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Rui Silva esteve no Free Runnig Lousada e abordou o meio fundo e o fundo e a importância do desporto escolar

Rui Silva atleta de eleição e uma referência no atletismo nacional foi o convidado do Free Running Lousada, uma iniciativa do pelouro do Desporto da Câmara de Lousada, que tem contado com figuras conhecidos da corrida e do atletismo.

Neste especial Free Running realizado via online,  Rui Silva, especialista em meio fundo, designadamente os 1500 e os 3000 metros. elegeu a medalha obtida nos Jogos Olímpicos como um dos momentos altos da sua carreira, assim como o Campeonato do Mundo de Pista coberta realizada em Lisboa.

O atleta que representou o Sporting Clube de Portugal durante vários anos, recordou outros momentos menos felizes da sua carreira como em Sevilha em 1999, Sidney, onde foi acometido por uma virose que o arredou da final, ou as provas de Londres e Pequim, em que s lesões o impediram de participar.

“As lesões são sempre momentos difíceis de gerir. 1999 foi um dos primeiros dissabores da minha carreira. Com o passar dos anos, vai-se criando anticorpos, estratégias  a batuta será sempre a de seguir em frente. O pensamento do atleta tem de ser este. Aquilo que trabalhámos nunca sai da maneira que idealizamos. Uma das premissas que fui seguindo ao longo da minha vida foi esquecer o passado, viver o presente para trabalhar o futuro. Quando acontecia algo que não conseguia contornar, que me arredava de uma competição, queria logo ultrapassar os problemas e pensar no objetivo seguinte. O que está feito , está feito”, adiantou, salientando que é mais fácil lidar com o sucesso do que com o insucesso.

“Sem trabalho, entrega, dedicação e alguma sorte torna-se sempre difícil alcançar resultados relevantes”

Falando da medalha de ouro no Campeonato Europeu, obtida com apenas 20 anos e da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos, Rui Silva realçou que a resiliência, a entrega e determinação associadas a uma dose de sorte são sempre fatores que  determinam a performance nas provas.

“A receita é transversal a todos os atletas, trabalho, entrega, dedicação e alguma sorte. Sem este conjunto de fatores torna-se sempre difícil o alcançar resultados relevantes. Muitas vezes é preciso ter sorte. O trabalho, resiliência são fatores importantes. A capacidade de entrega, tem de estar presentes e são esses fatores que marcam a diferença”, avançou.

Questionado pelo vereador do desporto da Câmara de Lousada, que conduziu este diálogo com o atleta, sobre a falta de resultados no meio fundo e no fundo, Rui Silva assumiu que o atletismo tem de ponderar o que é que levou a este decréscimo nos resultados no meio fundo.

“Estão enumeradas possíveis causas, mas não saberemos quais terão levado a que o meio fundo tenham chegado a um ponto não tão significativo como no passado. É difícil identificar qual a causa que levou a este desfecho e que o meio fundo e fundo tenham menos visibilidade em termos internacionais. É mais vantajoso trabalhar num projeto futuro como aconteceu no Reino Unido e em Espanha que delinearam uma estratégia. É por aí que teremos de avançar”, concretizou.

Rui Silva falou, também, do desporto escolar, da importância que este tem assim como da necessidade e da necessidade de aproveitar a oferta que existe.

“O desporto escolar continua a ser fomentado, tem um largo número de praticantes nas várias modalidades, mas quando passamos para o alto rendimento o número de unidades perde-se”, expressou, assumindo que antes de ingressar a sério no atletismo começou no futebol.

“Os jovens vão para uma determinada modalidade porque os pais se identificam mais com ela, é mais divulgada e isso faz, às vezes, que jovem com que um potencial valor, fique cingindo à prática de uma só modalidade”, sublinhou.

Rui Silva ficou, igualmente conhecido pelas suas inúmeras medalhas em campeonatos do mundo e da Europa, fez pista, corta-mato e participou na maratona de Berlim.

Sobre esta prova confessou: “Foi uma experiência agradável. Berlim foi a terceira maratona. Tive várias lesões próximas das maratonas. A primeira faltavam dez dias, lesionei-me, a segunda faltavam 15 dias, aconteceu o mesmo e finalmente à terceira consegui fazer a prova, mas  deixei de lado esta ambição da maratona. Foi algo fugaz, um objetivo que tinha na minha carreira e depois foram surgindo outras opções de vida”, constatou, confirmando que apesar de presentemente  exercer outras funções,  faz parte da Federação Portuguesa de Atletismo, no setor de alto rendimento, mantém alguma prática desportiva, não na vertente competitiva.

“Corro por necessidade por uma regra que me imponho. Não parei completamente. Não faço atividade regular, mas mantenho atividade na modalidade”, atalhou.  

Rui Silva foi atleta do Sporting entre 1996 a 2016, altura em que se transferiu para o Benfica. Foi medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, tem um título de Campeão Mundial e três  títulos de Campeão Europeu em pista coberta.