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A CORRIDA AOS MEDICAMENTOS

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A pandemia conhecida por Covid-19 originou uma compra desenfreada de paracetamol e outros fármacos. A este propósito, permitam-me partilhar a minha opinião relativamente ao uso de medicamentos para a febre nesta e noutras viroses.
Existe uma verdadeira fobia irracional em relação à febre que se instalou na nossa sociedade. É
frequentemente sobretratada com medicamentos para a baixar. Há inclusive pessoas que se
apressam a tomar medicamentos para que a temperatura não suba com a falsa ilusão de
curarem mais depressa!
Erradamente, assisto a pessoas que, sem sequer medir a temperatura, tomam medicamentos
que a baixam ou tiram as dores, levando a que os sintomas não se apresentem ou sejam
substancialmente reduzidos, efetivamente escondendo-os. Isto pode levar a que pessoas já
infetadas circulem entre nós e transmitam a doença. É importante que quem se mantém a
trabalhar (e somos muitos) verifique a temperatura todos os dias, sem estar sob o efeito de
medicamentos que a possam baixar (paracetamol, ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios).
Os conhecimentos científicos atuais não fornecem provas de que seja benéfico baixar a
temperatura a todo o custo para curar mais rapidamente. Pelo contrário, há vários estudos
qua apontam que é preferível «respeitar» a febre o mais possível (até um certo grau,
dependendo da idade e do estado geral do paciente). Há estudos que provam que a febre
pode até ser um mecanismo de defesa que contribui para a resistência do organismo face às
infeções. A febre é uma reação normal do corpo face às infeções e permite ajudar a combatê-
las, uma vez que os vírus toleram mal as temperaturas elevadas.
Do ponto de vista da evolução do homem, a capacidade que temos de gerar febre só pode ser
vista como uma vantagem em termos evolutivos. Permitiu à nossa espécie sobreviver aos
micróbios através dos tempos, mesmo em épocas sem antibióticos.
A febre é nossa aliada, tanto a detetar a doença como no seu combate!
Consiste num aumento de temperatura benéfico que devemos, apesar de tudo, vigiar de
forma atenta. A febre é benéfica porque reduz o crescimento de vírus e bactérias. Quando há
febre, o corpo acelera. Aumenta a produção das defesas naturais do corpo e a frequência
cardíaca (batimentos por minuto), o que permite que as nossas defesas que circulam no
sangue circulem melhor pelo corpo e cheguem mais rapidamente ao alvo a abater, os
micróbios.
Diferentes estudos apoiam este raciocínio: Foi evidenciado que vários vírus na origem de
doenças respiratórias (p. ex. os vírus da gripe e das constipações- Influenza e rinovírus) são
mais agressivos quando a temperatura do corpo baixa nas fossas nasais (interior do nariz). Foi
ainda provado que doentes infetados e tratados com ácido acetilsalicílico (presente em muitos
medicamentos de venda livre para as constipações) libertavam mais vírus pelo nariz em
comparação com os que os que não tomavam.
Assim, existem estudos que demonstram aumento da mortalidade quando se abusa de
medicamentos em caso de viroses e que também apontam para aumento da transmissão das
infeções o que leva a um maior número de pessoas afetadas.

Estão ainda em curso vários estudos que apontam para a diminuição da resposta das defesas
do corpo devido à toma de alguns medicamentos. Um dos visados é o ibuprofeno, em relação
ao qual não é consensual a segurança da toma perante infeção por Covid-19, as opiniões
dividem-se. Manda a prudência que não se abuse da automedicação.
Não é apenas com a febre que nos devemos preocupar, mas sim com os sintomas associados:
mau estado geral, falta de ar, alteração súbita do estado mental, entre outras, que devem
motivar a procura de cuidados médicos. Particular atenção deve ser dada à febre nas crianças
antes dos 6 meses, nas grávidas, nos idosos e nas pessoas frágeis (doentes crónicos ou
imunodeprimidos).
Na dúvida, contacte o seu médico assistente.
Posto isto, confesso que não sei se tenho paracetamol ou outro anti-inflamatório em casa. Não
estou preocupada com isso, apesar de estar exposta a casos prováveis de pessoas infetadas
com Covid-19 e de saber que a cada dia que passa o risco que corro é cada vez maior.
Fiquem bem!


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