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Restaurantes reabrem esta segunda-feira mas dizem-se apreensivos com restrições e perda de receitas

Reabrem esta  segunda-feira, de acordo com a segunda fase do plano de desconfinamento implementado pelo Governo, os restaurantes e cafés, creches, estabelecimentos comerciais até 400 metros quadrados e reiniciam as aulas  para os alunos dos anos finais do  ensino secundário.

O Novum Canal selecionou três restaurantes da região e auscultou a opinião de três pessoas ligadas à área da restauração sobre as expectativas que têm para o setor na sequência do período  de confinamento provocado pela Covid-19 que obrigou a que os estabelecimentos estivessem encerrados ao público.

Conceição Silva, do restaurante Miradouro, situado em Entre-os-Rios, freguesia da Eja, no concelho de Penafiel, admitiu estar moderadamente otimista neste regresso e na reabertura ao público.

“Reabrimos esta segunda-feira. A vontade de reabrir é imensa. Somos uma casa com vários anos de história, sobejamente conhecida na região, mas verifico, até pelos contactos que tenho feito, que há ainda um certo receio das pessoas  em regressarem já”, disse, salientando que o regresso vai acontecer mas de forma faseada.

Neste regresso, Conceição Silva realçou que o Miradouro fez um esforço para cumprir com as determinações e diretrizes impostas pelas autoridades e pela Direção-Geral de Saúde, tendo implementado, nomeadamente, várias medidas, as mesas serão sentados com uma distância de segurança de dois metros, entre outras.

“Apostamos igualmente na higienização do espaço, vamos desinfetar mesas e cadeiras, medidas que, no fundo, já cumpríamos, os clientes terão de desinfetar as mãos”, disse, sustentando que o lema da casa foi sempre garantir a segurança e bem-estar dos funcionários  e dos clientes.

Ainda quanto às novas regras que foram definidas para os restaurantes, Conceição Silva admitiu serem necessárias, mas mostrou-se apreensiva quanto à sua aplicabilidade e à sua sustentabilidade.

“Somos um estabelecimento relativamente pequeno comparado com outros e limitar os espaços a 50% da sua lotação vai acabar por ter um impacto significativo no setor e em especial em unidades de restauração já com espaços confinados. Tenho duas salas, mas numa delas, na parte de baixo só estou autorizada a trabalhar com quatro a cinco mesas”, disse, sublinhando que os restaurantes estiverem encerrados cerca de dois meses, tendo sido atingidos de forma severa pela crise sanitária pelo que necessitam urgentemente de recuperar.

“O Miradouro  teve de fechar na sua melhor época, que é a época da lampreia”, expressou, desejando  que a retoma se faça sentir de forma sustentada para todos.

O cabrito assado, o leite creme e a lampreia são algumas das iguarias confecionadas por esta unidade de restauração.

Paula Magalhães, do Restaurante do Baixinho, em Paredes, mostrou-se igualmente expectante quanto à reabertura e às novas regras que foram definidas para o setor na sequência da Covid-19, embora tenha avançado que já tem reservas para o dia 23.

“Ao contrário da maioria dos restaurantes que reabrem esta segunda-feira,  reabrimos esta quinta-feira. Estamos a prepararmo-nos devidamente, com todas as precauções para garantir o bem-estar quer dos funcionários e clientes e posso garantir-lhe que já temos reservas”, frisou, afirmando que a unidade de restauração está a implementar as medidas que foram definidas para o setor nesta fase.

“Além da higienização, uma prática que já seguíamos, estamos a cumprir com todos os procedimentos no que toca a limpeza de mesas, casas de banho, etc. Todos os funcionários terão de desinfetar as mãos, trabalhar de máscara e posso dizer-lhe que sendo esta uma fase nova, os funcionários estão a aceitar bem as novas diretrizes”, expressou.

Sobre o limite de 50% à lotação dos restaurantes, Paula Magalhães referiu que esse poderá ser um problema para os restaurantes com limitação de espaço, o que não é o caso do Restaurante do Baixinho.

“Somos uma casa situado a poucos minutos do centro da cidade de Paredes, dispõe de espaços amplos e acolhedores, um jardim que nos permite realizar todo o tipo de eventos e por isso  não prevemos quaisquer dificuldades”, concretizou, admitindo, no entanto, que existe algum receio por parte das principais casas de restauração e do setor em geral.

“No período de confinamento houve restaurantes que tiveram uma quebra bastante significativa em termos de receita que vão ter dificuldades em reabrir e fazer face às novas restrições. No nosso caso, o impacto económico-financeiro foi também significativo. Somos um espaço que realiza batizados, comunhões e até eventos familiares e devido à Covid-19, durante este período, tivemos que fechar portas”, declarou.

O bacalhau folhado com bechamel, o cabrito assado com arroz de forno ou o bacalhau com broa são algumas das especialidades da casa.

Adolfo Teixeira, do restaurante O Farela, situado em Penafiel, manifestou estar também expectante quanto à reabertura.

“Estivemos encerrados desde  dia 14 de Março, reabrimos, esta segunda-feira, ao meio-dia. É uma nova fase  que vai obrigar a uma adaptação  e alteração de procedimentos e hábitos por parte dos restaurantes, mas também dos clientes. Vamos ver qual será a reação e o feedback dos clientes”, avançou, sublinhando que a limitação da capacidade a 50% poderá constituir um sério revês para muitos restaurantes.

“No caso do Farela teremos alguns limitações no interior, mas como dispomos de um espaço no exterior vamos procurar minimizar esse efeito”, adiantou, acrescentando que a recuperação será gradual e irá demorar o seu tempo.