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Escola em casa… Pais à beira de um ataque de nervos?!!

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Na continuidade do artigo que escrevi na semana passada, e no qual abordei questões emergentes do fecho das escolas, no dia 16 de março, em virtude do cenário em que a pandemia relativa à doença do Covid 19 nos colocou, sugeria algumas estratégias para melhor organizar e viver a escola em casa, na modalidade de Ensino à Distância E@D, gostaria pois de continuar a explorar algumas questões, ainda decorrentes desta temática.

Os pais foram chamados a cumprir temporariamente, o papel de educadores a tempo inteiro (sem aulas presenciais, sem atividades extracurriculares, etc), confinados nas suas casas, as salas de jantar e de estar tornaram-se provavelmente em salas de aula e escritórios (remeto para o artigo anterior), sobretudo para aqueles que estão em teletrabalho e que também trouxeram o trabalho para dentro de casa… entre responder a emails, redigir relatórios para o chefe/ coordenador, preparar a reunião que acontece dentro de uma hora, atender o telemóvel e estar sempre disponível, é necessário monitorizar o que está a acontecer na aula à distância, do filho mais velho (e aqui depende da faixa etária das crianças e jovens), nesta forma de estudo acompanhado (?!) espreitar o filho mais novo que solicita a atenção, e não tarda inicia uma birra, e/ou o bebé que acabou de acordar e que é preciso alimentar!.. Um manancial de tarefas a conciliar e a responder! Trabalha-se mais e com mais variáveis a conjugar, por certo, ainda que não tenhamos que enfrentar filas de trânsito, apanhar transportes públicos, acordar às 6h ou 7h da manhã, despachar filhos nas escolas e creches! Há ainda os pais que não estando em regime de teletrabalho, se viram “obrigados” a vir para casa para cuidar dos filhos, ao abrigo das medidas excecionais e temporárias que o estado definiu, por força das circunstâncias. Há ainda os pais, que continuam a ir trabalhar todos os dias e forçosamente tem que deixar os seus filhos com terceiros, como sejam os profissionais de saúde, segurança, proteção civil e outros…

Todos estes pais se veem a fazer a  ligação entre a escola e os filhos, mais do que em qualquer outro momento, talvez, neste desafio que a modalidade de E@D lhes trouxe… entre a aposta nas tecnologias que se assumem, agora, como recursos necessários e mesmo determinantes neste processo, para que as crianças/jovens possam continuar a aprender e a interagir com os colegas, a turma, os professores e o mundo exterior (até as atividades extraescolares aderiram ao regime de E@D – as aulas de música, as aulas de karaté, ballet, intervenções terapêuticas,  os centros de apoio ao estudo, Atl”s…). Se até agora, tínhamos dificuldades em afastar as crianças e jovens dos aparelhos eletrónicos, estes ganharam um papel reforçado na continuidade das rotinas, ainda que virtuais (as aulas online ministradas pelos docentes, o Estudo em Casa (comparada à antiga Telescola), através da RTP Memória, RTP2 e os canais do YouTube em parceria com a Direção Geral Educação).

Talvez este excesso de tecnologias, acentue o quanto precisamos de estar em relação com o outro, de forma presencial… é fundamental que os pais estejam atentos e ajudem os seus filhos a gerir os tempos que lhes dedicam. Todos estes aspetos podem contribuir para um aumento de conflitualidade entre pais e filhos, no apoio ao estudo, na gestão da multiplicidade de tarefas, bem como consequência de quem está em isolamento social há varias semanas. Neste ponto gostaria de salientar que a supervisão e o apoio dos pais, não passa por substituir o papel/ação dos filhos naquilo que são as suas obrigações. A família não pode tornar-se numa escola, nem os pais professores mestres do currículo escolar…

Uma palavra também aos professores: É louvável o esforço que os agrupamentos, escolas, professores e técnicos demonstraram na identificação de respostas e soluções para a implementação do Ensino à Distância, dando cumprimento às orientações do Ministério da Educação.

Este período de quarentena das famílias, poderá e deverá, sobretudo, do meu ponto de vista, proporcionar oportunidades de aprendizagem e de reflexão sobre questões de cidadania, de desenvolvimento pessoal e social, de atenção ao que se passa no mundo (e não é só da pandemia a que me refiro; há tanta coisa a acontecer …), de fomentar a solidariedade (ex: entre vizinhos que moram no mesmo prédio ou na aldeia, mais isolados e que podem precisar de ajuda), de promover os valores que são a base identitária da família, trabalhar e gerir emoções (tolerância à frustração, empatia, respeito…), partilhar tarefas, experienciar momentos de lazer em conjunto, mais tempo em família, atendendo às especificidades das idades das crianças e jovens – um adolescente necessitará de respostas diferentes de uma criança com idade inferior, bem como as crianças mais pequenas, do pré-escolar e as crianças/jovens com problemas de saúde e portadoras de deficiências (dedicarei o próximo texto a estas crianças e jovens).

 No fim do período de quarentena, não podemos esperar que as nossas crianças e jovens sejam os mesmos. Não serão certamente. Não seremos também os mesmos, nós adultos.


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