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Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome reforça necessidade de ajudar agregados mais vulneráveis

A presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, reforçou, esta quarta-feira, no programa Especial Informação, do Novum Canal, conduzido por Paulo Lopes, a necessidade de reforçar o apoio às famílias mais carenciadas.

“Esta pandemia foi terrível para muitas famílias. Para além destes impactos de saúde e sanitários que provoco,  felizmente em menor escala que outros países ou com situações menos gravosas, teve um impacto social tremendo porque com o encerrar da economia houve muitas famílias que ficaram sem qualquer  possibilidade de ganhar qualquer rendimento ou remuneração. Continuaram a ter as suas contas por pagar, e com os seus filhos em casa, porque as escolas,  os infantários e as creches também encerraram. Houve de repente um sobressalto tremendo nas famílias, na sociedade que ainda estamos para ver quais são as suas consequências”, disse.

Isabel Jonet revelou que a crise atingiu transversalmente vários faixas e setores da sociedade, embora com especial incidências pessoas que viviam do seu trabalho, os trabalhadores independentes, assim como as pessoas que pertencem à chamada economia informal.

“Atingiu todas as profissões de uma forma transversal, sobretudo, as pessoas que são donas do seu próprio trabalho, os trabalhadores independentes, os trabalhadores que completavam os seus salários baixos com um trabalho em que tinham de emitir um recibo verde ou as pessoas que completavam o seu salário com biscates ou até aquelas pessoas que pertenciam à economia informal que não declaravam e ficaram sem possibilidade nenhuma de poder ganhar dinheiro”, expressou, sustentando que muitas empresas fecharam ou suspenderam as suas atividades e colocaram os trabalhadores em lay off, sem poderem pagar qualquer remuneração.

“Como o Estado não pagou de imediato as empresas não puderam no primeiro mês dar qualquer remuneração aos colaboradores. E mesmo quando deram no segundo mês, o que deram foi 70% do salário que não chegava para pagar todas as despesas das famílias e ainda por cima, agora, com os filhos em casa. Isto causou muita pressão nas famílias. Acresce a esta necessidade, uma outra a de pormos os filhos a estudar e com ligação à internet e muitas famílias não tinham computador em casa para os filhos e não tinham ligação com os planos de dados que era necessário dar.  Havia por um lado as respostas sociais que nalguns casos fecharam as suas valências, as creches, os infantários, os centros de convívios e o centro de dia para idosos. As famílias tinham menos dinheiro e ainda por cima mais despesas”, avançou.

“Muitas empresas foram de uma grande generosidade e deram donativos em dinheiro ou reforçaram as ofertas em produtos”

A responsável pelo Banco Alimentar Contra a Fome realçou, também, o papel das empresas nesta fase mais complexa, assumindo que foram de uma generosidade na entreajuda aos agregados em situação mais aflitiva.

“Muitas empresas foram de uma grande generosidade e deram donativos em dinheiro ou reforçaram as ofertas em produtos. Num primeiro momento deixaram de vender para os restaurantes, portanto, tinham mais excedentes de produção que poderiam canalizar para os bancos alimentares. Na altura, não tivemos decréscimo das entradas. Agora, com a abertura vamos ter com certeza, porque não vamos poder fazer a campanha de recolha de final de maio, com voluntários, como era habitual. Temos de garantir que temos todos os produtos para que não falhemos às instituições que estão à espera da comida do Banco Alimentar”, concretizou.  

“Quando as pessoas dependem da ajuda dos outros, nem podem escolher aquilo que vão comer. Têm de depender daquilo que lhes é dado e isso não é bom, retira-lhes alguma da sua dignidade”

Isabel Jonet confirmou, por outro lado, que tem estabelecido contactos ao nível do Governo e ao nível da Presidência da República no sentido de reforçarem esta onda de solidariedade coletiva.

“Tenho tido várias intervenções públicas na televisão e nas rádios em que apelo a uma solidariedade coletiva, a um reforço da intervenção do Estado, dando mais fundos às famílias para que possam de alguma  forma ter uma vida digna, neste momento, que é de emergência. Quando as pessoas  dependem da ajuda dos outros, nem podem escolher aquilo que vão comer. Têm de depender daquilo que lhes é dado e isso não é bom, retira-lhes alguma da sua dignidade.  Estamos a falar de famílias que não estavam habituadas a ser pobres, estamos a falar de famílias que antes eram chamadas de remediadas, que tinham a sua vida equilibrada. Não tinham vidas luxuosas, mas de vez em quando podiam-se dar alguma folga, comer ao restaurante ou ir ao ginásio e deixaram de o poder fazer. Falei com a ministra da Solidariedade Social, com o presidente da República para partilhar esta minha preocupação e esta necessidade de haver uma solidariedade reforçada, articulada seja com o Estado, seja com a sociedade civil, seja com as instituições que no terreno operam”, constatou.