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Reabertura das escolas é determinante para os alunos que têm de fazer exames nacionais

O presidente da Escola Secundária de Penafiel, Vítor Leite, admitiu que a reabertura das escolas constituiu em passo importante, em especial para os alunos do 11.º e 12.º ano de escolaridade, que têm de fazer exames nacionais, depois de terem estado confinados quase dois meses, na sequência da crise sanitária do Covid-19.

O diretor da Secundária de Penafiel confirmou mesmo que no regresso às aulas, nada foi deixado ao ação e todas as orientações da Direção-Geral de Saúde foram adotadas e transpostas para o estabelecimento de ensino, salvaguardando a segurança e o bem-estar de dos alunos, docentes e pessoal não docente.

“Estamos a falar de turmas grandes 28 a 30 alunos e tivemos de ajustar para 15 alunos. Houve logo  essa grande mudança e depois houve outra grande mudança a nível de salas, com distanciamento. Retiramos metade do mobiliário para obedecer às regras de segurança. Paralelamente a isso, realizamos formação para o pessoal, foi fornecido à escola o equipamento necessário para a higienização, foi ministrada uma formação pelo exército para se perceber qual era o procedimento correto na higienização. Fizemos também um trabalho de preparação com os alunos, professores e encarregados de educação, realizamos uma alteração da circulação dos alunos dentro da escola, adotamos o sistema uma sala por turma, uma mesa e uma cadeira por aluno e procuramos que os contactos com as superfícies fosse mínimo”, disse, salientando que simultaneamente os horários foram desfasados, de forma a evitar que os alunos entrassem todos ao mesmo tempo.

Vítor Leite assumiu que apesar dos reajustes que foram necessários efetuar, a comunidade escolar está a reagir de forma positiva e a probabilidade de contágio dentro do estabelecimento é nula.  

“Toda a comunidade acabou por assimilar todas as alterações, mas existem aqui vários patamares. Verifiquei que o pessoal não docente assimilou as regras e as orientações e tinha vontade de fazer bem., de assegurar que aquilo que era exigido  pela Direção-Geral de Saúde era cumprido. Os professores também assumiram essa responsabilidade de transformar estas aulas, conferindo-lhe a maior normalidade possível e em segurança. Os alunos vinham na expectativa de saber  como é que tudo iria decorrer e a partir do segundo, terceiro dia acabaram por perceber que desde que entram na escola, até às salas, casas de banho, tudo obedece àquilo que está estabelecido quer em termos de distanciamento, quer em termos de higienização, até às máscaras à entrada que acabaram por transmitir a confiança necessária”, confirmou, sustentando que o total de alunos que está a ter aulas ronda os 800 a 900.

O diretor da Escola Secundaria de Penafiel realçou, também, que na sequência das diretrizes que foram definidas pelas autoridades de saúde houve espaços que não estão a funcionar porque não é permitido, nomeadamente a sala dos alunos, o bar, os espaços de convívio.

“Eles só têm acesso às salas e ao refeitório se houver alunos para almoçar. Neste momento, ainda ninguém requereu este serviço”, referiu, salientando que o transporte está a ser assegurado pela autarquia que terá contratado a Valpi para fazer esses transportes escolares e restabelecer um conjunto de circuitos.

“Não é a resposta perfeita porque há zonas que só têm um autocarro de manhã achegar às 08h30 e a partir às 13h45, mas é a resposta possível e entendemos que já antes era assim. Os horários sendo desfasados não é muito bom porque às vezes os alunos têm que vir antes das aulas iniciarem, às vezes, um bloco e terminam mais cedo e nesses casos, uma parte dos alunos, que vêm mais cedo ficam na sala porque tem o seu lugar, ficam no seu trabalho autónomo à espera da aula ou depois da aula a fazer o trabalho que for indicado”, concretizou.

“Acho que olhamos pouco para a história”

Questionado sobre as alterações que a pandemia provocou nas escolas, Vítor Leite reconheceu que este cenário nunca foi equacionado.

“ Acho que estávamos todos demasiados confortáveis com a vida que tínhamos e não havia nenhum indício, nenhum sinal. E todos os outros casos que pudessem levar a isto acabaram por levar à conclusão que tudo se resolveria. Recordo-me há 10 ou 12 anos da Gripe das Aves. Houve assim uma espécie de histeria coletiva, mas como nunca chegou cá transmitiu-se a ideia que não passou de um susto, de um alarme exagerado e foi assim que foi entendido no início. Era muito longe, era na China, não chegava cá. Tivemos a Gripe Espanhola, nos finais dos anos 40, no início dos anos 50 a poliomielite, mas  acho que a classe médica, mais ligada à saúde pública, Direção-Geral de Saúde, deviam ter olhado para a história e tirado melhores conclusões que neste momento, teriam dado muito jeito. Existiram na história outros sobressaltos e afinal estamos a repetir. Acho que olhamos pouco para a história.”, constatou, sublinhando que a resposta social é que deveria ter sido diferente.

“As autoridades de saúde poderiam ter visto de forma diferente sobretudo passado um mês depois das coisas terem acontecido na China. Portugal ainda agiu muito a tempo e penso que nesse aspeto os nossos governantes tiveram a lucidez de o fazer, mas olhando ao que se passa noutros países, ao que se passou até em Espanha, Itália foi mais surpreendida, o que se passa no Brasil ou nos Estados Unidos é uma coisa descabida, impensável ou até o que se passa na Suécia que optou por não fazer nenhum confinamento e o número de população é equivalente à nossa, cerca de dez milhões. Neste momento temos 16 mortos e eles têm 88 mortos diários. Portanto, estamos a falar de oito vezes mais. É uma coisa gigantesca, o que significa que as medidas tomadas em Portugal foram acertadas. Podemos não ter feito tudo o que devíamos, não sei, mas não fazer nada como foi o caso destes países, acho que aprendemos pouco com o passado, mas espero que com esta crise possamos aprender mais um bocado”, asseverou.

Quanto à opção pelas aulas presencias que foi definida pelo Governo para os últimos dois anos do ensino secundário, Vítor Leite, concordou com a opção e recordou que os existem exames nacionais para realizar e um vontade do Governo em desconfinar, sensibilizar as pessoas a retomarem a sua vida normal, com responsabilidade, estando as escolas inseridas nesta dinâmica.

“Há aqui dois aspetos: primeiro, havia necessidade de testar o sistema, mas esta é uma conclusão minha, de retomar a vida como está a acontecer com toda a sociedade. Não é por acaso que a nível ministerial, governamental e o próprio Presidente da República têm feito uma sensibilização para que as pessoas retomem a sua vida normal, com responsabilidade. As escolas enquadram-se também nisto. A vida tem que  voltar ao normal, mais tarde ou mais cedo e, portanto, o que se pede é que ajam com responsabilidade. A opção pelo 11.º ano tem dois aspetos que se compreende: um deles é porque os alunos vão ter exames nacionais e esses exames vão ser fundamentais para o seu futuro. Numa altura tão sensível para os alunos este trabalho presencial acaba por trazer algum conforto. Os alunos não vêm cá todos os dias, vêm um dia, dois, três dias. Esse pouco tempo dá-lhes confiança para que possam encarar a sua vida mais próxima daquilo que tinham. Para nós, os dias podem ser mais ou menos iguais porque temos uma carreira, mas no caso dos alunos esta é uma oportunidade única. Só vão ter um 12.º ano. Já não chegava a parte do confinamento a que estiveram sujeitos, o ter-lhes sido vedada a possibilidade de fazerem a viagem  de finalistas, de participarem no baile de gala, isto é, retirar-lhes uma das partes mais bonitas da sua vida, pelo que retirar-lhes a confiança de estarem na escola e fazer os exames seria de facto demasiado penoso. Estando cá e estando a preparar-se para exames atenua essa diferença daquilo que eram as suas expectativas e os seus sonhos”, confessou, apontando, por outro lado, o facto de serem mais velhos, terem maior sentido de responsabilidade social e interiorizarem, de certa fora, aquilo que é a cultura de segurança que podem depois levar para a sociedade, desde saber andar nos transportes, a estar numa sala, cumprir com o distanciamento social.

“Mudar de uma forma radical o tipo de aulas, sobretudo, através das novas tecnologias, foi uma coisa fantástica”

Sobre a opção seguida para os demais ciclos, de optar pelo ensino à distância, o diretor da Secundária de Penafiel reconheceu que houve efetivamente uma mudança, com ganhos ao nível da comunicação e na aquisição de novas competências.

“Essa foi para todos, desde os professores em primeiro lugar, até a nível governamental, alunos e pais a grande surpresa: a capacidade de adaptação dos professores, das escolas a esse tipo de ensino, tanto que hoje já verificamos que há pessoas a pedir para que as aulas continuem assim porque está a correr muito bem. Mudar de uma forma radical o tipo de aulas, sobretudo, através das novas tecnologias, foi uma coisa fantástica. As escolas estão a funcionar em pleno com este modelo e os docentes sentem o seu grau de satisfação por verificarem que conseguiram ultrapassar aquilo que seria um problema gigantesco e hoje têm aulas de 90 minutos perfeitamente tranquilas com os alunos a trabalhar. Se nos dissessem há dois meses atrás que isto ia ser assim, ninguém acreditaria”, avançou.

Sobre a coexistência do ensino à distância com o ensino presencial, hipótese avançada pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, para o próximo ano letivo, Vítor Leite declarou que “as pessoas no auge da euforia ou da crise dizem muita coisa que não devem dizer”.

“Enquanto que antes era tudo uma desgraça, era tudo  muito mau, agora é tudo muito bom. Esses excessos, penso que neste momento, são desnecessários. Claro que evoluímos e há coisas que ganhamos, que é pena perdermos, nomeadamente, capacidade de comunicação, mas há muita coisa que não vai ser assim como dizem porque se assim for, mais uma vez não aprendemos com a história. Uma sociedade democrática precisa muito de interação, de errar, acertar e isso não se faz só através de um computador. A vida virtual nunca se compadece com a vida real. Acho que nada ficará como antes. Ganhamos capacidade de comunicação, conhecimento e competências, assim como dizem que o teletrabalho irá substituir. Pode substituir muita coisa, mas a natureza humana não é  só trabalho”, garantiu.

“As escolas não estão ao abandono, à deriva, não é uma pandemia que as vai abalar. As estruturas estão montadas, as práticas estão em funcionamento”

Já quanto à intenção do ministro realizar auditorias aos critérios de avaliação, o responsável  pela Escola Secundária recordou que esta também  foi outra declaração que surgiu no âmbito da pandemia.

“As declarações foram exageradas, mas entende-se face às notícias, por vezes, sensacionalistas, como aconteceu numa revista semanal que vem com os títulos bombásticos o que leva a fazer declarações do género. A notícia é claramente excessiva. As escolas não estão ao abandono, à deriva, não é uma pandemia que as vai abalar. As estruturas estão montadas, as práticas estão em funcionamento, há adaptações como é óbvio, mas não me parece que haja sequer essa necessidade. Perante notícias bombásticas há depois também declarações bombásticas. Temos que as entender nesse contexto. Não mais do que isso. Não estou a ver agora as inspeções a andar nas escolas a ver tudo e mais alguma coisa. Até porque pela própria lógica das coisas, isso não irá acontecer. Inflações de notas e coisas do género…as coisas serão ponderadas como foram até hoje. Não esqueçamos  que mais de 2/3 do ano letivo estava concluído e feito. A maior parte das aprendizagens estavam feitas, as avaliações estavam feitas. Os professores são responsáveis e vão dar a resposta correta e certa. São sensatos e não vão entrar em devaneios”, concluiu.