleta conquistou, também, a prova de São Silvestre de São Paulo. A nível nacional conquistou 22 títulos.