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“Em Paredes, como em todas as paróquias, a Igreja não ‘parou’, nem ‘fechou’… porque, mesmo de portas fechadas o Povo de Deus continuou a celebrar a sua fé”, Padre Arlindo Rafael.

O padre Arlindo Rafael Teixeira, pároco da paróquia de Castelões de Cepeda (S. Salvador) e Madalena (Sta. Maria Madalena), nomeado pelo Bispo do Porto, D. Manuel Linda, para substituir Vitorino Soares, atual bispo auxiliar da Diocese do Porto, em declarações ao Novum Canal, reconheceu que os tempos de pandemia que têm assolado a região e o país não têm sido fáceis para ninguém, mas em Paredes, como em todas as paróquias, a Igreja não ‘parou’, nem ‘fechou”.

O pároco explicou que “mesmo de portas fechadas o Povo de Deus continuou a celebrar a sua fé”.

 “Estes tempos de pandemia não são fáceis para ninguém. Não são fáceis para as pessoas; não são fáceis para as empresas; não são fáceis para as instituições; não são fáceis para quem quer que seja. Por isso, as nossas paróquias, em comunhão com todas as paróquias da nossa Vigararia de Paredes, acompanhando as diretrizes da Igreja Diocesana e da Conferência Episcopal Portuguesa,  juntaram-se a todos os que contribuíram e continuam a contribuir para que esta fase menos positiva que o mundo está a enfrentar passe depressa. É um desafio de todos e para todos! Porque se cada um fizer o que lhe é pedido, será mais fácil e mais rápido! Foi, exatamente nesse sentido de amor ao próximo e de responsabilidade social que mesmo, antes de ser obrigatório, tomamos algumas medidas para evitar a propagação duma doença, então ainda mais desconhecida do que agora. Fechamos as Igrejas e cancelamos tudo, ou quase tudo, em nome dum bem maior! – Como seria bom que fosse sempre assim, não só na Igreja mas em todos os movimento e instituições que dizem existir para servir os outros!”, disse.

Em pleno período de desconfinamento, Arlindo Rafael reconheceu que os  paroquianos estão ansiosos de voltar a retomar aquilo que é a sua participação nas atividades e atos religiosos, mas apelou à prudência e cumprimento das diretrizes das autoridades se saúde, nomeadamente, da Direção-Geral de Saúde.

“Todos estamos ansiosos! Claro que estamos! Mas eu acredito que esta ansiedade é controlada ou, pelo menos, não deve ser ‘doentia’. Porque todos devemos estar conscientes da gravidade do que nos assolou… Por isso, temos de ser pacientes e devemos cumprir as regras de saúde para o bem de todos…”, concretizou, sustentando que Paredes, a Igreja e a paróquia não pararam, tendo estado ao lado dos paroquianos  através da comunicação tentando chegar a todas as casas com a Eucaristia transmitida, com orações para as famílias.

“Em Paredes, como em todas as paróquias, a Igreja não ‘parou’, nem ‘fechou’… porque, mesmo de portas fechadas o Povo de Deus continuou a celebrar a sua fé… A casa também pode e deve ser Igreja.  E, com a ajuda dos meios de comunicação tentamos chegar a todas as casas com a Eucaristia transmitida, com orações para as famílias poderem rezar e com outras propostas diferentes do habitual, (porque não é exatamente igual)… Pensamos retomar gradualmente, tal como está previsto no plano de desconfinamento que a DGS já tornou público”, afirmou, manifestando estar de acordo  com a solução proposta pelo Governo e as autoridades religiosas de fechar as igrejas e todas as celebrações religiosas assim que crise sanitária se começou a agravar.

“ Acredito que o Governo e as autoridades religiosas não decidem sem terem fundamentos e estudos sérios e fidedignos para nos propor  tais medidas. Defendo que devemos cumprir o que nos é pedido”, expressou, sustentando que o regresso das procissões e das manifestações religiosas ao ar livre não dependem da Igreja, mas das autoridades competentes.

“Essas decisões não são tomadas pelos párocos. Ficamos à espera que as autoridades competentes nos digam. Nós só temos de aceitar e acreditar que quem manda, sabe o que fazer e quando se pode fazer. Espero a compreensão de todos. Porque não há ‘mudanças’ sem sofrimento. Mas se todos ‘remarmos para o mesmo lado’, será mais fácil”, atalhou.

“Os tempos que se aproximam não serão fáceis, principalmente para as famílias mais débeis ou mais pobres”

Falando do Covid-19, o pároco Arlindo Rafael Teixeira considerou que estamos a viver um momento “sui generis”.   

“Não me lembro de nada igual nem parecido! Mas cabe-nos a nós descobrir formas e fórmulas para ultrapassar as dificuldades. E a Igreja sempre conseguiu superar as adversidades”, declarou, concordado que os tempos próximos serão difíceis sobretudo para as famílias mais débeis.

“Os tempos que se aproximam não serão fáceis, principalmente para as famílias mais débeis ou mais pobres. Temos de estar atentos. Todos temos de estar atentos: não só a Igreja, mas todos. Temos de nos ajudar uns aos outros”, admitiu, avisando que o que estamos a viver “não se resolve com um passo de magia”.  

“Queria acreditar que o pior já passou! Mas, infelizmente o que estamos a viver não se resolve com um ‘passo de magia’, nem com uma ou outra medida económica. Por isso, realço a resposta da pergunta anterior: – Temos de estar atentos. Todos temos de estar atentos: não só a Igreja, mas todos. Temos de nos ajudar uns aos outros”, asseverou, acrescentando: “A Igreja é dos pobres e para os pobres. Se não for assim, não evangeliza… E o que fazemos ou a caridade que as pessoas procuram na Igreja não vem nas estatísticas nem deve vir. A Igreja esteve, está e estará sempre atenta às pessoas”.

Questionado sobre a decisão do cardeal António Marto, bispo da diocese de Leiria/Fátima, e das autoridades religiosas não terem permitido, este ano, a presença dos peregrinos em Fátima, Arlindo Rafael recordou que o cardeal Dom António Marto explicou muito bem o porquê e fez-nos viver essa data com a mesma fé de sempre.

‘Peregrinamos com o Coração’, atalhou.

Num outro campo, o das diferenças que encontrou entre as duas últimas paróquias onde esteve, Raiva, Pedorido, em Castelo de Paiva, e a atual Castelões de Cepeda e Madalena, Arlindo Rafael foi taxativo:

“A Igreja é sempre a mesma aqui ou em qualquer parte do mundo! E pouco interessa as diferenças das terras, das pessoas, dos padres ou das estruturas paroquiais. Importa a Mensagem. E essa não muda nem com os tempos nem com os lugares!”, disse, assumindo que a sua integração tem sido a melhor possível.

“O povo de Deus acolhe bem os seus pastores! E aqui não foi exceção!”, destacou.

Já quanto desafios que tem à frente da paróquia, Arlindo Rafael precisou que o maior de todos é precisamente contribuir para ultrapassar este momento de pandemia.

“Cheguei aqui em outubro do ano passado. E é preciso tempo para uma leitura assertiva das comunidades. Mas neste momento o próximo desafio é comum a todos. Juntos vamos ultrapassar este momento de pandemia”, frisou, reconhecendo que o anterior pároco de Castelões de Cepeda (S. Salvador) e Madalena (Sta. Maria Madalena), Vitorino Soares, será sempre uma referência como Bispo Auxiliar do Porto.

“Na Igreja não há concorrência nem legados… O Sr. Dom Vitorino Soares será sempre uma referência como Bispo Auxiliar do Porto, tal como todos os Bispos e Padres o devem ser para os fiéis e para os seus irmãos Sacerdotes…”, concretizou.

O Padre Arlindo Rafael é natural do Marco de Canaveses.