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Fotografia: OCDP

“Mesmo sem a presença física dos peregrinos, o verdadeiro sentido da Peregrinação a Fátima foi vivido”, padre Feliciano Garcês.

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Milhares de peregrinos de região e de outros pontos do país, este ano , ficaram impossibilitados de se deslocarem em peregrinação ao Santuário de Fátima, considerado o altar do mundo para muitos crentes.

Na região, o pedido feito pelas autoridades religiosas e civis para que os peregrinos não se deslocassem ao Santuário de Fátima, embora esperado, deixou muitos peregrinos amargurados e em inquietação espiritual.

Ao Novum Canal, o pároco da Nossa Senhora da Boavista, no Porto, padre Feliciano Garcês, que há 23 anos faz a peregrinação da Obra De Caridade Ao Doente Ao Paralítico, de Paredes (OCDP), um dos três grupos da região que todos os anos se desloca ao Santuário, reconheceu que apesar do apelo, muitos peregrinos viveram com o coração e à distância a verdadeira mensagem e sentido de Fátima.

“Apesar dos apelos para que os peregrinos não se desloquem a Fátima, muitos peregrinos viverem de forma sentida, acredito, a dimensão deste fenómeno, centrando-se verdadeiramente naquilo que é essencial, na mensagem e sentido e Fátima e do que Nossa Senhora significa”, disse, salientando que muitos devotos, já esta terça-feira, aproveitaram para colocar e acenderem velas nos parapeitos das janelas, num sinal de devoção e respeito por um fenómeno que transcende o país e na impossibilidade de poderem participar na cerimónia da procissão das velas que antecede o 13 de Maio.

“Esse é também o verdadeiro e o mais importante sentido de Fátima. Sei que muitos peregrinos, apesar da situação sanitária que a região e o país atravessam, acreditaram, ou pelo menos, tinham alguma esperança de poder participar nas comemorações. Não houve um dia que não tivessem pensado nisso, mas até por isso mesmo esta será sempre uma peregrinação especial e inesquecível, como são, no fundo todas”, avançou.

Feliciano Garcês reconheceu, por outro lado,  que a impossibilidade dos peregrinos se deslocarem ao Santuário, acabou por fazer esquecer aspetos marginais que acabam por estar presentes neste tipo de peregrinações e que nem sempre são os mais importantes.

O pároco manifestou, ainda, compreender  a decisão assumida prontamente pelas autoridades religiosas.

“Desde Fevereiro que a OCDP tinha ponderado a possibilidade de não realizar a habitual peregrinação numa altura em que já se falava no Covid-19 e começavam a surgir os primeiros casos. Posteriormente com o surto de contágios que se verificou e declaração do Estado de Emergência, as orientações da Igreja tornou-se evidente que o objetivo de rumar ao Santuário estava cada vez mais distante. As autoridades religiosas tomaram uma atitude prudente e honraram o principio basilar da Igreja que é a defesa da vida. A vida em primeiro lugar”, acrescentou.  

Falando da peregrinação desta quarta-feira, o pároco da Nossa Senhora da Boavista recordou, ainda, que a Obra De Caridade Ao Doente Ao Paralítico, antes do surto propriamente  dito se manifestar com a dimensão que veio a adquirir depois, tinha já 420 inscritos, 60 em lista de espera e 100 voluntários, num total de 550 pessoas aproximadamente.

O padre recordou que a  OCDP já faz peregrinações ao Santuário há mais de 40 anos, dispondo de uma estrutura devidamente montada e um saber acumulado que faz com que muitos peregrinos queiram, todos os anos, integrar este grupo.

Além da OCDP, também o grupo da Obra do Bem-Fazer cumpre todos os anos o ritual religioso de se deslocar ao Santuário.

António Rodrigues Paulino, um dos organizadores do grupo, reconheceu que a Obra do Bem Fazer tinha tudo programado e devidamente definido para realizar a peregrinação, mas devido ao contexto que é de todos conhecido, todo esse trabalho acabou por ficar comprometido.

“Assim que tivemos conhecimento da decisão das autoridades civis e religiosas, realizamos de imediato  uma reunião com os elementos que integram a direção do grupo e entramos em contacto com os peregrinos”, atalhou, sustentando que apesar de já estarem preparados para este cenário, a vontade dos peregrinos foi sempre de participarem nas cerimónias do 13 de Maio.

“Obviamente que não poderíamos ir contra as diretrizes do Bispo Leiria-Fátima, Cardeal António Marto.  Tratando-se de uma questão de saúde pública só tínhamos que cumprir com as orientações”, expressou, admitindo, que existindo condições, o grupo, para o ano, vai voltar a fazer a peregrinação ao Santuário de Fátima.

Este ano, a Obra do Bem Fazer tinha inscritos entre 430 a 470 peregrinos.

Além destes dois grupos, também o Grupo Folclórico de Paredes é conhecido por ser uma referência na região e dos que mais peregrinos integra.


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